Major Olímpio sobre 100 dias: positivo, mas falta interlocução

Líder do PSL no Senado aponta avanços dos 100 dias, defende reforma da Previdência e reconhece problemas da gestão Bolsonaro

Major Olímpio sobre 100 dias: positivo, mas falta interlocução

Major Olímpio sobre 100 dias: balanço positivo

Major Olímpio sobre 100 dias: balanço positivo

Agência Senado

Uma das principais vozes do presidente Bolsonaro no Congresso Nacional, o senador Major Olímpio (PSL-SP) fez à Coluna uma avaliação dos 100 dias do governo federal. Para o parlamentar, o balanço é positivo. Aponta como avanços  a apresentação da reforma da Previdência, o projeto anticrime, além do enxugamento da máquina, com corte de 21 mil cargos comissionados.

Mas reconhece que há problemas: na interlocução do Palácio com o Congresso e na comunicação do governo Bolsonaro. Critica partidos aliados que não fazem uma defesa mais aguerrida das pautas da gestão. Defende a reforma da Previdência.

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Ao ser questionado sobre quando o governo Bolsonaro vai efetivamente começar ele minimiza: "É o primeiro cargo executivo do presidente, que começou doente, e há uma expectativa muito grande. Mas a máquina do governo é lenta, é um paquiderme, um grande navio". 

Leia abaixo os principais trechos da entrevista. 

O senhor é uma das principais vozes do governo no Congresso, qual a sua avaliação dos 100 dias de governo Bolsonaro? 

Faço avaliação pela ótica positiva. Nesses 100 dias, tivemos apresentação do projeto da reforma da Previdência, o projeto anticrime do Moro, a reestruturação dos ministérios, o corte de 21 mil cargos comissionados.

Mas vejo uma dificuldade de interlocução do Executivo aqui com o Legislativo. Sinto isso o tempo todo. Há reclamações de senadores e tenho muito contato com deputados, pois era deputado. Mas isso o próprio presidente tem insistido nas reuniões semanais que faz com os ministérios para que os ministros atendam com educação e zelo os parlamentares. Tivemos no começo agendas marcadas e ministros dando canseira em senadores, e depois dizendo que não iriam atender. Isso não é problema grave, mas acaba irritando. Talvez o medo da aproximação do Legislativo com o Executivo, de tomar uma abordagem do toma lá, dá cá. Mas aqui no Senado vejo a grande maioria dos senadores não vai pedir nada de toma lá, dá cá. O governo pode ficar absolutamente tranquilo com isso. E acho que isso pode ter intimidado incialmente e provocado um distanciamento dos ministros com o legislativo.

O deputado Alexandre Frota, do seu partido, deu uma entrevista criticando a influência do Olavo de Carvalho e articulação do Onyx, como se tivesse que trocar essa articulação na Câmara. Como o senhor avalia? 

O fato é que o líder do governo na Câmara é alguém da confiança do Bolsonaro. Desde que eleito ele disse que líder do governo era escolha pessoal dele. E na liderança do partido ele não iria interferir. É uma prerrogativa dele, ele faz a indicação. Não sei se Frota tem algum problema específico.

Ele também reclama do tratamento ao PSL, acha que PSL não está sendo ouvido como deveria. Como se o partido não precisasse ser "conquistado"...

Nisso ele tem razão. De verdade, os grandes aliados do presidente somos nós, do partido dele. O restante. Eu digo restante, mas o Democratas tem três ministros, presidentes das duas casas e diz: "Vamos ver se vamos estar na base. Vamos ver se vamos votar. Vamos ver se vamos fechar questão". Talvez esse sentimento o Frota possa ter expressado de forma mais contundente. Ele é bastante contundente nas afirmações dele.

Há sempre uma expectativa do partido pelo tamanho da bancada, por ser o partido do presidente. Seremos eternamente insatisfeitos, por mais espaço. O presidente sabe disso, nós somos os principais aliados independente de qualquer situação. Nós temos o Marcelo Álvaro, do PSL, mas não é ministro pelo PSL, não foi indicado pelo partido. Foi uma escolha do presidente. Nem nos mobilizamos por isso. Mas internamente sempre haverá focos de reclamação e de expectativa.

