Rio de Janeiro Maioria dos crimes é cometido perto da casa dos criminosos, revela FGV

Maioria dos crimes é cometido perto da casa dos criminosos, revela FGV

Pesquisa mostra que gasto com transporte, risco de ser preso e proteção de facções podem influenciar prática criminosa no Rio

Maioria dos crimes é cometido perto da casa dos criminosos, revela FGV

Cerca de 70% dos suspeitos mora a menos de 12 km do local do crime

Cerca de 70% dos suspeitos mora a menos de 12 km do local do crime

Celso Barbosa/Estadão Conteúdo/11.12.2017

Menos de 12 km separam a casa do criminoso do local do crime. A constatação é resultado de uma pesquisa desenvolvida pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), que revelou que 72% dos delitos que levaram a condenações no Rio foram praticados próximo ao local de residência dos criminosos.

Para o levantamento, a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV analisou os dados de janeiro a julho de 2015, de 1.644 detentos, que foram condenados naquele ano por roubo, furto, extorsão mediante sequestro e tráfico de drogas.

— A gente precisou cruzar o local onde o preso havia cometido o crime e o local que ele declarou como moradia, pra gente perceber esse deslocamento dele, se tinha uma lógica de custo-benefício. Utilizamos apenas os presos que cometeram um único crime, presos que residiam na cidade do Rio e que tivessem cometido o crime também na cidade — explicou Ana Luísa Azevedo, pesquisadora de políticas públicas da FGV.

A zona norte é a região da cidade que mais concentrou trajetórias de curto alcance (0km a 12km) entre o local de moradia do preso e o de registro de ocorrência. Nesses casos, o criminoso percorreu um trajeto menor que a travessia da Ponte Rio-Niterói, por exemplo, para a prática do delito.

Ainda segundo a pesquisa, a escolha do local do crime pode não ser por acaso. Algumas das hipóteses levantadas para entender esse deslocamento, revelam que questões como os gastos com o transporte ou os riscos no momento da fuga, podem ser considerados pelos criminosos na hora de praticar um crime.

— A gente pode levantar algumas suposições. Por exemplo, quando o individuo conhece melhor aquele local e ele percorre uma distância menor, ele corre também um risco menor de ser pego. Essa é uma hipótese. Outras situações que a gente pode perceber é a proximidade com vias expressas e a presença de organizações criminosas para apoiar esse delito — apontou Ana Luísa, que coordenou o levantamento.

Para a pesquisadora, a maior contribuição da pesquisa é a metodologia utilizada. Ela destaca que esse tipo de investigação sobre a rota dos criminosos sempre foi feita pelos órgãos de segurança do estado, porém não de forma sistematizada.

— Com um banco de dados, a gente consegue pegar e traçar esse deslocamento. Isso pode ser mais uma fonte para a polícia, não só para o seu patrulhamento, como também na questão de investigação. A partir do momento que a gente entende que há uma lógica no percurso, a polícia pode concentrar esforços nesses locais mapeados.

*Sob supervisão de PH Rosa

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