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Brasil João de Deus: Polícia deve se basear em único caso para 1º inquérito

João de Deus: Polícia deve se basear em único caso para 1º inquérito

Investigação está prevista para ser concluída até sexta-feira (21); médium está preso após centenas de denúncias de abuso sexual

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João de Deus está preso desde domingo (16)

João de Deus está preso desde domingo (16)

Marcos Souza/Estadão Conteúdo/16.12.2018

A Polícia Civil de Goiás deve se basear em um único caso de abuso sexual para concluir o primeiro inquérito contra o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus.

A investigação está prevista para ser concluída até sexta-feira (21) e vai mostrar que o líder religioso ofereceu presentes - como uma pedra de valor e um quadro religioso - para a vítima depois de tentar abusar da mulher, de aproximadamente 40 anos.

Inicialmente, a investigação tinha um rol de 15 casos, mas apenas um deles aconteceu recentemente e não perdeu seu prazo decadencial (período no qual a denúncia pode ser feita sem perder a punibilidade). Segundo a investigação, essa vítima teria sido abusada em outubro deste ano.

A reportagem apurou que a mulher visitou a Casa Dom Inácio de Loyola, onde João de Deus fazia atendimentos espirituais, várias vezes e sempre acompanhada de um namorado. Em uma dessas ocasiões, ela ficou sozinha com o médium numa sala para a consulta espiritual. Com as luzes apagadas, João de Deus teria começado a tocar próximo à região íntima da denunciante que, neste momento, percebeu que ele estaria com o membro sexual para fora da roupa.

Aos policiais, a vítima contou que, quando percebeu qual era a verdadeira tentativa do médium, resistiu e fez menção de interromper qualquer contato físico. Neste momento, João de Deus teria oferecido uma pedra de valor e um quadro religioso para a vítima. A reportagem apurou que, em seu depoimento à Polícia Civil, João de Deus disse não se lembrar de ter dado esta pedra, mas admitiu a oferta de "quadros".

Os policiais envolvidas na investigação ainda resistem em dizer se o inquérito vai concluir que, efetivamente, João de Deus tentou silenciar a vítima com a oferta de presentes. Um delegado envolvido nos trabalhos disse ao Broadcast Político que "provavelmente" essa será uma das provas a embasar a denúncia.

Apesar disso, como se trata apenas de um único caso, a Polícia Civil de Goiás deve oferecer a denúncia de João de Deus por um único crime: o de "praticar ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima", tipificação presente no artigo 215 do Código Penal. A pena prevista para esse crime é de até seis anos de reclusão, em regime fechado.

Ainda assim, a Polícia Civil e o Ministério Público de Goiás podem abrir novos inquéritos contra o médium a partir de novas denúncias. Somente o MP já recebeu mais de 500 relatos de abuso sexual e outros 30 casos foram formalizados por meio de depoimentos colhidos presencialmente nos Estados.

Outro lado

O advogado do médium, Alberto Zacharias Toron, disse em mensagem encaminhada ao R7 que discorda da decisão e irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça. Toron informou também que apenas a liminar foi apreciada e negada. O julgamento final do habeas corpus será após o recesso do judiciário.

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