Quando o presidente Bolsonaro vai efetivamente começar a governar? 

Há dificuldades, há grupo de ministros novos, muitos novos na administração pública. Bolsonaro é o primeiro cargo executivo dele de verdade, e é uma coisinha com 210 milhões de pessoas dentro. E ele começou doente, fazendo cirurgia. Há que se dar um desconto. Mas eu vejo como promissor o avançar das coisas. Porque de verdade a população brasileira criou uma expectatvia muito grande e nós também, nós do grupo Bolsonaro.

Ele tomou posse no dia 1º às 16h e às 17h já tinha gente me cobrando: "E a segurança, continua a mesma coisa no País?" As pessoas querem soluções mais rápidas para grandes problemas. A população não quer entender que precisamos de uma reforma da Previdência, para que venha investimento e melhore a situação do País. Mais emprego. A máquina pública também é lenta. É um paquiderme. É um navio para você virar. Vejo dificuldades por exemplo, do Paulo Guedes, que sempre trabalhou na iniciativa privada e quer fazer a coisa girar mais rápido na Economia e dá aquela desacelerada na própria máquina do governo.

Mas o senhor concorda que há problemas, "cabeçadas", ou "caneladas" como o próprio presidente chamou? 

O problema da comunicação eu acredito que esteja caminhando para uma solução. O presidente era resisitente em ter um porta-voz. Ele sempre teve uma comunicação direta. Ele se comunicando. Começou sozinho com um celular na mão. Depois ele e os filhos, depois uma pequena equipe, nós. É um processo. Ele achou que seria a mesma coisa. Fazia uma "live" conversando quarenta minutos. De propostas como deputado. Como presidente, o olhar dele em relação a uma fala, um evento, faz com que o dólar suba ou desça, mexe com a Bolsa. Caem as ações de empresas públicas.

Mas ele foi para um terreno ainda mais polêmico nas redes, com o "golden shower", por exemplo.

Mas aí também é o estilo Bolsonaro que sempre foi muito contundente e direto o que fez dele um sujeito único. Que consegue chegar a 57 milhões de votos sem dinheiro. Muita gente gosta demais e muita gente odeia. Ele nunca fez muita questão de ser morno. Mas são apenas 100 dias de adaptação e ele vem evoluindo. A comunicação estava boa? Não. Se a populaçção não está recebendo a mensagem e a mídia diz que tem dificuldade de interlocução, há um problema. É um processo do próprio presidente, de uma adaptação dele, e ele já se ligou disso. Mas ele tem um estilo de ser, ele sabe quando vai polemizar. Não é sem querer. Muitas vezes traz respostas muito mais contundentes do que quando ele era deputado ou apenas um candidato.

O senhor faz defesa contudente e até emotiva dos militares na Reforma da Previdência. Isso não enfraquece o argumento de que a reforma vai atingir todos, e todos terão que ceder? Isso não prejudica a tramitação?

Primeiro que a minha defesa enfática é dos policiais e dos policiais militares. Na PEC 6 diz que teremos uma lei para os militares federais e depois uma lei para os militares estaduais e enquanto não tiver vale a dos federais. Os federais disseram: "os nosso aguentam trabalhar 35 anos". Eu divirjo. Porque os nossos [policiais militares] não aguentam. Porque com 30 anos [de serviço] está louco, alcóolatra, suicida. Não é uma defesa emocional. É a realidade. Porque o serviço policial arrebenta o cara. 80% das forças policiais militares estão na operação o tempo todo. E 20% na adminstração e treinando. As forças Armadas têm 80% treinando e na administração e 20% na nas fronteiras, portos e aeroportos. O desgaste é muito menor. Há de se considerar uma coisa. Mas estou dando a minha opinião.

