Portal Correio Cigarros eletrônicos não ajudam a diminuir vício

Cigarros eletrônicos não ajudam a diminuir vício

No Brasil, o percentual total de fumantes com 18 anos ou mais é de 9,1%, sendo 11,8% entre homens e 6,7% entre mulheres. Os dados são...

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No Brasil, o percentual total de fumantes com 18 anos ou mais é de 9,1%, sendo 11,8% entre homens e 6,7% entre mulheres. Os dados são da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), pesquisa realizada em todo o país. Para essas pessoas, a saída sempre é delicada e requer apoio. Mas o uso de cigarros eletrônicos ou vaporizadores (vapes), defendido por muita gente, não é uma solução.

De acordo com o médico pneumologista Rodolfo Bacelar, professor do curso de Medicina do Unipê, a criação de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) foi inclusive fundamentada sob a ótica do auxílio na diminuição do vício por cigarro. Mas, para fins terapêuticos, os vapes se mostraram inferiores a outras abordagens na cessação do ato de fumar – há outras maneiras mais eficazes para parar esse consumo, do tratamento medicamentoso com psiquiatra ao acompanhamento psicológico.

“As formas de consumo dos dispositivos eletrônicos mantêm o uso de nicotina, o que pode sustentar a dependência, associada com a inalação de substâncias nocivas. Existe aí uma ideia de ‘redução de danos’, o que não é ausência dos mesmos. Também, por mais que falemos sobre isso, a indústria do cigarro eletrônico não se sustenta por esse viés – é uma indústria baseada na aquisição de novos consumidores”, argumenta Rodolfo.

Impactos dos vaporizadores

O especialista diz que alguns impactos noviços provocados pelo uso de vapes, em geral, ainda não são largamente conhecidos pela sociedade. Um deles está justamente na composição dos líquidos inalados. Embora a concentração das substâncias nocivas possa ser inferior que a do cigarro tradicional, as formas, a frequência e a quantidade consumida tornam os dois similares.

“Além disso, ser ‘mais socialmente aceito’ e ter a presença de essências, com seus cheiros, sabores e cores, fazem com que as pessoas consumam ainda mais os vapes”, completa Rodolfo. Esses fatores se relacionam diretamente com o público mais jovem.

“Pela ‘inovação’, tecnologia, cores e sabores, o cigarro eletrônico hoje é a porta de entrada no vício da nicotina. Dados do governo norte-americano mostram que até um terço dos jovens que iniciam no cigarro eletrônico vão começar a usar o cigarro tradicional em até 6 meses. Outros estudos mostram que a taxa de início no cigarro tradicional aumenta em mais de 4 vezes em quem começa nos vapes”, informa.

No Brasil, mesmo com a importação e a comercialização de cigarros eletrônicos proibidos, Rodolfo comenta já haver uso indiscriminado e mais frequente. Segundo ele, isso se dá porque a atual geração tem sido convencida pela indústria de que o consumo de nicotina por DEFs seria mais saudável, tal como ocorreu com o cigarro tradicional durante décadas no século XX.

“O marketing dos vapes se utiliza de uma geração que não foi exposta aos males do tabagismo como outras para adquirir novos consumidores. Usa estudos pagos para trazer uma falsa segurança baseado em pseudociência. Ainda, em redes sociais, dissemina fake news defendendo o consumo. Portanto, são as mesmas armas e estratégias. E isso não acontece por acaso: as grandes empresas do cigarro tradicional são as donas das marcas de cigarro eletrônico também”, pontua Rodolfo.

Quer cessar o vício?

Para quem quer parar de fumar, o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) desenvolve ações específicas para aumentar o acesso aos métodos eficazes para cessação, atendendo à demanda de fumantes que buscam algum tipo de apoio para esse fim. O PNCT articula a rede de tratamento do tabagismo no SUS.

Em João Pessoa, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) oferta assistência para esse público. Por demanda espontânea, o tratamento é feito com o acompanhamento de uma equipe multiprofissional e varia de acordo com a necessidade de cada paciente.

A Policlínica Municipal de Jaguaribe é referência nesse tipo de tratamento, mas a assistência está disponível em todas as policlínicas municipais, além dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) AD Capistrano e Jovem Cidadão e em algumas unidades de saúde da família (USF) – Cidade Verde, Funcionários, Jardim Planalto, Qualidade de Vida, Grotão, Verdes Mares, José Américo, Alto do Céu Integrada, Roger, Santa Clara e Bessa II.

Texto com informações do site da Prefeitura Municipal de João Pessoa.

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