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Jovem pescador fez último pedido antes de morrer em naufrágio

Dimitri Xavier Cardozo, de 31 anos, morreu após ter ficado à deriva em alto-mar, quando pescava com mais três pessoas, que sobreviveram

Folha Vitória|

Um ato de amor marcou os últimos momentos de vida de Dimitri Xavier Cardozo, de 31 anos, que morreu após um naufrágio em alto-mar, ocorrido na última semana. Antes da tragédia, um último desejo: "Leve meu corpo à minha mãe para que ela possa me ver". A informação foi confirmada por Ozana Cardozo, tia do rapaz. 

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Dimitri era um dos quatro tripulantes do barco que naufragou. Ao lado dele, estavam um primo, um amigo e o pai, que ouviu o desejo do filho de ser entregue novamente aos braços da mãe. 

A embarcação saiu de Alcobaça, na Bahia, e ficou à deriva por cerca de nove dias, quando foi resgatada no balneário de Guriri, em São Mateus, no norte do Espírito Santo. Segundo as informações do pai do jovem, Dimitri teria morrido cerca de quatro dias antes do resgate, devido à fome e à sede intensas. 

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Ozana relatou que os homens já tinham o hábito de fazer as viagens para trabalhar. Saíam do porto de Itaipava e se dirigiam para onde o serviço seria feito. O destino, dessa vez, era a cidade baiana, que já havia sido visitada pelos pescadores outras duas vezes. 

Ela conta ainda que o sobrinho Odvan, que também estava entre os tripulantes, relatou que o leme do barco estava muito duro e difícil de guiar, momento em que a embarcação foi atingida por fortes ondas e virou. 

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"No dia 15 saíram para o mar, mandaram mensagem para gente avisando, e no mesmo dia aconteceu o naufrágio. Ficaram nove dias à deriva, sem comida e sem água. Depois do quarto dia, o Dimitri não aguentou mais", contou a tia do rapaz. 

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Do sobrinho, Ozana guarda recordações de um rapaz sociável e que semeava amizades por onde passava, 

"Era um menino sempre alegre, gostava muito de fazer vídeos da minha mãe, que criou ele. Brincalhão, conhecia todo mundo e era bem-vindo em todos os lugares. Nós éramos presidentes de uma comitiva aqui de Itapemirim. A Galera do Chapéu. Organizamos cavalgadas, então somos muito conhecidos", contou.

Noiva não apoiava ideia da viagem

Quem também se lembra de Dimitri com saudade e amor é a noiva, Layse Santanna, que estava ao lado do jovem havia quatro anos. Ela revela, inclusive, que não apoiava a ideia da viagem. "Eu nem queria que ele fosse, para falar a verdade", revelou, emocionada.

Ainda segundo Layse, o pedido de Dimitri não a surpreendeu, já que era muito próximo da família. "Ele amava muito a mãe e o pai. Durante os últimos dias que ele esteve aqui, ficamos na casa da mãe dele. Amava demais a família."

"A família está muito abalada, foi um grande impacto para todo mundo. Meu sogro está muito abatido, nem toca no assunto. Estamos todos sofrendo muito", contou.

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Apesar da dor, Layse aproveitou ainda para compartilhar lembranças do companheiro, com quem dividia a casa e as paixões. 

"Éramos apaixonados por cavalgadas, ele era apaixonado pelo Vasco, tínhamos dois cachorrinhos que ele considerava como filhos. Mas a maior paixão eram mesmo a família e os amigos, tanto que o cortejo ficou lotado de carros, motos e até cavalos. Era querido por todos."

Os outros três tripulantes da embarcação continuam internados no Hospital da Vila, em Itapemirim. O jovem foi sepultado na última segunda-feira (27), na mesma cidade. 

Reportagem: Guilherme Lage

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