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Dólar salta a R$ 5,32 com riscos fiscais da PEC dos Benefícios

A moeda americana avançou 1,73%, com a cotação mais alta para um encerramento desde 4 de fevereiro

Economia|Do R7

A moeda americana à vista avançou 1,73%, a R$ 5,3215 na venda
A moeda americana à vista avançou 1,73%, a R$ 5,3215 na venda A moeda americana à vista avançou 1,73%, a R$ 5,3215 na venda

O dólar disparou para o maior nível em quase cinco meses ante o real nesta sexta-feira (1º), acompanhando a soberania da moeda americana nos mercados globais diante de temores econômicos, mas também refletindo incertezas fiscais domésticas após o avanço da "PEC das Bondades" no Congresso.

A moeda americana à vista avançou 1,73%, a R$ 5,3215 na venda, a cotação mais alta para um encerramento desde 4 de fevereiro (R$ 5,3249).

Na B3, às 17h23 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 1,29%, a R$ 5,3645.

O rali do dólar foi generalizado, com seu índice ante uma cesta de pares fortes subindo para perto dos níveis mais altos em duas décadas nesta sexta-feira. Além disso, várias divisas arriscadas pares do real, como a australiana, a chilena e a colombiana, tiveram perdas superiores a 1% no dia.

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Por trás dessa movimentação estava o receio de que a determinação dos principais bancos centrais do mundo no combate à alta dos preços prejudicará demais a atividade global, podendo empurrá-la para uma recessão. Um sinal desses temores era o forte declínio dos rendimentos da dívida soberana dos EUA, que costumam cair em momentos de demanda por segurança.

"A inflação será muito mais resiliente, forçando o Fed [Federal Reserve, banco central dos EUA] a manter as condições financeiras apertadas por um período longo, mesmo com a economia desacelerando forte", disse em postagem no Twitter Marcos Mollica, gestor no Opportunity.

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"Esta vai ser a ruptura com a dinâmica da última década, em que o Fed recuava no aperto diante de qualquer soluço da economia. Quando o mercado entrar nesta página, teremos mais pressão sobre as bolsas e dólar forte."

No Brasil, riscos fiscais exacerbavam o sentimento adverso vindo do exterior, depois de o Senado, na véspera, ter aprovado uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que estabelece um estado de emergência para ampliar e criar auxílios sociais, com previsão de despesas fora do teto de gastos.

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A PEC, chamada por alguns participantes do mercado de "PEC das Bondades" ou "PEC Kamikaze", por seu impacto fiscal negativo e possível efeito inflacionário de longo prazo, ainda deve passar pela Câmara dos Deputados, mas a expectativa é de aprovação na casa, com amplo apoio.

Sinal do clima doméstico arisco, uma medida do risco-país subiu para perto dos maiores patamares desde maio de 2020 nos últimos dias, enquanto a volatilidade implícita do real para os próximos três meses foi nesta quinta-feira (30) ao maior nível desde outubro de 2020, e seguiu perto dessa marca nesta sexta.

Os ganhos do dólar à vista nesta sessão ajudaram a moeda a marcar uma quinta alta semanal consecutiva, de 1,33%, configurando a maior sequência do tipo desde a série da mesma duração finda em 8 de outubro de 2021.

Isso se seguiu a uma performance forte do dólar tanto em junho quanto no acumulado do segundo trimestre, períodos em que avançou 10,03% – o melhor mês desde março de 2020 – e 9,83%, respectivamente.

Depois da desvalorização recente da divisa brasileira, "acreditamos que pontos de entrada atraentes podem estar à vista, mas permanecemos cautelosos, pois a força do dólar pode pressionar o real no curto prazo, enquanto o ruído político e as preocupações fiscais podem pesar no médio prazo", disse o Bank of America em relatório.

O credor americano ainda espera que o real seja relativamente apoiado num curto prazo pelos juros básicos altos (atualmente em 13,25%), preços elevados de commodities e fluxos de entradas nas ações brasileiras. O BofA vê a taxa de câmbio em 5,25 por dólar no fim deste ano.

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