São Paulo Número de casos de Covid aumenta em hospitais privados de SP, mas com menos gravidade

Número de casos de Covid aumenta em hospitais privados de SP, mas com menos gravidade

Especialistas da área médica dizem que, até o momento, o avanço tem sido marcado por quadros leves da doença

Agência Estado
Levantamento será divulgado nesta quarta-feira (23)

Levantamento será divulgado nesta quarta-feira (23)

Pilar Olivares/ REUTERS - 18/06/2021

A quantidade de atendimentos a casos suspeitos de Covid-19 aumentou em oito de cada dez hospitais privados de São Paulo nos últimos dias, mas a maioria dos pacientes não precisou ser internada. Isso é o que mostra levantamento a ser divulgado nesta quarta-feira (23), pelo SindHosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo).

Especialistas da área médica dizem que, até o momento, o avanço de casos tem sido marcado por quadros leves, mas reforçam a importância de completar o esquema vacinal e de adotar medidas como o uso de máscara em locais fechados e com aglomeração. O país tem passado por uma nova onda de Covid, impulsionada por subvariantes da Ômicron.

Ao todo, 90 hospitais privados de todo o estado foram consultados pelo SindHosp entre os dias 11 e 21 deste mês. Desses, 77% ficam no interior e 23%, na capital. Conforme o levantamento, 84% dos hospitais notificaram aumento no número de atendimentos de pessoas com suspeita de Covid ao longo dos últimos dias.

Entre esses hospitais, a maioria (39%) relatou alta de 21% a 30% nos atendimentos a pacientes com esse perfil. Em 31%, esse crescimento ficou entre 11% e 20%. Outras 21% dessas instituições registraram crescimento de até 20%, enquanto em 9% a variação foi superior a 31%.

Ainda com o avanço no número de atendimentos, a maior parte dos hospitais (73%) relata que o aumento de casos de pacientes hospitalizados foi menor do que 5% tanto em leitos de UTI quanto em leitos clínicos. Em 18%, essa alta ficou entre 6% e 10%. Em apenas 9% deles o crescimento foi superior a 11%.

Cuidados

Presidente do SindHosp, o médico Francisco Balestrin afirma que a maior circulação do coronavírus de fato ocorre neste momento, o que demanda atenção para cuidados sanitários. "No entanto, o volume de internações ainda é baixo", pondera.

"Avaliamos que os casos evoluem sem gravidade e não precisam de internação hospitalar", destaca Balestrin. "Mas ratificamos a necessidade de que a população use máscara em locais com aglomeração, mantenha o protocolo de segurança à saúde, com a lavagem de mãos, e cumpra o calendário de vacinação."

Infectologista do Hospital Sírio-Libanês, Mirian Dal Ben diz que, especialmente nas últimas duas semanas, a instituição tem observado um "aumento importante no número de casos". "A expectativa é de que a gente atinja o pico (de casos) na primeira semana de dezembro", alerta. Segundo ela, o número de internações não tem subido em igual proporção, mas ainda assim exige uma reorganização.

"Os hospitais estão tendo de se reorganizar para conseguir atender a essa demanda de pacientes que estão precisando ser internados", diz ela. Há atualmente 50 pacientes internados com diagnóstico de Covid no Sírio-Libanês, 32% deles em leitos de terapia intensiva. O número aumentou cinco vezes em relação ao da primeira semana de novembro. "Estão sendo internados muitos pacientes sem a dose de reforço, principalmente idosos", afirma a médica, e reforça a necessidade de a população tomar as doses adicionais.

Ela alerta ainda que outros grupos estão sendo afetados. "Outra população que tem procurado muito o pronto-socorro e sido internada são as crianças, principalmente as que ainda não estão vacinadas", complementa. A imunização do público-alvo de 6 meses a 2 anos começou apenas na semana passada no país.

"Parece um cenário de menor gravidade do que a gente já tinha visto com a Ômicron (em janeiro), mas, se vai ser mais brando ainda do que as últimas ondas, a gente ainda não sabe", afirma Daniela Bergamasco, infectologista do HCor, que relembra que, em outras ondas, o aumento de casos veio antes do aumento de internações.

Para ela, os motivos que ajudam a explicar o fato de o número de internações mais graves não estar subindo tanto podem ir desde os efeitos de uma maior cobertura vacinal até outros fatores, como características ainda desconhecidas das novas subvariantes.

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