Um complicador nisso foi misturar a justa correção salarial e de carreira junto com a reforma da Previdência. Entenda que é duro você dizer que um beneficiário do BPC com 69 anos de idade doente, vai receber um quarto do salário mínimo, R$ 248 de renda, e só a partir de 70 anos terá um salário mínimo.

Com toda a Justiça, delegados de Justiça federal e promotores estão no final da carreira e atingem o teto constitucional e o general, o almirante não. Houve congelamentos desde o ano 2000, eles perderam auxílios. O momento pode atrapalhar. Estamos dimininuindo para R$ 400 o BPC, e estamos aumentando em R$ 6 mil o salário de general? Fica meio esquisito. Ninguém me perguntou. Por isso falo com absoluta tranquilidade. Eu não teria misturado as coisas.

Apresentaria a reestruturação das carreiras depois da reforma. É justo? É. Dificulta? Sim. Vai dificultar? Vai. Quer queira, quer não, isso é um pontinho que vai dificultar. Para os policiais e bombeiros militares, se vai acompanhar a simetria das Forças Armadas o que precisa ser discutido é os 35 anos. E o que está dizendo ali é que vai acompanhar essa simetria.

Mas não daria pra misturar reestruturação de carreira, por mais justa que seja, em um momento em que você está pedindo sacrifício de todo mundo. Isso pode ser um complicador. Temer se estrepou porque saiu na linha da satanização do servidor público. A reforma não é uma invenção desse governo. Desde a Constituição já houve várias reformas. O Temer só não aprovou a dele porque foi pego na gravação do Joesley e caiu em desgraça. A partir daquele dia ele perdeu apoio aqui dentro.

Estou brigando pela inclusão dos guardas municipais que ficaram de fora da estrutura de Segurança Pública, e tive debates com Paulo Guedes sobre isso, mas é uma expectativa. Essa luta vai ser feita na Câmara e já vem para o Senado meio que terminada. Essa questão do BPC se for colocar para queimar, já queimou. E há pontos da mulher no campo, professora, vamos precisar fazer ajustes e não dá para dizer claramente: "tem que ser 1 trilhão e 300, ou menos? Isso vai ser o que o funil da população que é a Câmara e o Senado vai decidir.

O senhor defende então a reforma da Previdência?

Na Previdêcia tem que dizer que cada um vai ter que ceder um pouquinho para todo mundo ter. Fazer a reforma não é uma das alternativas, é a única. Se alguém souber de outra nos conte que fazemos. Aquele impacto de dizer que não tem jeito porque na frente não conseguiremos pagar salários e nem aposentandoria. O desequilíbrio aconteceu por uma séria de fatores.

No passado, pegamos dinheiro da Previdência para construir Brasília, a ponte Rio-Nitéroi, a Transamazônica. Em São Paulo, para construir delegacias. E com a inversão da pirâmide, hoje temos 20 milhões de aposentados nos próximos anos serão 60 milhões. Precisamos cobrar mais efetivamente quem deve e reformar.

O senhor apoia a PEC do Pacto Federativo que já foi protocolada no Senado e alivia a vida financeira de governadores e prefeitos por dar mais mobilidade a gastos em Saúde e Educação? 

A ideia é Mais Brasil e menos Brasília. Na votação do Orçamento Impostivo fiquei preocupado inicialmente. Sabe-se que o impacto foi o engessamento, mas foi mais um gesto para o legislativo de boa vontande do Executivo. Que precisa do apoio do legislativo. Está pra ser discutida a lei do Orçamento por PLC (Projeto de Lei Complementar), aí você não pode mudar por medida provisória, tem que te quórum qualificado de 257. Aí sim vai ser "O Orçamento". Esse é o caminho de fazer o recurso chegar mais rápido. Há que se discutir as tais verbas carimbadas. Durante muitos anos lutamos para ter um fundo da segurança. Mas o Paulo Guedes é da tese que não deveria ter nada carimbado e há o debate da garantia da obrigatoriedade sob pena de prejudicar a população se não tiver cumprimento de volume mínimo. É um debate.