Símbolos de reconstrução indicam como reerguer Santa

Personagens de renascimento do Tricolor citam caminho das pedras para clube voltar a viver tempos de glória

Personagens de renascimento do Tricolor citam caminho das pedras para clube voltar a viver tempos de glória

Personagens de renascimento do Tricolor citam caminho das pedras para clube voltar a viver tempos de glória

Folha de Pernambuco

De um passado aclamado por glórias a um presente que mais do que nunca exige de sua história uma recomposição. Fruto de uma campanha sorrateira e de poucas surpresas, a eliminação ainda na fase de grupos da Série C do Campeonato Brasileiro fez de 2019 mais um ano de luto para o Santa Cruz. Há oito anos, porém, o cenário se desenhava de forma diferente para os tricolores: ainda turbulento, porém com ares de recomeço. A Folha de Pernambuco conversou com o meio-campista Renatinho e o atacante Flávio Caça-rato, peças-chave no processo de reconstrução da Cobra Coral em 2011. Os atletas citaram o caminho das pedras para um indispensável reencontro do Tricolor com seus anos de glória.

Da D para a C, da C pra B e da B para A. Essa foi a escalada do Santa Cruz em seis anos. Em 2011, ano do recomeço e da conquista do acesso à Série C depois de três anos disputando a Quarta Divisão, a Cobra Coral contava com protagonistas que enxergavam a urgente necessidade do clube se reerguer. Hoje defendendo a camisa do Birkirkara FC, time que atualmente disputa a primeira divisão do Campeonato Maltês, Renato Gomes de Lima, o Renatinho, formado nas categorias de base do Santa, falou em tom saudoso da importância do futuro elenco coral estar em sintonia com a história do Tricolor para, mais uma vez, voltar a brilhar no cenário nacional.

"Todos os grupos que formamos nesse período eram muito unidos, tanto fora quanto dentro de campo. Não havia vaidade. Quando a gente não ganhava na técnica, a gente se sobressaia na vontade. Para o futuro, a prioridade deve ser formar um grupo forte nesse quesito, no qual as pessoas saibam onde estão vivendo, saibam a história do clube, a grandeza do Santa. Isso vai além das quatro linhas”, destacou o ex-jogador coral.

Xodó da torcida tricolor, Renatinho conquistou sete títulos pelo Santa Cruz, incluindo cinco pernambucanos (2011, 2012, 2013, 2015 e 2016), um título Nacional e uma Copa do Nordeste. Entre os anos de triunfo, o meia foi um dos símbolos dos últimos três acessos conquistados pela Cobra Coral, com 198 jogos disputados ao todo pelo clube.

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Outro jogador que deixou sua marca registrada no Santa foi Flávio Augusto Nascimento, o popular Flávio Caça-rato. Ele foi ídolo e peça essencial do time em 2013, ano em que foi duplamente coroado no Arruda quando fez o gol do acesso à Segunda Divisão e na disputa pelo título contra o Sampaio Corrêa, ocasião em que ajudou o Tricolor a conquistar o primeiro Nacional da história. Hoje, o atacante lamenta o momento vivido pelo Tricolor e recomenda a formação de um elenco capaz de recuperar a autoestima do Mais Querido.

“Eu falei com Renatinho e a gente comentou sobre a situação do clube: ‘poxa, a gente lutou tanto para colocar o Santa Cruz em uma divisão superior a que estávamos, subimos para a Série B e hoje em dia vemos a dificuldade até para se classificar para um mata-mata (da Série C)’. Então, o Santa precisa de gente que bote os pés no chão, que conheça a situação do clube, de jogadores que honrem a camisa. Hoje não adianta quantidade, tem que ter qualidade”, disparou.

Sem espaço no clube, depois de ter conquistado três Pernambucanos, um Nacional e dois acessos, Caça-rato deixou o Santa Cruz em 2015 e acumulou passagens por times como Remo, Guarani, Duque de Caxias, Tupi e Serrano/PE. Hoje, o jogador de 33 anos atua pelo Decisão Bonito, atual campeão da Série A2 do Campeonato Pernambucano. Esse será o terceiro ano consecutivo que o Santa Cruz tentará exorcizar os demônios na Série C.