R7 Planalto 'Quem é Olavo de Carvalho?', questiona general Etchegoyen

'Quem é Olavo de Carvalho?', questiona general Etchegoyen

Para o ex-ministro do GSI, Brasil precisa parar de ouvir um polemista que mora fora do País e não está aqui "arregaçando as mangas" 

Quem é Olavo de Carvalho? Questiona general Etchegoyen

General Sérgio  Etchegoyen

General Sérgio Etchegoyen

Walterson Rosa/FramePhoto/Folhapress - 28.08.2018

No dia 1º de janeiro, o general Sérgio Etchegoyen entregou o seu gabinete no Palácio do Planalto para o seu sucessor, general Heleno, após ambos terem organizado a posse de Jair Bolsonaro, sem nenhum incidente. Cumprindo quarentena antes de, possivelmente, trabalhar para a iniciativa privada, o general conversou com a Coluna direto de Novo Hamburgo (RS), para onde se mudou.

Mantendo o seu tom moderado, mas com opiniões firmes, o general diz que o País precisa parar de ouvir as opiniões de Olavo de Carvalho ao ser questionado sobre os embates entre "olavistas" e militares no governo.

— Quem é Olavo de Carvalho? Me responde. Ele é apenas um polemista, que mora fora do País. E usa uma linguagem imprópria, palavrões, para discutir política. Política é debate, é discussão de ideias, não é confronto físico. O Brasil não merece que a gente reduza a política a troca de ofensas, impropérios. E há pensadores, filósofos, que vieram de Harvard para arregaçar as mangas pelo Brasil, como Mangabeira Unger, uma pessoa que merece respeito.

E como o senhor avalia a relação da ala militar com a civil do governo?

— Não acho que [a relação] esteja ruim. Os militares que estão no governo estão em final de carreira, ou seja, têm muita experiência. Já lidaram muito com civis, políticos, autoridades de governo em seus postos de trabalho. Honestamente não acredito que haja problema, claro que não estou dentro do palácio. Mas não me parece.

Qual a sua avaliação do governo Bolsonaro? O senhor acha normal esse começo mais difícil?

— Estou torcendo para o governo começar. Mas tem muita coisa que não é normal. Há muita coisa que já deveria ter começado com objetivos mais claros, com planejamentos mais visíveis. Mas ao mesmo tempo, não é normal o nível de crítica que eles estão sofrendo. Não é normal. Não sou advogado de ninguém e não estou no governo, mas qualquer coisa que se faça vira um escândalo.  Não ajuda. O Congresso também é novo. O Congresso foi muito renovado, muito além das expectativas de todos os analistas, é importante se lembrar disso. O Congresso também tem que se adaptar ao vácuo de lideranças que serão substituídas por antigas ou novas. Então há uma disputa de liderança lá dentro que é normal. Até que esse novo Congresso esteja ajustado e as lideranças acomodadas, e ainda encarando uma reforma como a da Previdência... O cenário todo dificulta um pouco.

O senhor concorda que o governo deveria aprovar a reforma como primeira medida?

— Foi o governo que estabeleceu como uma grande medida, e isso já vinha lá de trás, já era um dos grandes objetivos do governo Temer. E continua como um dos objetivos da sociedade como um todo. A necessidade da reforma parece não ser mais a questão, mas o quando e como. Essas são as questões. Como fazer, o que fazer e até onde ir.

Como o senhor avalia a posse, que foi seu último trabalho no governo? Houve reclamações de jornalistas sobre o esquema de segurança.

— A posse foi ótima, um anticlímax, todo mundo esperava um monte de coisas e não aconteceu nada. Houve planejamento e trabalho, um trabalho conjunto feito em equipe, que trabalhou muito. Sobre os horários, teve muita gente cheia de vontades. Não vamos dar bola para isso. A posse não pode ser reduzida a isso.