Bretas aceita nova denúncia e Cabral vira réu pela 15ª vez

Empresário Rei Arthur também está entre os acusados de corrupção

Sergio Cabral foi denunciado na Operação Unfair Play
Sergio Cabral foi denunciado na Operação Unfair Play Jose Lucena/Futura Press/Folhapress

O juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, do Rio, aceitou nova denúncia da força-tarefa da Operação Lava Jato contra o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), no âmbito da Unfair Play. Com mais essa acusação, o peemedebista se tornou réu pela 15ª vez: são 14 denúncias na Lava Jato do Rio e uma em Curitiba (sob tutela do juiz federal Sérgio Moro).

O empresário Arthur Soares, o Rei Arthur, a sócia dele Eliane Pereira Cavalcante, e outras cinco pessoas também são acusadas por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa. São elas: Carlos Miranda, Renato Chebar Sérgio Côrtes, Enrico Vieira Machado e Leonardo de Souza Aranha.

Segundo a força-tarefa, Rei Arthur, em troca de vantagens na celebração de contratos com suas empresas, efetuou pagamentos de vantagens indevidas. Dono do Grupo Facility, durante o mandato de Sérgio Cabral como governador, "Rei Arthur" foi apontado como o maior fornecedor de mão de obra terceirizada do governo estadual, chegando a faturar aproximadamente R$ 250 milhões.

No Brasil, afirma a força-tarefa, Arthur Soares pagou propina por meio de entrega de dinheiro em espécie, contratos fictícios ou pagamento de despesas pessoais. Os procuradores apontam um contrato entre a KB Participações e a GRALC/LRG Agropecuária, empresa de Carlos Miranda, em valores acima de R$ 1 milhão.

"Também foi apurado que a empresa Facility, que possui contratação com o Estado do Rio de Janeiro, custeou a implantação de sistema de segurança na cobertura do então secretário Estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, em valor de aproximadamente R$ 148 mil", disse o Ministério Público Federal, em nota.

Sérgio Cabral é acusado de receber US$ 10,4 milhões em propina de Rei Arthur, entre março de 2012 e novembro de 2013, e ocultar o valor no exterior, além de ter recebido um total de R$ 1 milhão no Brasil entre 2007 e 2011. No exterior, diz a Procuradoria da República, "Rei Arthur" repassava o dinheiro da conta de sua empresa Matlock, para a conta Blue Stream e outras contas de Renato Chebar.

"Foi comprovado que Cabral chegou a ocultar a soma de U$S 100 milhões nessas contas", afirma a Lava Jato.

"Em relação aos fatos relacionados à compra de votos para a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, as investigações da força-tarefa prosseguem, após a deflagração, na semana passada, da Operação Unfair Play - segundo tempo."

A reportagem está tentando contato com a defesa do ex-governador do Rio Sérgio Cabral.