São Paulo Onda de roubos assusta moradores de Ubatuba e MP cobra mais polícia

Onda de roubos assusta moradores de Ubatuba e MP cobra mais polícia

Dados da SSP indicam que criminalidade aumenta nos meses mais quentes do ano. Média mensal foi de 133 furtos na região

Agência Estado
Onda de roubos assusta moradores de Ubatuba (SP) e MP cobra mais policiamento

Onda de roubos assusta moradores de Ubatuba (SP) e MP cobra mais policiamento

Reprodução

Furtos à luz do dia na praia, roubos a casas de veraneio e assaltos têm feito parte da rotina em Ubatuba, um dos destinos mais procurados no litoral norte de São Paulo. Por causa da situação, o Ministério Público requereu na Justiça no último mês um reforço de policiamento para a região.

A cidade, de 92.819 habitantes, reúne 350 mil na alta temporada. A polícia registrou 995 furtos e 202 roubos nos dez primeiros meses do ano. Dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública) do Estado indicam que a criminalidade aumenta nos meses mais quentes. De janeiro a março, a média mensal foi de 117 furtos, caindo para 82 nos cinco meses seguintes.

O número voltou a subir em setembro e outubro - média mensal de 133 furtos. Segundo a SSP, nesses períodos o policiamento também sobe. Nesta quarta, a cidade deve receber reforço de 175 PMs e um helicóptero.

Além da Praia Grande, a mais visada por ficar próxima do centro, os criminosos também têm agido nas mais distantes, como a da Maranduba, na costa sul, onde, em 3 de novembro, uma câmera de segurança flagrou a invasão de nove homens armados a um mercado. Hospedados em um hotel, na Praia da Lagoinha, os suspeitos foram cercados pela polícia. Um foi baleado na perna e preso. Os outros fugiram.

Semana passada, moradores de Maranduba se reuniram com a PM para debater o problema. "Foi colocado que o efetivo é o mesmo de dez anos atrás e não tem como dar conta. Na alta temporada, vem efetivo maior, mas só resolve de forma temporária", diz o líder comunitário Amauri Costa.

Vigilância comunitária

Os moradores formaram grupos de vigilância comunitária e usam o WhatsApp para alertar sobre a criminalidade. O Estadão teve acesso às mensagens. "Acabou de acontecer um assalto aqui no (quiosque) Valerine, perto da barraca do Sócrates. Chegaram dois indivíduos, um armado, encostaram a arma no casal. O rapaz estava com corrente e pulseira de ouro. Roubaram e ameaçaram dar um tiro." Em seguida, outro relato: "Acabaram de roubar minha casa aqui na Rua Cabo Luís Gomes de Quevedo (bairro Maranduba), os inquilinos acabaram de me ligar."

Representante do grupo de vigilância solidária, Sergio Rakoza disse que, de uns tempos para cá, Ubatuba tem atraído muitos bandidos. "Turistas vêm com dinheiro e objetos valiosos, são abordados com armas, diretamente na praia, ou em momento de descontração no interior das residências."

Conforme o secretário de Segurança Pública e Defesa Social de Ubatuba, major Edilson Ramos de Oliveira, nos últimos dez anos o número de PMs na cidade caiu 27,7%, passando de 119 em 2011 para 86 em 2021. Já o aumento populacional nos últimos dez anos, segundo o MP, foi de 17,8%.

Ação do MP

A falta de efetivo policial levou o MP de SP a entrar com ação civil pública, em novembro, para obrigar o Estado a reforçar o policiamento em Ubatuba. A Promotoria argumenta que a cidade recebeu muitos novos moradores na pandemia, com trabalho e ensino remotos. Diz ainda que, em 2020, Ubatuba ficou em 3º entre as cidades com maior exposição à criminalidade violenta.

O Estado contestou a ação, mas a 3ª Vara de Ubatuba acatou os argumentos do MP. O Estado foi intimado no dia 12 e ainda tem prazo para recorrer.

A Secretaria da Segurança do Estado disse que as rondas da PM e o atendimento a chamados de emergência em Ubatuba são ininterruptos, e a distribuição do efetivo é por critérios técnicos. Destacou ainda "o Conselho Comunitário de Segurança, o Conseg, e o Programa Vizinhança Solidária", por meio dos quais a PM "dialoga com a população e direciona ações". Sobre furtos na cidade, a pasta diz que 2020 foi atípico, por causa das restrições da pandemia. Comparando 2019 com 2021, as ocorrências de janeiro a novembro caíram 14,2% - de 1.295 para 1.110.

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