Morte de atriz coreana traz alerta sobre sinais da depressão

Oh In Hye morreu aos 36 anos após ter cometido suicídio, segundo jornal local; psiquiatra explica que sucesso não protege do quadro de depressão

A atriz sul-coreana Oh In Hye

A atriz sul-coreana Oh In Hye

Divulgação

“A pessoa depressiva também sorri, muitas vezes o sofrimento pode passar despercebido”, afirma a psicóloga Naiara Mariotto. A atriz sul-coreana Oh In Hye, 36 anos, morreu na segunda-feira (14). A suspeita é de ter cometido suicídio, segundo informações do Dimsum Daily, jornal de Hong Kong.

Estrela de filmes como Sin Of A Family, Red Vacance Black Wedding, A Journey With Korean Masters e The Plan, ela teve duas paradas cardíacas e não resistiu. O psiquiatra Ivan Mario Braun afirma que o status social não tem relação com a depressão e com o suicídio. “É uma doença. Se a pessoa tem os fatores de risco, não importa o quão famosa ou quanto dinheiro ela tem. Ela pode ter o quadro.”

“Nós estamos em um mundo que valoriza muito o status e aí parece mentira quando uma pessoa bem-sucedida e famosa tenta algo assim, mas a depressão não escolhe cor, classe e religião. Pode acontecer com qualquer um”, afirma a psicóloga.

Os especialistas ressaltam que nem sempre o suicídio é provocado pela depressão. “Podem haver fatores culturais, algum desespero momentâneo, transtornos psicóticos, mas, na maioria dos casos, ao menos no Ocidente, quando levado por fatores psiquiátricos a causa é a depressão. Cerca de 10% dos pacientes de depressão grave tentam suicídio”, diz a psicóloga.

Naiara destaca que neste mês acontece a campanha Setembro Amarelo com o objetivo de conscientizar sobre o problema e orientar sobre os sinais que os amigos e familiares podem perceber. “O suicídio pode ser evitado. A campanha é em setembro, mas precisamos estar atentos o ano inteiro, não tem mês para acontecer.”

Ela acrescenta que dezembro e janeiro são os meses com os maiores índices de suicídio. “Isso acontece por ser uma época em que se reflete mais sobre a vida e, muitas vezes, você pode lembrar de frustrações. Uma filha que perdeu um pai, por exemplo, também pode passar um grande sofrimento nas festas de fim de ano.”

A psicóloga afirma que a pessoa que considera o suicídio pode não falar sobre isso, mas muitas vezes existe uma mudança no padrão de comportamento. “Normalmente, a pessoa depressiva dorme mais e come menos e a ansiosa faz o contrário, mas isso não é uma regra.”

Além disso, a pessoa perde o interesse em atividades que antes eram prazerosas e possui uma postura desesperançosa frente ao seu futuro e o dos outros. “A pessoa pode se fechar mais, se cala, tem uma mudança na rotina.”

Nayara explica que ao observar esses sinais, é importante trazer essa pessoa para perto, se colocar à disposição para ouvi-la e validar esse sentimento. “Existe muito medo do julgamento, então precisamos validar esse sentimento. Você pode dizer frases como: 'Eu te entendo, eu imagino como deve ser ruim, mas você me deixa te ajudar?'”.

Ela aconselha procurar ajuda profissional para indicar o melhor tratamento. “A gente começa a terapia e, se for necessário, encaminha para um psiquiatra que possa indicar uma medicação, dependendo do caso.”

A psicóloga explica que a família também vai ser orientada pelo profissional e que ela tem um forte papel no tratamento do paciente. “A família pode ajudar a salvar a vida desse paciente.”

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini