Economia Dólar recua 1,4% e fecha a terça-feira cotado a R$ 5,29

Dólar recua 1,4% e fecha a terça-feira cotado a R$ 5,29

Queda da moeda norte-americana é motivada por esperanças de que a PEC da Transição seja enxugada no Congresso

Reuters
Dólar caiu 2,2% nos últimos dois pregões

Dólar caiu 2,2% nos últimos dois pregões

Rick Wilking/Reuters

O dólar teve forte queda pela segunda sessão consecutiva nesta terça-feira (29), no que agentes do mercado atribuíram a um ajuste à recente fraqueza internacional da moeda norte-americana e a esperanças de que a PEC da Transição seja enxugada durante tramitação no Congresso.

A moeda norte-americana à vista fechou em queda de 1,42%, a R$ 5,2883, o menor patamar para encerramento desde o último dia 9 (R$ 5,1845). No acumulado dos últimos dois pregões, o dólar perdeu 2,21%.

O índice do dólar contra uma cesta de pares fortes perde mais de 4% no acumulado de novembro, enquanto, no mesmo período, a moeda norte-americana salta 2,38% frente ao real. "A gente entrou num mês de um dólar um pouco mais enfraquecido, acho que isso ajuda muito a ancorar o dólar de alguma forma", disse Marco Caruso, economista-chefe do Banco Original.

O dólar tem sido pressionado no exterior por esperanças de que o Federal Reserve moderará o ritmo de suas altas de juros e, mais recentemente, pela possibilidade de redução de restrições da Covid-19 na China.

O principal fator que tem impedido o real de se beneficiar da fraqueza internacional do dólar em novembro é o risco fiscal doméstico, em meio a planos do governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva de viabilizar amplos gastos extrateto a partir do ano que vem por meio da PEC da Transição.

"O dólar é muito pautado pelas percepções de risco fiscal. Em momentos em que a leitura do mercado é de que as contas no ano que vem podem ser muito mais deficitárias, você tem naturalmente uma pressão negativa sobre os ativos domésticos, incluindo o dólar", disse Caruso.

"Acho que um pouco desse alívio que a gente está vendo nos últimos dois dias é em cima da ideia de que ela (PEC) pode ser desidratada no Congresso, ser menor no seu impacto fiscal final."

Já Leandro De Checchi, analista da Clear Corretora, disse que "o mercado está em busca de alguma previsibilidade para tomar risco e qualquer sinal positivo no sentido do equilíbrio fiscal deve repercutir em prol dos ativos de risco", citando expectativas de moderação do texto da PEC.

A PEC da Transição, da forma pela qual foi protocolada no Senado na segunda-feira (28), abre uma exceção à regra do teto de gastos de R$ 175 bilhões por quatro anos para custear o Bolsa Família.

Ela prevê ainda que 6,5% do excesso de arrecadação do governo possa ser aplicado em investimentos públicos sem contabilização na norma fiscal a partir do ano que vem. Em 2023, esse montante seria de R$ 23 bilhões, levando o gasto extrateto para quase R$  200 bilhões.

Enquanto isso, investidores continuavam à espera de definições sobre qual será a equipe econômica definitiva de Lula, em meio a especulações de que o ex-prefeito Fernando Haddad será seu indicado para comandar o Ministério da Fazenda. Aos olhos de investidores, Haddad não tem um perfil muito técnico e será inclinado a flexibilizações das regras fiscais.

"O mercado vai ter que tentar inferir, a depender do nome, o que pode ser a cabeça e a postura fiscal desse novo ministro para os próximos quatro anos, para a gente tentar reduzir incertezas e fazer conta em cima de coisas um pouco mais concretas", disse Caruso, do Original.

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