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Defesa e acusação travam queda de braço sobre julgamento de Georgeval

Uma guerra de narrativas, protagonizada pela acusação e defesa do acusado de estuprar e matar irmãos em Linhares, e a acusação, fez...

Folha Vitória

Folha Vitória|Do R7

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A expectativa em torno do julgamento de Georgeval Alves, acusado de ter estuprado e matado o próprio filho Joaquim Alves, de 3 anos, e o enteado Kauã Butkovsky, de 6, em 21 de abril de 2018, era grande, tanto por parte da família das vítimas quanto da opinião pública.

O júri de Georgeval foi marcado para esta segunda-feira (3), às 9h, no Fórum de Linhares. Ele chegou a comparecer ao local do julgamento; o Ministério Público Estadual (MPES) e o juiz que conduziria a sessão também se fizeram presentes. 

No entanto, uma guerra de narrativas, protagonizada pela defesa de Georgeval e a acusação, fez com que o júri fosse adiado, além de render embates públicos, com trocas de farpas entre os dois lados.

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A primeira movimentação foi feita pela defesa de Georgeval ainda na última sexta-feira (31), quando, sob o argumento de que não havia garantias de segurança à integridade da banca formada pelos quatro advogados que defenderia o acusado no júri, o advogado Pedro Souza Ramos recorreu à Justiça, pedindo para que o julgamento não acontecesse em Linhares, uma vez que, segundo ele, por conta da repercussão do caso, seria um risco manter o júri na cidade em que o crime aconteceu.

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Poucas horas depois, o pedido do jurista foi negado pelo juiz Tiago Fávaro Camata, responsável pelo processo. O magistrado foi enfático em sua decisão, afirmando que a defesa não apresentou, na ocasião, "nenhum indicativo mínimo de risco à segurança dos advogados, do acusado e acerca da imparcialidade dos jurados, limitando-se a meras especulações".

Já nesta segunda, foi iniciado um novo round na queda de braço entre a defesa de Georgeval, a Justiça e o MPES, responsável pela acusação.

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O júri estava marcado para começar pontualmente às 9h, mas a não chegada da defesa de Georgeval dentro do horário programado fez com que o início do julgamento atrasasse. Esse era o primeiro sinal da tensão que estava por vir nas próximas horas, especialmente pela incerteza da ida dos advogados do acusado ao julgamento.

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O juiz resolveu, então, esperar por mais 15 minutos até que o julgamento fosse iniciado.

Poucos minutos depois, a defesa de Georgeval chegou ao Fórum, acompanhada por seguranças e com um deles fazendo uso de coletes à prova de balas, mandando uma mensagem implícita à Justiça, além de reforçar a versão de insegurança defendida pelos advogados do acusado.

A banca de advogados também chegou ao Fórum usando gravatas na cor verde e com o mesmo padrão. A ideia, segundo eles, seria passar a mensagem de esperança em um resultado positivo para Georgeval no julgamento.

Após protelar o início do julgamento por mais de uma hora, a defesa de Georgeval adentrou o Salão do Júri, dessa vez, com uma nova manobra à vista. Na ocasião, Pedro Ramos declarou estar deixando a defesa do acusado.

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O argumento foi o mesmo usado no pedido de transferência do júri de cidade: suposta falta de segurança, além das ameaças que ele e os outros advogados que defendem Georgeval estariam sofrendo.

Em nova cartada, o jurista também chegou a afirmar que no corpo de jurados havia pessoas com amizades pessoais com testemunhas e que, por isso, não haveria imparcialidade para avaliar o caso. "Vamos abandonar o plenário", declarou.

Acusação rebate e diz que defesa de Georgeval estava agindo com má-fé

O assistente de acusação Siderson Vitoriano, advogado da família de Kauã, rechaçou as manobras feitas pela defesa de Georgeval, e alegou haver má-fé na atuação dos juristas no caso.

"Os argumentos engendrados pela defesa se constituem, ao meu sentir, em obstrução do trabalho da Justiça e má-fé processual. Não é crível que o conselho de sentença esteja contaminado antes mesmo de sorteados os nomes dos sete jurados para compô-lo", disse.

Acusação rebate fala de advogado que disse que poderia tomar tiro na cabeça

Em outro momento, Vitoriano desconstruiu a tese, levantada pela defesa de Georgeval, de que um dos advogados responsáveis por defender o acusado no júri poderia levar um tiro na cabeça, tendo em vista a suposta falta de segurança no local do julgamento.

"Para ingresso no Plenário do Tribunal do Júri todos passaram pelo detector de metais que está a postos na entrada do fórum, de modo que a argumentação de que o advogado de defesa temia tomar um tiro na cabeça só se sustentaria se este tiro partisse das únicas armas a bordo do egrégio Tribunal do Júri, estas presentes com a briosa Polícia Militar", frisou.

MPES relembra que defesa agiu para adiar o julgamento em outra oportunidade

No duelo de narrativas, o promotor de Justiça Claudeval França Quintiliano, responsável por atuar na acusação de Georgeval no júri, questionou as manobras feitas pela defesa do acusado e relembrou outros tentativas de adiamento promovidas pelo advogado do réu.

"(...) No dia 7 de fevereiro de 2023, o advogado que agora alega que não possui tranquilidade para exercer sua atividade laborativa já peticionou nos autos, e nos causou espécie, já mencionando que não poderia participar do julgamento naquela data, sob alegação de que tinha um procedimento cirúrgico agendado. Diante disso, esse juízo, e aqui registro o meu sincero reconhecimento a toga que vossa excelência veste, designou o júri para esta data", pontuou.

Julgamento é adiado e advogados são multados em R$ 260 mil

Em meio a uma série idas e vindas, e após a defesa de Georgeval abandonar o Tribunal do Júri, a Justiça decidiu adiar o julgamento do réu. A decisão do juiz veio após a suspensão do julgamento, que aconteceu por volta das 10h45.

Marcada para o dia 18 deste mês, a continuidade do júri deverá se dar com advogado dativo, já nomeado, na pessoa de Deo Moraes, ou com novo advogado contratado pelo réu em até cinco dias.

Em razão do abandono, o magistrado, Tiago Fávaro Camata, estabeleceu a multa de 50 salários mínimos por advogado, com prazo de cinco dias para que seja paga. O valor totaliza R$ 260 mil.

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