'Golpe do delivery' causa prejuízos a clientes de aplicativos de entrega

Vítimas tiveram valores de compras alterados por fraudadores ao efetuar o pagamento das compras em máquinas de pagamento com cartões

Suspeitos alteram mensagens no visor da máquina enquanto as compras são feitas

Suspeitos alteram mensagens no visor da máquina enquanto as compras são feitas

Pixabay

Imagine encomendar pelo aplicativo um burrito por R$ 35, digitar a senha do cartão quando o entregador chega e descobrir depois que o pedido, na verdade, custou R$ 2 mil. Foi o que aconteceu com a produtora cultural Thássia Moro no dia 14 de setembro, quando ela foi vítima do "golpe do delivery". Além dos R$ 2 mil tirados dela no cartão de débito — que a fizeram entrar no cheque especial —, os criminosos também passaram R$ 1,2 mil no crédito.

"Eu pagava e dava erro, e nisso foram várias tentativas, no crédito e no débito, com dois cartões diferentes", contou Thássia, que registrou boletim de ocorrência e tenta reaver o dinheiro com o app iFood, por onde fez o pedido. "Tentei falar com o iFood de todas as maneiras, fiz reclamação. Disseram que iam me pagar até o dia 26, mas isso não aconteceu até agora", explica ela, que agora estuda levar o caso à Justiça.

Segundo Thássia, o delegado que a atendeu suspeita que bandidos consigam alterar as mensagens no visor da máquina enquanto as compras vão sendo efetuadas. Dessa forma, a mensagem de erro pode esconder um débito na conta corrente.

Já o iFood explicou que os crimes acontecem quando os entregadores usam máquinas de pagamentos não vinculadas à empresa e, "se aproveitando da distração dos consumidores", adulteram o valor da compra.

Outra vítima foi o gerente de projetos Luis Sanches. No caso dele, a comida indiana de R$ 108,50 era para o seu jantar de aniversário. "Pedi para pagar na entrega por medo de digitar meus dados online. Achei que passando o cartão na máquina seria mais seguro."

Sanches pegou apressado as sacolas das mãos do motoboy depois de digitar a senha em uma máquina com o visor danificado. Segundo o entregador, uma queda sofrida por ele teria arranhado o aparelho. No dia seguinte, o cliente reparou na mensagem de texto em seu celular que acusava pagamento de R$ 4.621,68 na noite anterior, valor parcelado em nove vezes.

À reportagem, o iFood disse estar ciente dos golpes aplicados e "atuou rapidamente, desativando o cadastro dos envolvidos, quando comprovada a conduta ilícita do entregador". A plataforma disse que seus entregadores operam "de forma independente" e que a função do iFood é "conectar restaurantes, entregadores e consumidores".

Apesar disso, a empresa se comprometeu a ressarcir os clientes lesados e orienta que vítimas de golpes "devem entrar em contato pelos canais oficiais de atendimento ao cliente via aplicativo, enviando o boletim de ocorrência e extrato bancário para que a empresa possa retornar o mais breve possível".

Na entrega

O iFood se tornou a plataforma preferida de golpistas por permitir pagamentos na entrega dos pedidos, em dinheiro, cartão de crédito, débito ou vale-refeição. É nessa modalidade que os criminosos conseguem aplicar os golpes. Os concorrentes UberEats e Rappi só permitem que os pagamentos sejam feitos online, com cartões de crédito ou débito cadastrados nos seus apps, o que evita golpes do delivery.

Segundo o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), José Pablo Cortes, uma vez que o cliente identifica ter sido vítima do golpe, o primeiro passo é entrar em contato com o emissor do cartão e comunicar o ocorrido. O segundo é avisar o aplicativo e pedir o ressarcimento. "E sempre documentando tudo."

Cabe ao aplicativo, segundo Cortes, reaver o valor perdido, uma vez que o entregador golpista está a serviço da plataforma. Se comprovada a intenção de fraude do entregador, ele pode responder pelo crime de estelionato.

Fique atento:

1. Forma - Sempre que possível, pague pelo aplicativo e não no momento da entrega.

2. Ambiente - Peça ao entregador para tirar o capacete e tente pagar em um ambiente filmado.

3. Máquina - Certifique-se de que o valor digitado corresponde ao pedido. Se a máquina estiver danificada, peça outra.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

fonte: Estadão Conteudo