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Dólar fecha a R$ 5,27, e Ibovespa recua 1,77%, com relatos de que BC pode ceder a pressões

Na quinta (9) de manhã, agência de notícias disse que equipe econômica estuda antecipar revisão das metas de inflação do país 

Economia|

Nesta quinta-feira (9), o dólar fechou o dia em alta, a R$ 5,27, e o Ibovespa teve queda
Nesta quinta-feira (9), o dólar fechou o dia em alta, a R$ 5,27, e o Ibovespa teve queda Nesta quinta-feira (9), o dólar fechou o dia em alta, a R$ 5,27, e o Ibovespa teve queda

O dólar avançou frente ao real nesta quinta-feira (9), e fechou o dia em alta de 1,48%, a R$ 5,2736 na venda. Esse é o maior patamar para encerramento desde 5 de janeiro (R$ 5,3527), acima das médias móveis lineares de 50, 100 e 200 dias.

Já o Ibovespa teve queda de 1,77%, a 108.008,05 pontos, depois de ter subido quase 2% na véspera. Na mínima, o índice cedeu a 107.766,59 pontos e, na máxima, foi a 110.045,92 pontos. O volume financeiro somou R$ 23,8 bilhões.

O desempenho abaixo das expectativas se deve a um movimento de busca de proteção por parte dos investidores, com receio de que o BC (Banco Central) concorde com uma revisão antecipada das metas de inflação do Brasil. Ela estaria sendo avaliada pela equipe econômica do governo como uma tentativa de acalmar as tensões entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o banco.

Nos últimos dias, Lula e aliados têm criticado a condução da política monetária e a autonomia do BC. 

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As informações sobre os planos da equipe econômica foram noticiadas no final da manhã pela agência Bloomberg, o que levou os ativos brasileiros a uma piora expressiva.

Antes disso, um colunista do site Metrópoles relatou que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, havia conversado com integrantes do governo, ocasião em que afirmou que vai defender uma alteração na meta de inflação de 2023, dos atuais 3,25% para 3,5%.

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De acordo com participantes do mercado, caso os boatos se confirmem e os objetivos de inflação do país sejam elevados com a conivência de Campos Neto, isso seria interpretado como o Banco Central cedendo a pressões políticas, o que abalaria a credibilidade da independência da autarquia e afastaria investidores estrangeiros do mercado local.

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"A notícia de que o próprio Campos Neto poderia aceitar mudar essa meta (de inflação) poderia mostrar uma fraqueza da autonomia do BC em meio a essa pressão política, e isso naturalmente aumenta o risco do país e a falta de confiança do investimento estrangeiro", disse Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital.

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"Se a gente começar a ver o BC cedendo às vontades do governo, isso vai ser muito prejudicial para o real."

Para Bruno Komura, analista da gestora de recursos Ouro Preto, essa sinalização "mostra que talvez o BC seja mais político e vá ceder em alguns pontos. E isso é muito perigoso nesse mandato de controlar a inflação", disse, em referência à incumbência da autarquia.

O renovado temor de uma possível mudança na meta de inflação vem após semanas de atritos envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o BC. Lula e aliados fizeram críticas contra a própria meta, bem como à independência do BC e ao nível atual da taxa Selic, o que gerou reações negativas nos ativos locais.

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse nesta quarta-feira desconhecer discussão sobre mudança de meta de inflação, mas a declaração não teve qualquer efeito sobre a valorização do dólar frente ao real.

Agravando ainda mais as preocupações de investidores, o líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), fez coro nesta quinta-feira às críticas recentes de Lula ao atual patamar da taxa de juros, de 13,75% ao ano, e disse considerar uma "boa ideia" chamar o Campos Neto para debater o tema no Congresso.

"Acredito que o principal fator de atenção do mercado segue sem dúvida sendo a artilharia de Lula contra o BC, fogo amigo esse que já está sendo propagado pelo próprio Congresso também", disse à Reuters Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital. "Novamente, estamos deixando de 'surfar' em uma onda positiva no exterior, de inclinação a risco, por conta de fatores locais."

A cena local também foi de importantes dados econômicos, com inflação de janeiro vindo pouco abaixo do esperado, contrapondo vendas no varejo em dezembro bem pior do que as estimativas do mercado.

No exterior, o índice que compara o dólar a uma cesta de seis pares fortes caía 0,23% nesta tarde, em meio à percepção de que as autoridades do Federal Reserve não endureceram muito seus discursos sobre a política monetária na esteira de fortes dados de emprego norte-americanos da semana passada.

Para as ações, o cenário externo estava positivo no início do dia, mas virou e gerou pressão adicional. Itaú Unibanco foi destaque negativo no Ibovespa, e WEG ficou na ponta oposta.

Lojas Marisa ON, que não está no Ibovespa, despencou 22,64%, a R$ 0,82, mínima histórica de fechamento, estendendo queda da véspera após contratar assessoria para renegociar sua dívida. Além disso, o presidente da companhia renunciou nesta semana.

Os principais índices acionários em Nova York geraram peso extra à tarde ao passarem a queda, diante de elevação dos rendimentos dos títulos do governo norte-americano. O S&P 500 caiu 0,88%.

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