Saúde Câncer afeta vida sexual da mulher, mas há tratamento

Câncer afeta vida sexual da mulher, mas há tratamento

Oncologista explica que vergonha em expor problema pode prejudicar solução

Câncer afeta vida sexual da mulher, mas há tratamento

Mais de 70% das mulheres com câncer têm baixa libido; mas a maioria não relata o problema

Mais de 70% das mulheres com câncer têm baixa libido; mas a maioria não relata o problema

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Receber o diagnóstico de câncer não é tarefa fácil. Depois, o tratamento é uma verdadeira batalha. No caso das mulheres, elas também precisam lidar com a sexualidade que, muitas vezes, é afetada neste período. Muitas pacientes não se sentem atraentes por causa da autoestima e, mesmo quando têm vontade de transar, podem sofrer com dores e desconforto. Em alguns casos, estes efeitos colaterais do câncer “perseguem” a mulher anos após o tratamento, mas podem ser minimizados com o acompanhamento médico.

O médico oncologista do Hospital de Câncer de Barretos Carlos Paiva explica que o câncer afeta a sexualidade das pacientes em aspectos físicos e psicológicos. 

— Um fator físico importante é que, durante o tratamento, a mulher pode ter ressecamento da vagina, causando dor. Outro fator é o emocional: muitas mulheres têm depressão e baixa autoestima, por isso, a relação com o parceiro muda bastante.

Além disso, às vezes, as pacientes entram na menopausa devido à baixa nos hormônios, o que diminui a libido consideravelmente. De acordo com Paiva, mais de 70% das mulheres não têm vontade de transar, e o número pode ser ainda maior, já que apenas 5% das pacientes relatam o problema.

— [A questão] é multifatorial. A paciente pode ter baixa libido e dor na relação, por exemplo, mas poucas falam do problema. A maioria tem vergonha e acha que é normal.

Outra questão que abala bastante as pacientes é o abandono do marido ou companheiro, explicou Paiva.

— É comum os maridos largarem as esposas após o diagnóstico [do câncer].

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Vergonha e importância do médico

Já que as pacientes não falam, os médicos têm formas de descobrir as disfunções sexuais antes ou durante as consultas. Em alguns ambulatórios, as mulheres respondem questionários sobre diversos aspectos da vida, dando pistas aos especialistas. Já na consulta, é mais fácil para o profissional abordar o assunto e procurar soluções.

Encarar problema é solução

A tendência é de que essas disfunções diminuam após o tratamento e volte ao que era antes da doença, de acordo com o oncologista. Porém, às vezes, isso não acontece. Por isso, Paiva ressalta a importância de a paciente se queixar e não encarar o problema como algo sem solução.

— A disfunção sexual atrapalha a vida delas. Não é um problema banal que existe, mas não interfere na questão global. Isso é capaz de mudar a qualidade de vida.

O médico esclarece que esses fatores físicos e emocionais podem ser revertidos com aconselhamento multifuncional. Se não for possível, dá para resolvê-los de forma pontual. Caso a paciente não encontre este apoio no hospital, ela pode procurar profissionais.

— Se a paciente tiver ressecamento vaginal, por exemplo, pode-se avaliar a necessidade de usar um lubrificante. Se for efeito colateral da medicação, às vezes dá para trocar o remédio ou fazer outra associação. Caso seja baixa autoestima, ela pode se consultar com um psicológico, e assim por diante.

Para as mulheres que passaram por mastectomia, a reconstrução mamária imediata, quando possível, também ajuda a aumentar a autoestima da mulher, no caso de câncer de mama. Uma dica também é praticar atividade física, pois quem se exercita têm menos problemas com a sexualidade do que as que não praticam. Estudos mostram que se a mulher se exercita, nota-se 61% menos risco de disfunção da libido e 52% menos problemas ligados à sexualidade.

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