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Efeito Trump deve aumentar recessão e adiar retomada em 2017

Dólar chegou a R$ 3,44 e BC deve manter ritmo fraco no corte de juros

Economia|Do R7

Americano segura um cartaz escrito "Grande erro" com um imagem do Trump
Americano segura um cartaz escrito "Grande erro" com um imagem do Trump Americano segura um cartaz escrito "Grande erro" com um imagem do Trump

O impacto da eleição de Donald Trump sobre a economia brasileira não se limita ao dólar, que ontem (14), subiu pela quinta sessão seguida e chegou a R$ 3,44, acumulando alta de 8% nesse período. A escolha do novo presidente dos Estados Unidos criou uma nuvem de incerteza sobre a maior economia do mundo e cada vez mais analistas apostam que a queda do juro no Brasil será mais lenta que o imaginado inicialmente. Além disso, economistas acreditam que a recessão brasileira será ainda mais profunda em 2016 e a tão esperada recuperação de 2017, menos intensa.

Na primeira pesquisa realizada pelo Banco Central com analistas de mercado após a eleição nos EUA, o mercado deixou de acreditar que o Comitê de Política Monetária (Copom) acelerará o ritmo de corte do juro. Até a semana passada, analistas apostavam em redução de 0,50 ponto na taxa Selic, para 13,5% ao ano, na reunião dos dias 29 e 30 deste mês. Tal cenário indicava a crença de que o BC seria mais agressivo, já que em outubro a taxa foi cortada em 0,25 ponto.

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Com Trump eleito, porém, as coisas mudaram. Agora, o mercado aposta que o BC manterá o mesmo ritmo, com redução de 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, no encontro do fim do mês.

Uma das primeiras instituições a mudar a previsão foi o Itaú. Em 10 de novembro, o banco reduziu a previsão de corte da Selic no fim do mês também para 0,25 ponto. "Os mercados deverão permanecer arredios e agitados durante várias semanas, até que acabem as incertezas sobre a equipe e as intenções de Trump. Neste ambiente não tão benigno, o Copom provavelmente vai preferir proceder de forma gradual", citaram os economistas do Itaú em relatório.

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Essa cautela deve se prolongar em 2017. Na pesquisa Focus, a maioria do mercado ainda não alterou o prognóstico para o juro no fim do próximo ano, mas o grupo dos economistas que mais acertam as projeções de médio prazo - o chamado Top 5 - já elevou a estimativa para a Selic do próximo ano de 11,25% para 11,5%. Ou seja, o juro continuará em queda em 2017, mas em ritmo menos intenso após Trump.

Com Trump na Casa Branca, economistas preveem que o governo dos EUA deve aumentar os gastos com investimentos e outras despesas. Isso ajudará a atividade, mas tende a aumentar a inflação. Para reagir a esse efeito colateral, o Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) deve acelerar o processo de alta do juro em curso. Assim, mais recursos migrarão aos EUA atrás dos juros, o que fortalece o dólar e desvaloriza moedas de outros países, especialmente os emergentes. Em economias como o Brasil, isso gera inflação, o que exige mais cautela com os juros.

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Cenário

"O efeito Trump pode acelerar o fim do interregno benigno para emergentes", disse Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos. Para ela, os especialistas ouvidos no Focus deverão esperar a divulgação do IPCA-15 de novembro, que deverá ocorrer no próximo dia 23, para avaliar se alteram ou não suas previsões para a Selic num horizonte de tempo mais longo, relativo ao encerramento do próximo ano.

As incertezas em torno da política econômica de Donald Trump e seus impactos sobre as economias emergentes também tiveram influência na revisão, para pior, das projeções para a atividade no Brasil, com recessão maior em 2016 e recuperação mais lenta em 2017.

Na pesquisa do Banco Central, as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano indicaram retração de 3,37%, ante queda de 3,31% projetada uma semana atrás. Para 2017, o cenário está menos favorável e a perspectiva de crescimento caiu de 1,20% para 1,13% em uma semana. 

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