Pesquisadores avançam e observam pela primeira vez resposta imunológica ao coronavírus

Cientistas coletaram amostras de sangue de uma paciente infectada com o novo coronavírus e hospitalizada com sintomas moderados

Cientistas coletaram amostras de sangue de uma paciente infectada com o novo coronavírus e hospitalizada com sintomas moderados

Cientistas coletaram amostras de sangue de uma paciente infectada com o novo coronavírus e hospitalizada com sintomas moderados

Folha de Pernambuco

Um grupo de pesquisadores da Austrália afirmou nessa terça-feira (17) ter observado pela primeira vez a resposta imunológica do organismo ao covid-19, um avanço potencialmente decisivo na luta contra o vírus. Os cientistas coletaram amostras de sangue de uma paciente infectada com o novo coronavírus e hospitalizada com sintomas moderados, de acordo com artigo publicado na revista Nature Medicine.

"Observamos uma resposta imunológica muito robusta que precedeu à recuperação clínica", disse à AFP Katherine Kedzierska, do Instituto Peter Doherty de Infecções e Imunidade da Universidade de Melbourne. Essa reação corporal ocorreu quando a paciente "ainda estava visivelmente mal", mas "três dias depois já estava curada", acrescentou.

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Os pesquisadores lançaram uma corrida contra o tempo para encontrar uma vacina contra o novo coronavírus, cujo saldo global nesta terça-feira era de 180.000 infecções confirmadas e mais de 7.000 mortes. Keszierska disse que a investigação de sua equipe representa "um passo importante para entender a recuperação ao covid-19".

A cientista garantiu contar com resultados similares e "verificáveis" de pacientes também com sintomas moderados. "Agora podemos nos perguntar: qual é a diferença com pessoas (infectadas) que morrem?" Kedzierska disse que essas descobertas têm duas aplicações práticas.

A primeira é que ajudará os virologistas a desenvolver uma vacina porque o objetivo da vacinação é replicar a resposta imune natural do corpo aos vírus. A equipe de pesquisadores identificou quatro tipos de células imunológicas no sangue da paciente que se recuperou.

Segundo Kedzierska, são células "muito semelhantes às que vemos nos pacientes com gripe". Embora a gripe mate centenas de milhares de pessoas em todo o mundo a cada ano, existe uma vacina amplamente eficaz contra essa doença.

"Marcadores" imunológicos
A segunda aplicação deste estudo seria ajudar as autoridades de saúde a avaliar melhor quais pessoas são mais vulneráveis em futuros surtos. Esses "marcadores" do sistema imunológico poderiam, assim, ajudar a prever com mais precisão quais pacientes desenvolverão sintomas moderados e quais correm o risco de morrer.

A maioria das mortes por covid-19 ocorre entre idosos ou com problemas de saúde pré-existentes, como doenças cardíacas e diabetes. As crianças, por outro lado, não parecem apresentar sintomas ou são muito moderados. Kedzierska enfatizou a necessidade de mais pesquisas para encontrar uma explicação para essa particularidade, enquanto ressaltou que o sistema imunológico enfraquece com a idade.

Sharon Lewin, diretora do Instituto Doherty e uma das especialistas em doenças infecciosas mais conceituadas do mundo, disse à AFP que os resultados deste estudo são promissores. "Isso mostra que o corpo pode produzir uma resposta imune muito positiva e poderosa contra o vírus, que está associada ao desaparecimento dos sintomas", apontou.

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