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O que é paralisia facial congênita e qual o tratamento?

Especialista comenta como é realizado o procedimento cirúrgico em crianças de até 4 anos

Folha Vitória|

Foto: Divulgação/DINO

A paralisia facial congênita, como o próprio nome diz, é uma paralisia que ocorre na face, em sua maioria unilateral, ou seja, em apenas um lado do rosto. A condição é de nascença, e a criança nasce sem movimentos em um dos lados da face, o que acaba prejudicando especialmente o sorriso, o que chama muito a atenção. Há casos em que a pálpebra também pode ser comprometida, não sendo possível fechar o olho do lado paralisado.

De acordo com o artigo “Facial reanimation utilizing combined orthodromic temporalis muscle flap and end-to-side cross-face nerve grafts” (2014), a condição pode ocorrer devido a traumatismo no momento do parto ou má formação intrauterina, ou seja, durante a formação do feto.

Segundo o artigo, a paralisia facial tem várias causas, podendo ser classificada em congênita, idiopática, traumática, decorrente de sequelas de cirurgia oncológica ou otite média, que é infecção de ouvido. A mais frequente é a paralisia idiopática, que também é conhecida como de Bell. Ocorre devido ao edema do nervo facial no interior do canal ósseo no osso petroso maior e, geralmente, sua causa está associada ao vírus do tipo Herpes.

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O professor titular da Faculdade de Medicina de Botucatu, Dr. Fausto Viterbo, relata que há casos, onde a paralisia é bilateral, ou seja, quando atinge os dois lados da face. Uma das mais graves situações em paralisia facial congênita é a Síndrome de Möebius, onde, além da face, o movimento dos olhos, a posição dos pés, entre outros órgãos, podem estar afetados.

A importância do tratamento precoce e a cirurgia

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O tratamento para a paralisia facial congênita é realizado precocemente, com eletroestimulação, utilizando aparelhos portáteis de baixíssima intensidade, realizados durante 15 minutos, 5 vezes ao dia, pelos familiares e orientados por um fisioterapeuta. “O bebê nasce sem os nervos ou com problema nos nervos, mas os músculos estão normais. Se não for feita a eletroestimulação, haverá atrofia destes músculos”, comenta o Dr. Viterbo.

Ele explica o que ocorre quando não se faz eletroestimulação precoce: “A atrofia muscular impede uma opção de tratamento que é o melhor existente no momento, a neurotização do músculo zigomático maior”. O especialista é o criador dessa técnica, a neurotização, que permite o restabelecimento da função do principal músculo do sorriso.

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As técnicas mais utilizadas atualmente para reanimação da face paralisada são o “Cross-face nerve graft”, a transposição de músculo temporal, a neurorrafia entre o nervo hipoglosso e nervo facial lesado e o transplante microcirúrgico de músculo grácil. O Dr. Viterbo ressalta a importância de verificar as condições dos músculos afetados quanto à possibilidade de reservá-los.

Para o Dr. Viterbo, uma das melhores técnicas consiste na colocação de dois enxertos de nervo sural dentro do músculo zigomático maior, enquanto a outra extremidade destes enxertos é conectada à lateral do nervo bucal do lado normal. Assim, quando o estímulo de soltar o sorriso é levado para o cérebro até o nervo facial do lado normal, esse estímulo passa pelo enxerto de nervo cruzando a face e vai determinado o movimento do músculo zigomático maior, simultaneamente, no lado paralisado. Nos casos onde a paralisia facial congênita é bilateral, os enxertos de nervo que vão neurotizar os músculos zigomáticos que são ligados na lateral dos nervos mas etéricos, com neurorrafia término-lateral também.

Após os dois ou três anos de idade, o paciente já pode ser submetido à cirurgia de neurotização do músculo zigomático maior. “No pós-operatório é importante continuar com a eletroestimulação e contar com a participação do fonoaudiólogo, a fim de trazer o melhor resultado em termos de sorriso”, finaliza o especialista. 

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