Tributos amenizam a saudade e a dor do luto

Em homenagem ao Dia dos Finados, familiares ressaltam ações que ajudaram a transformar a dor e lembranças boas

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Em homenagem ao Dia dos Finados, familiares ressaltam ações que ajudaram a transformar a dor e lembranças boas

Folha de Pernambuco

Como se lida com a falta de um ente querido? A memória é um instrumento de negociação com o tempo que faz com que o homem possa viajar para momentos do passado. Em homenagem ao Dia dos Finados, a Folha mostra que a memória pode transformar o apaziguar da dor do luto em uma saudade carregada de carinho, boas lembranças e marcas. A exemplo de pessoas que guardam uma camisa que ficava bonita em quem se foi, outras que plantam algo em celebração ao ente perdido ou que fazem tatuagens. Para a psicologia, o modo de lidar com a saudade eterna é peculiar para cada um que passa pelo luto.

Marcar a pele com tatuagens era algo anteriormente rejeitado por Ilka Buarque de Farias, que acabou de fazer uma. Ela ouviu os filhos pedirem tatuagens durante a adolescência e vida adulta, sem se flexibilizar sobre o assunto. Contudo, ao perder o esposo, oito meses atrás, Ilka se viu imersa no luto, precisando lidar com documentos diariamente, por conta da burocracia. Observar a assinatura do esposo diariamente mudou seu pensamento. "Sempre achei bonito ele fazendo a assinatura dele, resolvi fazer para ficar pertinho de mim, para sempre. Dos documentos, um dia iria se acabar, se desfazer, mas em mim vai ficar", conta. Para ela, a tatuagem representou um momento de felicidade. "Estou me sentindo muito realizada, muito feliz. É como se ele que estivesse sempre comigo", explica.

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O que é saudade? Por que nós sentimos? Veja vídeo

Diferentemente dela, Sandra Cristina de Oliveira, alimenta sua saudade e resgate de memórias com fotos, um sapatinho e a boneca de sua filha, que morreu sete anos atrás. Aninha, terceira filha de Sandra, tinha apenas um ano, mas já reconhecia e brincava com sua boneca favorita, Bibi. "Quando eu olho para Bibi, para as fotos de Aninha, para o sapatinho que guardei, a mecha de cabelo, eu lembro da luz que Aninha foi na minha vida. O valor da vida, do amor, da saúde, do cuidado com o próximo, ela me ensinou muito", confessa.

Beatriz Mendes, psicóloga do Grupo Vila, explica a importância do valor de recordação em objetos e representações para quem sente saudade. "Cada pessoa pode ter um sentir diferente. Para algumas pode ser algo bom revisitar, para outros pode causar sofrimento. Vai de como a pessoa se sente ao entrar em contato com o que se guarda, quando se opta por manter algo de quem se foi", explica. A psicóloga também salientou que não é saudável manter o espaço intacto, como se a pessoa fosse voltar, mas guardar algo significativo sim. Com relação à tatuagem, ela contou que, por muitas vezes, pode ser a aproximação com o fim do luto agudo. "A tatuagem geralmente representa uma homenagem, uma forma de fazer com que a pessoa esteja na memória presente durante a vida de quem homenageou."