Rio de Janeiro 'Risco concreto de incêndio': Governo do RJ pode vetar Carnaval na Marquês de Sapucaí

'Risco concreto de incêndio': Governo do RJ pode vetar Carnaval na Marquês de Sapucaí

Relatório do gabinete do governador Cláudio Castro aponta para falta de estrutura e degradação do sambódromo

  • Rio de Janeiro | Emerson Fonseca Fraga, do R7, em Brasília

Sambódromo corre risco de não receber Carnaval

Sambódromo corre risco de não receber Carnaval

Tomaz Silva/Agência Brasil — Arquivo

Por "risco concreto de incêndio", a Marquês de Sapucaí, sambódromo do Rio de Janeiro, pode ser vetada de receber o desfile das escolas de samba no Carnaval deste ano. A conclusão é de um relatório do gabinete do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), assinado nesta semana, ao qual o R7 teve acesso.

O texto diz que, por determinação de Castro, "todas as secretarias de Estado e autarquias com poder constitucional de fiscalização sobre as atividades descritas, devem agir para prevenir e proteger os cidadão e turistas que visitam e fazem parte do Carnaval do Rio de Janeiro". O documento é assinado por Victor Travancas, subsecretário do Gabinete do Governador. 

A abertura do relatório traz uma foto dos caixões de vítimas da Boate Kiss, em Santa Maria (RS), para alertar as autoridades envolvidas dos riscos identificados no local. Entre os achados pela fiscalização do governo estadual, estão a ausência de extintores de incêndio, a falta de luzes de emergência, o fechamento de saídas e a presença de pessoas armadas sem qualquer controle.

Fios expostos e má conservação podem gerar veto à Sapucaí

Fios expostos e má conservação podem gerar veto à Sapucaí

Governo do RJ/Material cedido ao R7 — 29.1.2023

"Havia longas linhas sem qualquer tipo de iluminação. Nestes espaços, não havia segurança pública ou privada. Foi possível perceber grupos, aproveitando a escuridão, para utilização de drogas ilícitas", diz o relatório. 

Os fiscais ainda flagraram fios de alta tensão expostos no local, inclusive dentro d'água. "Chamou a atenção da nossa equipe, tanto no setor par, como no setor ímpar, a quantidade de ambientes com fiação de alta tensão completamente exposta. Na maioria da extensão da Marques de Sapucaí, a fiação e transformadores estavam dentro da água — com risco gravíssimo de uma tragédia."

Sem saídas de emergência

Segundo a fiscalização, nos 700 metros da Marquês de Sapucaí, "só foram encontradas 3 pequenas [saídas de emergência]". Ainda assim, "duas delas indicavam portões completamente trancados. E uma das placas indica a principal saída de emergência do lado ímpar, onde existiam fiações expostas e uma série de obstáculos intransponíveis para que as pessoas pudessem a utilizar".

"Todas as portas de saídas de emergência dos camarotes, frias e cadeiras, ou seja, aquelas pequenas portas para acesso do público à pista em caso de emergência, estavam completamente lacradas", completa o documento.

'Pessoas armadas'

"Apesar de existir nos acessos principais um processo de revista pessoal do público, inclusive com detectores de metais, há diversos portões sem controle nenhum de acesso", relatam os servidores do governo estadual, que estiveram presentes nos ensaios técnicos do Carnaval, realizados em 21, 27 e 28 de janeiro deste ano.

"Com isso, nossa equipe de segurança percebeu — especialmente nos camarotes em funcionamento — uma grande quantidade de pessoas armadas no interior da Sapucaí", destacam os técnicos.

'Tragédia anunciada'

"Ignorar o risco de expressiva consecução de danos em caso de sinistro em razão da ausência de plano de prevenção e controle de incêndios não é trabalhar com acidentes ou remotas probabilidades, mas sim com verdadeira hipótese de tragédia anunciada e passível de ser evitada", diz o documento.

Responsabilidade

A administração da Marquês de Sapucaí é responsabilidade da Prefeitura do Rio de Janeiro. Em 2023, a Assembleia Legislativa do Estado chegou a aprovar uma proposta transferindo a titularidade do local para o governo estadual. 

O projeto de lei 57/2023, contudo, foi integralmente vetado pelo governador Claudio Castro, que alegou inconstitucionalidade. O veto é de 5 de janeiro deste ano.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura do Rio de Janeiro ainda não se manifestou.

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