Saúde Pesquisa mostra que pessoas com dermatite atópica são discriminadas

Pesquisa mostra que pessoas com dermatite atópica são discriminadas

Metade dos portadores da doença de pele, que não é contagiosa, já sofreram preconceito no transporte coletivo; 33% receberam diagnósticos errados

Dermatite atópica leva a até um mês de falta ao trabalho por ano

A dermatite atópica se manifesta por meio de lesões avermelhadas na pele

A dermatite atópica se manifesta por meio de lesões avermelhadas na pele

Ariana Campos Yang

Uma pesquisa sobre dermatite atópica de moderada a grave, divulgada nesta terça-feira (16), confirmou um dos maiores impactos a doença: a discriminação.

Realizado pelo Instituto Ipsos a pedido da Sanofi, empresa farmacêutica, em parceria com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) e Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o levantamento revelou que 35% dos pacientes já sofreram algum tipo de preconceito, sendo quase metade (49%) no transporte coletivo, 44% no ambiente de trabalho e 34% na escola ou faculdade.

A dermatite atópica é uma doença não contagiosa. Ela se manifesta por meio de lesões avermelhadas na pele que provocam muita coceira.

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Trata-se de uma doença hereditária e autominune, na qual um desequilíbrio no sistema imunológico gera uma resposta inflamatória exagerada. O contato com um agente alérgico, como mofo, pólen, ácaro ou alimento, inicia esse processo inflamatório na pele.

“Muitas pessoas tentam esconder as lesões provocadas pela dermatite atópica, têm medo de serem rejeitadas ou isoladas socialmente, sentem-se culpadas por se coçarem com frequência e relatam problemas com a vida sexual ou afetiva”, afirma a dermatologista Ana Mósca, coordenadora da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).

Foram analisados 199 pacientes com dermatite atópica moderada a grave entre julho e agosto do ano passado em 11 cidades brasileiras: Manaus, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Brasília e Goiânia.

Na pesquisa, 12% dos pacientes afirmaram "já ter perdido a vontade de viver em decorrência da doença", o que corresponde a 1 em cada 10 entrevistados. Ainda 12% revelou recorrer ao cigarro (56%) e à bebida alcoólica (25%) como "fuga da doença".

Diagnóstico correto é dificuldade

O levantamento ainda mostrou outra dificuldade enfrentada pelos portadores da dermatite atópica que é obter o diagnóstico correto. Os pacientes revelaram que chegam a passar por três diferentes especialidades médicas até receberem o diagnóstico e que o processo pode levar até um ano.

Cerca de 33% dos pacientes afirmaram ter recebido diagnósticos prévios equivocados, sendo 48% para alergia e 15% para psoríase.

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A pesquisa também evidencia como os sintomas interferem no dia a dia das pessoas com a doença. Elas faltam ao trabalho cerca de 21 dias por ano, o que corresponde a um mês de trabalho.

O problema impacta os pacientes por 90 dias por ano, em média. Além disso, todos relataram que tiveram ao menos uma crise nos últimos 5 anos e 24% que têm crises mensais, sendo a coceira o sintoma que mais incomoda.

"Imagine não poder dormir com tranquilidade, ter dificuldade para escolher uma roupa que fique confortável, ser julgado por conta das lesões na pele e, em muitos casos, ter que se ausentar do trabalho ou dos estudos. Essa é uma realidade constante para o paciente com dermatite atópica moderada a grave”, afirma a reumatologista Suely Goldflus, líder médica de área terapêutica da Sanofi.

Doença pode causar infecção

Cerca de 6% dos pacientes já tiveram que ser internados por causa da doença. o período de internação é de 9 dias, e média e, em 33% dos casos, o motivo é infecção. 

Em relação ao tratamento, 64% disseram usar hidratantes de forma contínua, sendo 85% dos casos prescritos por médicos. 

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De acordo com a dermatologista, a hidratação é fundamental. "Mesmo que faça uso de outras medicações, a hidratação é indicada para manter a barreira protetora da pele íntegra”, explica.

Ainda sobre tratamento, 1 em cada 7 pacientes usaram corticoides por cerca de um ano ou mais e 52% não costumam acompanhar a dermatite atópica com um especialista.

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