Meio Ambiente

Brasília Senado discute criação de frente parlamentar pelos veículos elétricos

Senado discute criação de frente parlamentar pelos veículos elétricos

Plenário avalia criar colegiado para debater o uso da eletricidade na mobilidade urbana e o surgimento de cidades inteligentes

  • Brasília | Carlos Eduardo Bafutto, do R7, em Brasília

Ponto de recarga de veículos elétricos

Ponto de recarga de veículos elétricos

Reprodução

Entre as pautas do plenário do Senado desta quinta-feira (24) está o projeto que institui a Frente Parlamentar Mista pela Eletromobilidade, um colegiado para debater o desenvolvimento sustentável por meio da inovação tecnológica. A ideia é discutir formas de fomentar o uso das energias renováveis em prol da mobilidade urbana por meio de veículos elétricos.

O projeto de resolução do Senado, de autoria do senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL), busca o debate sobre o uso da eletricidade na mobilidade urbana, com veículos elétricos ultracompactos, em prol da preservação ambiental e da sustentabilidade. O relator do projeto é o senador Izalci Lucas (PSDB-DF)

O texto do projeto defende a ideia de que a eletromobilidade é barata, rápida e não poluente.  "Diante do bem-estar e qualidade de vida, a eletromobilidade significa menos doenças respiratórias causadas pela poluição que, segundo o ministério da saúde, aumentaram mais de 14% nos últimos dez anos, consumindo mais de 1,5 bilhões de reais anuais do orçamento público," diz o documento. "Segundo a Organização Mundial de Saúde, 50 mil brasileiros morrem, todos os anos, por doenças causadas pela poluição do ar, como câncer de pulmão, doenças cardíacas e acidente vascular cerebral" acrescenta.

O documento diz ainda que cidades como Pecém (CE)  e Brasília (DF) já incluíram nas suas frotas compartilhadas de logística urbana os ônibus 100% elétricos a bateria. O texto do projeto conclui que a Frente Parlamentar Mista pela Eletromobilidade terá como objetivo cumprir o papel de promover o debate sobre o desenvolvimento sustentável aliado à inovação tecnológica para tornar possíveis cidades inteligentes asseguradas por energias renováveis. 

Carros elétricos no Brasil

Atualmente, os donos de carros elétricos no Brasil precisam dispor de um sistema de carregamento próprio. Isso porque ainda há pouca cobertura de postos de recarga pelas ruas e rodovias do país.

Segundo o engenheiro Evandro Mendes, CEO da Electricus, empresa especializada em infraestrutura de recarga para veículos elétricos, o Brasil conta com entre 400 e 500 carregadores públicos para atender a uma frota de aproximadamente 10 mil veículos elétricos. 

O engenheiro ainda afirma que cerca de 50% da estrutura dedicada a esses veículos está concentrada no estado de São Paulo, o que dificulta a vida de quem precisa transitar com carros nas estradas brasileiras e também nos ambientes urbanos em outros estados.

Em 2021, carros elétricos venderam três vezes mais

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O número de veículos elétricos bateu recorde em 2021. Só no ano passado foram vendidas cerca de 34.990 unidades de carros elétricos, híbridos ou híbridos plug in, o que representa aumento de 1,8%, quase o dobro da porcentagem em relação ao ano anterior (1,0%). No cenário dos carros 100% elétricos, foram comercializados 2.860 em comparação aos 801 vendidos em 2020. Juntando os veículos híbridos, as vendas totalizam 14 mil unidades somente no primeiro semestre de 2021, representando um aumento de 80% quando comparadas às de 2020.

A eletromobilidade está adentrando cada vez mais a cultura brasileira, ainda que careça de infraestrutura para suportar esse tipo de veículo. Atualmente, a maioria dos pontos de energia para carregar esses carros está localizada somente em postos de gasolinas ou shoppings. O plano é que daqui a alguns anos isso mude, com projetos já em andamento que visam ao aumento da gama de pontos elétricos para abastecer o carro.

Segundo o presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), Adalberto Maluf, a estimativa — ainda que conservadora — é que até 2035, o Brasil terá até 62% de carros elétricos, o que implica diversas mudanças nas indústrias, na legislação brasileira e também na infraestrutura do país.

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