São Paulo Após denúncia de racismo, professor é demitido de faculdade

Após denúncia de racismo, professor é demitido de faculdade

Alunos da Cásper Líbero tentaram conversar com o professor, mas ele teria debochado da reclamação e dito que "não existe racismo no Brasil"

  • São Paulo | Ugo Sartori, do R7*

Faculdade Cásper Líbero, SP, demite professor acusado de racismo

Faculdade Cásper Líbero, SP, demite professor acusado de racismo

Reprodução/Google Street View

Após alunos denunciarem o caso de racismo sofrido durante uma aula na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, um professor do curso de Publicidade e Propaganda foi demitido da instituição nesta semana.

Em nota, a faculdade disse que depois de ouvir os alunos, as "partes envolvidadas" e analisar o caso, decidiram desligar o professor acusado de racismo. Ele foi demitido "pelo uso de expressões e atitudes inadequadas". E a instituição se posicionou: "A Faculdade reforça que repudia qualquer atitude de conotação discriminatória e preconceituosa, seja no espaço público ou privado".

Estudantes acusam professor de racismo em aula na Cásper Líbero

Segundo relatos, uma aluna negra se sentiu ofendida durante uma aula em 22 de março e, com um grupo de amigos, foi conversar com o professor depois da aula. Os alunos disseram que ele teria debochado da reclamação e que o docente afimrou que "não existe racismo no Brasil". Além de ter tentado tocar no cabelo dela dizendo que foi algo que ele sempre desejou fazer.

O coletivo estudantil que discute questões culturais, históricas e problemáticas atuais da cultura africana na faculdade, o AfriCásper, ajudou a aluna a fazer a denúncia e divulgar o ocorrido. Segundo o coletivo, o professor teria dito as seguintes frases que incomodaram os estudantes: “Quando fui para a Croácia fazer uma especialização, as pessoas de lá acharam que eu era mulato por ser brasileiro, mas quando cheguei, eles ficaram desapontados porque eu era ‘normal’”.

E ao ver o time da Nigéria no albúm da Copa do Mundo de 2018, ele teria dito: “Eu achei que só tivesse preto na Nigéria”, referindo-se ao zagueiro Leon Balogun, filho de mãe alemã e pai nigeriano. Em seguida ele questionou o cabelo de um jogador negro: “Como que ele penteia esse cabelo? Isso aí deve ser um ninho!”. 

O AfriCásper insistiu em nota que repudia "qualquer tipo de racismo e injúria racial dentro ou fora da Faculdade". E ofereceu ajuda: "Caso você passe por situações racistas, procure o Coletivo AfriCásper através do inbox".

*Estagiário do R7, com supervisão de Ingrid Alfaya

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