Em três anos, 3.500 armas de empresas de segurança foram parar nas mãos de bandidos em SP

Levantamento inédito mostra total de armamento roubado ou furtado de companhias no Estado

PMs em frente à sede da empresa de segurança Capital, no Cambuci, após roubo de 510 armas, em setembro

PMs em frente à sede da empresa de segurança Capital, no Cambuci, após roubo de 510 armas, em setembro

Reprodução/Rede Record

Em três anos, 3.577 armas de empresas de segurança privada acabaram nas mãos de criminosos no Estado de São Paulo. Os números, da Polícia Federal, referem-se ao armamento roubado ou furtado das companhias de janeiro de 2011 a novembro deste ano.

O levantamento, inédito, foi solicitado pela reportagem, por meio da Lei de Acesso à Informação, em setembro, logo após ter ocorrido o maior caso de furto dos últimos tempos: 510 armas foram levadas da sede da Capital Serviços de Vigilância e Segurança, no Cambuci.

No mês passado, o Deic (Departamento de Investigações Criminais do Estado de São Paulo)  recuperou quatro revólveres da Capital, em Mogi das Cruzes, Grande São Paulo, com três suspeitos de intregrar uma quadrilha de roubo de cargas.

Uma em cada 20 armas

As 1.621 empresas de segurança com sede em São Paulo têm 66.573 armas. Ou seja, se o arsenal tivesse se mantido relativamente o mesmo nos últimos três anos, 1 em cada 20 armas das companhias estaria agora com bandidos.

Além do armamento roubado e furtado, as empresas tiveram, desde janeiro de 2011, outras 285 armas perdidas ou extraviadas. O total de armamento que passou para a ilegalidade representa cerca de 7% das armas apreendidas pela polícia paulista no período.

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Um só mercado

Para Melina Risso, diretora do Instituto Sou da Paz, uma das organizações envolvidas na campanha do desarmamento, os dados mostram que, mesmo de modo indireto, a indústria da segurança contribui para a criminalidade:

— Não há um mercado legal e um mercado ilegal de armas. Há apenas um mercado. Acreditamos que criminosos não compram armas em lojas convencionais, mas é temporária a condição de legalidade de uma arma adquirida por um cidadão comum ou por uma empresa. Com o tempo, ela pode acabar no mercado negro.

Revólver 38

Os números da Polícia Federal mostram que 90% das armas de empresas de segurança que acabam no mercado negro são revólveres. Segundo Melina, o baixo calibre não torna menos perigosa a arma:

— Estudo que fizemos recentemente, com base em casos de flagrantes enviados à Justiça, mostra que é a arma pequena, sobretudo o revólver, a mais usada em crimes.

Em agosto, o Sou da Paz divulgou o estudo “As Armas do Crime”. Foram analisadas 466 armas apreendidas em 4.559 casos de prisões em flagrante na cidade de São Paulo. De acordo com o levantamento, 65% do armamento é revólver.