Alicinha Cavalcanti, Orlando Drummond e a importância da fama

Mortes repercutiram em todo país e geraram reflexão sobre a brevidade da vida

A promoter Alicinha Cavalcanti morreu aos 58 anos de idade na segunda-feira, dia 2. O ator, humorista e dublador Orlando Drummond, de 101 anos, faleceu semana passada, dia 27.

Ambos eram conhecidos no mundo das celebridades, uma vez que a fama fez parte de suas vidas. Alicinha, por exemplo, começou sua carreira jovem e, após mais de 40 anos trabalhando na área de eventos, teve seu nome conhecido.

Já Orlando ficou famoso ao interpretar o personagem Seu Peru, na "Escolinha do Professor Raimundo", e ao dublar personagens icônicos como Scooby-Doo e Popeye.

Orlando Drummond faleceu aos 101 anos

Orlando Drummond faleceu aos 101 anos

Reprodução / Instagram

Ele morreu em casa de falência múltipla dos órgãos. Alicinha faleceu de uma doença rara, Afasia Progressiva Primária (APP).

Tudo passa

Ambos foram famosos, aplaudidos pelo público, mas, quando saíram dos holofotes, seus nomes deixaram de estampar a capa dos jornais e das revistas diariamente.

Tais acontecimentos só reafirmam que tudo na vida é passageiro. Apesar disso, muitos vivem hoje como se dependessem da fama para ser feliz. Buscam a fama pela fama, ou seja, sonham em ter status, visibilidade, destaque e admiração social, como se isso fosse trazer a verdadeira felicidade. Fazem esforços para aparecer e toda sua vida gira em torno das curtidas, seguidores, fãs...

Mas, por mais que essas pessoas conquistem esse tipo de reconhecimento superficial, um dia ele vai acabar e virão outros famosos que as substituirão. Porque tudo passa e hoje, mais do que nunca, essa frase me parece essencial.

Alicinha Cavalcanti em uma das últimas aparições públicas

Alicinha Cavalcanti em uma das últimas aparições públicas

Reprodução

Legado

Ninguém é insubstituível. Por mais que tenha capacidades, formações, habilidades e méritos, sempre existirá alguém para substituí-lo.

Por isso, se você perde sua saúde por conta do excesso de trabalho, se perde tempo nas redes sociais e deixa de dar atenção para quem realmente importa, se cultiva mágoas, mau-humor, fofocas, talvez esteja desperdiçando sua vida.

O ser humano vive como se a morte não existisse. Neste cenário, parece fácil se deixar desviar do caminho. É preciso entender que esse dia, cedo ou tarde, vai chegar para, a partir disso, aprender a valorizar o hoje, o respirar, o viver.

Precisamos, sim, fazer tudo que desempenhamos com excelência, mas também com equilíbrio. Todas as áreas necessitam estar em sintonia, porque o melhor legado que podemos construir aqui na terra é cuidar da dádiva, do presente que é a vida, praticando uma fé inteligente, fazendo bem ao próximo, amando e cuidando das pessoas que convivemos, aquelas que realmente nos conhecem.

Precisamos encarar a vida como uma dádiva e valorizá-la

Precisamos encarar a vida como uma dádiva e valorizá-la

Szymon Labinski / EFE / EPA

É necessário refletir qual legado estamos construindo, pois a vida é curta demais para perdermos tempo. Quantas pessoas você conhece que morreram com remorsos, seja por não terem sido presentes na vida dos familiares, por terem pensado apenas no dinheiro, ou então, por terem machucado pessoas próximas. 

Elas não estão mais aqui, foram substituídas, mas deixaram um exemplo do que não fazer. Enquanto estamos vivos temos a chance, ou melhor, o privilégio de poder viver um dia de cada vez e considerá-lo um presente que não pode ser desprezado. 

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