São Paulo Pesquisa revela que maioria dos assassinatos na cidade de São Paulo têm autoria desconhecida

Pesquisa revela que maioria dos assassinatos na cidade de São Paulo têm autoria desconhecida

Estudo elaborado pelo Instituto Sou da Paz analisou 1.777 boletins de ocorrência

Setenta e nove por cento dos homicídios registrados entre janeiro de 2012 e junho de 2013, na cidade de São Paulo, tiveram autoria desconhecida, segundo pesquisa do Instituto Sou da Paz. O estudo foi apresentado nesta quinta-feira (12), durante o “Seminário 10 anos do Estatuto do Desarmamento — Avanços e desafios para a redução dos homicídios no Brasil”, em São Paulo.

O trabalho analisou 1.777 boletins de ocorrências de homicídios, com 1.928 vítimas. Trezentos e vinte e nove casos — 19% do total — apresentavam indícios de execução. Destes, 95% não tinham o autor conhecido e, em 98%, houve o uso de arma de fogo.

A pesquisa observou ainda que houve queda no uso deste tipo de armamento, sobretudo, em conflitos de casal [em 60% deles foram utilizadas armas brancas] e discussões, o que, segundo o trabalho, pode ser resultado do Estatuto do Desarmamento.

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Conforme o estudo, nas ocorrências de homicídios com autoria revelada, 27% das vítimas são mulheres, o que estaria relacionado com conflitos, muitas vezes, entre pessoas que se conhecem. O trabalho identificou um aumento no percentual de vítimas de assassinato do sexo feminino na comparação com diagnósticos anteriores. Uma das hipóteses cogitadas para explicar a mudança seria um possível maior envolvimento delas em situações que as coloquem em maior risco de serem mortas, além de conflitos domésticos.

Discussão

Na maioria dos homicídios que resultaram de discussões, os agressores usaram armas brancas (48%) e 72,7% dos autores identificados apresentavam relação com a vítima.

Do total de boletins analisados, em 773 (43%) não puderam ser observados indícios de motivação ou circunstâncias. A maior parte destes homicídios aconteceu em via pública (70%),  de madrugada (38%) e no período noturno (36%). Foram 822 vítimas, sendo que jovens entre 15 e 29 anos correspondem a 34,2% e negros, 51,6%.

Predominância de homens

Segundo a pesquisa, 87% das vítimas de homicídio são homens, negros (49,1%), com idades entre 15 e 29 anos (34,3%).

O estudo mostrou que os assassinatos são mais frequentes nos fins de semana (39%) e durante a noite e a madrugada (66,1%).

Armas de fogo são as mais usadas nos homicídios (61,2%). Nos casos em que o autor é conhecido, o percentual é o mesmo dos assassinatos praticados com armas branca: 38%.

 

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