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Mãe de menino autista que acusou funcionária de discriminação rebate: 'Ela não me explicou nada'

Karla Gurgel afirmou ao R7 que, no momento do ocorrido, questionou a operadora Jairta Lima sobre o termo 'bomba', usado em relação à cliente, que estava com filho autista

Cidades|Melissa Venturini*, do R7

Karla, mãe de menino autista, e Jairta, que trabalhava na Riachuelo
Karla, mãe de menino autista, e Jairta, que trabalhava na Riachuelo Karla, mãe de menino autista, e Jairta, que trabalhava na Riachuelo

A mãe do menino com TEA (transtorno do espectro autista) que acusou uma funcionária da loja Riachuelo de discriminação rebateu o vídeo feito pela caixa que a atendeu. Karla Gurgel afirmou ao R7 que Jairta Lima não lhe explicou, durante o ocorrido, o significado da frase em que a atendente usa a palavra "bomba" para se referir à cliente (veja o vídeo da confusão no fim da reportagem).

Na gravação postada em suas redes sociais, a ex-funcionária explicou que o termo "bomba" é usado entre os funcionários da Riachuelo para se referir ao uso de "cartão terceiro", ou seja, o cliente que não usa o cartão da loja para pagar as compras.

Em entrevista ao R7, a mãe do garoto, que é psicóloga, contou que foi pagar suas compras no caixa preferencial, mas que a atendente estava ocupada e a transferiu para Jairta, que não parecia querer atendê-la. "No trajeto, eu já percebi que a operadora de caixa, à qual estava me dirigindo, não gostou [de ter que me atender]", disse ela.

"E assim ela continuou o atendimento, passou minhas compras, me ofereceu os cartões da loja e eu disse que não queria e que ia ser no débito", continuou. "E, ao finalizar, ela deu um passo atrás, olhou para o caixa preferencial e gritou: 'Olha não me passa mais essas bombas'".

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Karla contou que, antes de ir falar com a gerente, perguntou a Jairta o significado da frase. "Dei a chance de ela explicar naquele momento, se ela tivesse me explicado nada disso teria acontecido", afirmou.

"Ela não me explicou nada disso. Quando eu perguntei se ela estava se referindo ao meu filho, ela disse que não e afirmou que havia feito uma cobrança para uma colega que estava devendo alguma coisa a ela", explicou Karla.

Para a psicóloga, a justificativa não fazia sentido, pois "essa frase não corresponde a uma cobrança" e não teria lógica naquela situação. Foi aí que Karla decidiu falar com a gerente, que afirmou não poder fazer nada a respeito do ocorrido.

"Foi aí que pedi para o meu esposo fazer a gravação. Eu não postei [o vídeo] imediatamente, procurei fazer aquela gravação para buscar os meus direitos em relação à empresa", afirmou.

Karla disse que Jairta só decidiu explicar o sentido da frase depois de toda a repercussão, quando divulgou um vídeo. "Fiz aquilo, sim, faria novamente, sim, porque é o que qualquer pessoa que estivesse em no meu lugar faria para defender o seu filho", finalizou.

Explicação da frase

Atendente nega ter chamado criança de 'bomba'
Atendente nega ter chamado criança de 'bomba' Atendente nega ter chamado criança de 'bomba'

Jairta Lima se manifestou nas redes sociais no dia seguinte ao ocorrido e negou ter praticado discriminação. Ela explicou que a colega de trabalho Tatiana passou a cliente preferencial para o seu caixa, e ela deu continuidade ao atendimento.

"Eu atendi a mãe e a criança superbem. Em nenhum momento eu destratei ela. Quando ela saiu do meu caixa, eu virei para a Tati e falei: 'Tati, não traga mais essas bombas'", relatou.

Ela então afirmou que o termo "bomba" é usado entre os funcionários da Riachuelo para se referir ao uso de "cartão terceiro" e explicou que o desempenho para alcançar a meta, conhecido na loja como "PA", cai se as vendas são feitas sem o uso do cartão do estabelecimento.

"Todas as Riachuelos trabalham com meta. Se a gente passa um cartão Riachuelo, a gente fica dentro da meta. Se você passa um cartão terceiro, que não seja da loja, a sua 'PA' cai. Eu não sabia que a criança era autista, pois o cartão não foi apresentado a mim", acrescentou.

Ela ressaltou que não havia se referido à cliente nem ao filho dela. "Não disse que ela era uma bomba ou que a criança dela era uma bomba, até porque eu não sabia que a criança dela tinha problema de autismo, porque ela não apresentou para mim o cartão, ela apresentou à Tatiana", reforçou.

Jairta ainda afirmou que foi muito prejudicada após toda a situação. "Eu fui prejudicada, fui demitida injustamente. Tenho duas filhas, estou passando dificuldade, meu esposo desempregado, e eu estou sendo acusada injustamente", concluiu.

Ataque nas redes sociais

Após postagens feitas por Jairta, Karla começou a ser atacada em suas redes sociais. "Recebi muito 'hate' depois que ela me marcou no perfil dela em uma foto de fundo dela fazendo uma atividade na faculdade e dizendo que por minha causa ela não iria realizar o sonho de se formar em enfermagem."

"Ela ainda disse que não ia ter condições de criar as filhas, porque ela perdeu o emprego por um erro meu", continuou. "Então muita gente que não conhecia meu perfil começou a me atacar e me mandar mensagem com coisas absurdas."

Em nota, a Riachuelo lamentou o ocorrido e pediu desculpa à mãe. "O comportamento da ex-colaboradora no atendimento não condiz com os valores defendidos e praticados por nós da Riachuelo. A empresa hoje conta com ciclos obrigatórios e periódicos de treinamento ao atendimento ao cliente", disse a empresa, em nota. A Riachuelo informou ainda que, após o recente episódio, uma nova rodada de treinamentos será realizada. "Reforçamos nosso compromisso constante com o cuidado para que todos se sintam bem-vindos e acolhidos em nossos espaços."

*Sob a supervisão de Márcio Pinho

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