Cidades "Quero saber se, ao mostrar esta calcinha, os senhores vão me julgar", diz vereadora na Câmara de Aracaju

"Quero saber se, ao mostrar esta calcinha, os senhores vão me julgar", diz vereadora na Câmara de Aracaju

Lucimara Passos exibiu peça íntima para criticar colega que incitou violência contra mulher

  • Cidades | Ana Cláudia Barros, do R7

Lucimara discursou sobre a violência contra a população feminina

Lucimara discursou sobre a violência contra a população feminina

Acrisio Siqueira/CMA

A vereadora Lucimara Passos (PC do B) exibiu uma calcinha na Câmara Municipal de Aracaju (SE) para protestar contra a declaração do também vereador Agamenon Sobral (PP), que, em discurso na Casa Legislativa, criticou e sugeriu punição a uma suposta noiva que decidiu se casar sem a peça íntima. Durante sessão nesta terça-feira (25), Dia Internacional de Combate à Violência Contra Mulher, Lucimara apresentou dados da Organização das Nações Unidas referentes ao tema.

Ao tirar a calcinha do bolso e mostrá-la aos colegas, ela declarou: “Hoje eu afronto e quero saber se, ao mostrar esta calcinha, os senhores vão me julgar e me condenar a ser surrada”.

Em entrevista ao R7, a parlamentar contou que expor a peça íntima foi “um ato simbólico”. Disse ainda que a história da noiva, publicada em um jornal de bairro da cidade, na verdade, nunca existiu.

— A questão da calcinha foi um ato simbólico para representar a liberdade de a mulher vestir o que quiser vestir, ter o tipo de comportamento que desejar ter, sem que com isso seja imposto a ela nenhuma penalidade e, muito menos, uma surra, conforme o vereador sugeriu. Então, é um ato simbólico do não a violência, do não ao comportamento que gera a violência e da afirmação de que a mulher é livre para decidir o que faz da sua vida e do seu corpo.

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Na semana passada, ao discursar na tribuna da Câmara dos vereadores, Agamenon Sobral leu a “notícia” sobre a noiva e afirmou que ela teria que ser agredida para aprender a se comportar, segundo Lucimara. Na avaliação dela, houve quebra de decoro parlamentar e incitação da violência contra a mulher, o que considera uma atitude criminosa, passível de punição.

— Ele falou que era uma vagabunda e que tinha que dar uma surra com chicotinho de couro cru, jogar sal em cima, porque vagabunda tem que aprender a se comportar dentro de uma igreja.

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