Golpes para receber dinheiro do seguro de veículos crescem 117%

As fraudes envolvendo os próprios donos dos carros; as falsa notificação de roubo mais que dobraram em maio desse ano

Donos entregam veículo para bandidos e repassam 5% do valor do seguro

Donos entregam veículo para bandidos e repassam 5% do valor do seguro

Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo desvendou um golpe de desmanches de carros de luxo contra as seguradoras. Na fraude, o dono simula o roubo do próprio veículo para receber o preço da tabela pago pela companhia. Desse total, 5% é repassado aos criminosos, quase sempre donos de desmanches clandestinos.

No Brasil, nos últimos quatro anos, mais de um milhão de veículos foram roubados no país, uma média de um carro por minuto. De acordo com a seguradora Ituran, as fraudes envolvendo os próprios donos dos veículos mais que dobraram em maio desse ano, com um aumento de 117% em relação ao mesmo período do ano passado. A projeção da empresa é de que até o fim de 2020 serão R$ 272 milhões pagos nesses golpes.

"O seguro vai ficar mais caro para o consumidor. Obviamente, quem vai pagar é o consumidor, o honesto vai pagar", diz Rodrigo Boutti, gerente de operações da seguradora.

Uma das vítimas disse ao Jornal da Record, sob anonimato, como foi a abordagem do golpista quando tentava vender seu carro usado. "Ele falou: 'então, dá pra gente fazer assim. Eu te pago uns R$ 2 mil no seu veículo, você me dá ele. Daqui uns dois dias você liga no seu seguro, no seu rastreador e informa que você teve o veículo furtado e nisso você dá o golpe no seu seguro'."

A polícia descobriu há dez dias um desmanche de carros em um galpão subterrâneo Avenida do Cursino, no Jardim Colina, na zona sul da cidade.

Os carros, que custam mais de R$ 300 mil, eram desmontados em poucas horas e as peças revendidas mais baratas no mercado paralelo.

O delegado Osvaldo Nico Gonçalves destaca que o consumidor deve ter cuidado. "O que a gente alerta sempre: não procurar essas pessoas que vende peças com origem suspeita", diz Nico.

Para tentar combater as fraudes, tecnologia de ponta e até inteligência artificial, as empresas que prestam serviços, que trabalham com as seguradoras têm algoritmos para identificar uma mudança de comportamento.

"O ladrão quando ele está furtando um carro, o carro se comporta de uma maneira em que o nosso sistema entende e inclusive avisa os nossos operadores para checar a informação", diz Boutti.

"Se o dono do carro insistir na fraude e a prova for confirmada, se ele declarar que ele fraudou, ele está cometendo dois crimes. Primeiro o artigo 171 que é estelionato e o segundo é a comunicação de falso crime. Os dois somados dão mais de 5 anos de reclusão."