Folha Vitória ChatGPT pode agregar na consultoria tributária

ChatGPT pode agregar na consultoria tributária

A Inteligência Artificial tem tomado um papel relevante no campo de consultoria contábil, mas até que ponto o usuário pode confiar...

Folha Vitória
Foto: Divulgação/DINO

Pessoas que sentem dificuldades com atividades da área tributária, estão cada vez mais adeptas das soluções oferecidas pela Inteligência Artificial (IA), como o ChatGPT, devido à rapidez e à suposta qualidade de informações oferecidas por estas plataformas. Embora seja uma tecnologia que apresente uma gama de possibilidades positivas, melhorando a eficiência dos processos, especialistas tributários defendem que a análise crítica de um profissional da área ainda é indispensável, uma vez que este serviço pode evitar futuras dores de cabeça aos contribuintes do Fisco.

De acordo com o relatório publicado em abril deste ano pelo Semrush, uma plataforma especializada em monitoramento de presença online, o site do ChatGPT já registrou, em janeiro deste ano, aproximadamente 863 milhões de acessos em todo o mundo. Isso representa um aumento de 42.119,2% em comparação com o mesmo período de 2022 e o Brasil aparece na quinta posição entre os países de maior interesse. Os dados mostram que o ChatGPT é um avanço da IA e está mudando a rotina das pessoas, seja na vida particular ou no trabalho, pois esta ferramenta aprendeu a conversar de uma forma mais próxima a de um humano.

Porém, quando se pensa nos desafios do setor tributário, é preciso estar atento aos resultados dos resultados trazidos pelo robô. Há pouco tempo, o presidente e co-fundador da OpenAI, criadora do ChatGPT, Greg Brockman, resolveu fazer alguns testes na live de apresentação da ferramenta. Dentre as experiências, Brockman utilizou a tecnologia como um ‘consultor fiscal’. Na ocasião, foi solicitado que o chatbot avaliasse um código tributário de 16 páginas para ajudar o representante a solucionar dúvidas relativas ao assunto, o que foi concluído com sucesso. Contudo, mesmo com boa parte das questões respondidas, Brockman fez um alerta aos usuários, dizendo que a ferramenta não é ‘um profissional certificado’ e ressaltou a importância de procurar um consultor fiscal para tirar dúvidas mais ‘densas’ nestes casos.

Para Giuliano Gioia, advogado especialista em direito tributário e diretor de conteúdo da Sovos, os usuários devem prestar atenção às limitações da ferramenta, mesmo diante de inúmeras facilidades. “O ChatGPT é uma ferramenta de apoio bastante importante e que nos ajuda a fazer consultas de conceitos gerais, os quais não necessitam de atualização. No âmbito legal, podemos usar como exemplo os princípios do direito tributário, as regras constitucionais e as normas gerais de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), entre outros”, explica o especialista.

Porém, o executivo ressalta que para informações mais aprofundadas, o ChatGPT pode apresentar dados equivocados e atrapalhar na tomada de decisão se a consulta não envolver uma visão especialista. “Um exemplo disso foi perguntar ao ChatGPT se a água possui substituição tributária no estado de Santa Catarina. A ferramenta responde com base na legislação federal, ignorando a estadual. E, dessa forma, apresenta dados equivocados, de um convênio já revogado no estado. Sendo assim, é possível concluir que enquanto os pormenores são detalhados em uma determinada operação, as respostas emitidas pela ferramenta ainda são genéricas”, analisa o profissional.

Apesar da ferramenta ainda trazer algumas falhas, por outro lado, ela não está completamente dispensada. Isso é o que defende o diretor de tecnologia da Sovos, Fabiano Pereira. “É totalmente possível encontrar um norte a partir de pesquisas destes conceitos gerais no ChatGPT. Contudo, é importante entender que as legislações brasileiras, em níveis federal, estadual e municipal, não necessariamente se comunicam e, por esse motivo, é humanamente impossível entender e cruzar as informações em um curto espaço de tempo. Por isso, a utilização da tecnologia se torna importante na função de apoio”, esclarece.

Para Pereira, o objetivo de cada uma das etapas necessárias para essa validação contábil é maximizar a produtividade e minimizar o erro. “A partir dessa prática, é possível permitir lançar mão de recursos de automação baseados em Inteligência Artificial para chegar a resultados mais precisos, porém com a fundamental participação de um especialista nas avaliações finais. Desse modo, o caminho mais indicado é usar o potencial da ferramenta para processar grandes volumes de informação. Mas, para o indesejado prejuízo financeiro, o olhar humano ainda é essencial”, finalizou.

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