Christina Lemos Bolsonaro deixa governadores sem resposta sobre pedido de reunião

Bolsonaro deixa governadores sem resposta sobre pedido de reunião

Pedido de audiência feito pelo Fórum de Governadores segue sem retorno oficial. Relação pautada por troca de acusações inviabiliza reaproximação e gera situação sem precedentes

Reprodução/Twitter

Representantes do Fórum de Governadores, reunidos hoje com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, continuam aguardando uma resposta formal ao pedido de audiência feito ao Planalto, por um encontro com o presidente Jair Bolsonaro, para restabelecer o diálogo e formular um “pacto pela democracia”. “Não houve nenhuma negativa formal da parte do presidente Bolsonaro e continuamos dispostos a encontrá-lo”, declara o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, do PSB. A realização de uma reunião ampla entre os gestores estaduais e o presidente da República é tida como improvável - situação sem precedentes nas relações entre as duas esferas do Executivo.

O pedido de audiência foi feito também aos presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do STF, Luiz Fux. A expectativa é de que os encontros ocorram na semana que vem.

A relação do presidente Bolsonaro com o Fórum de Governadores tem sido fria e de troca de acusações, com pelo menos dois pontos de atrito: divergências sobre a gestão da pandemia e sobre a cobrança de impostos sobre combustíveis. Bolsonaro conta com o apoio de alguns dos governadores, mas não poupa ataques à maioria, principalmente envolvendo os dois temas.

“Nosso foco sempre foi a retomada do diálogo para pacificar as relações” – reforça Casagrande. “E hoje selamos este pacto, de forma tácita, com o presidente do senado”. Para o governador capixaba, a instabilidade gerada pelos atritos entre os poderes tem um custo alto para a população. “O impacto é especificamente financeiro, ao espalhar a desconfiança entre investidores e afetar até o valor da moeda perante o real”, explica. “Quem está pagando pela crise é justamente a população mais pobre, que sofre com a inflação”.

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