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Juros: Campos Neto e ausência de mercados em NY abrem espaço para correção em baixa

Os juros futuros fecharam a segunda-feira, 27, em queda, mais pronunciada nos vencimentos de prazo intermediário, justamente os que...

Economia|Do R7

Os juros futuros fecharam a segunda-feira, 27, em queda, mais pronunciada nos vencimentos de prazo intermediário, justamente os que mais tinham avançado nos últimos dias. O feriado norte-americano do Memorial Day, que, embora tenha enxugado a liquidez, manteve fechado o mercado de Treasuries, que tem sido um dos principais vetores de volatilidade para os ativos. Internamente, as declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ajudaram a consolidar o movimento de correção das taxas iniciado já pela manhã, apesar da revisão para cima nas expectativas de IPCA trazidas pelo Boletim Focus.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 estava a 10,375%, de 10,400% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2026, a 10,72% (de 10,84%). O DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 11,03%, de 11,15% no último ajuste, e a do DI para janeiro de 2029, taxa de 11,49% (de 11,56%).

As mínimas da sessão foram atingidas a partir da fala de Campos Neto, no início da tarde, em participação no "Almoço Empresarial" organizado pelo Lide. "De forma geral, o tom foi mais leve do que na sexta-feira", resumiu o estrategista-chefe da Warren Investimentos, Sérgio Goldenstein, referindo-se à palestra em evento da FGV, no Rio. Na ocasião, Campos Neto destacou que a expectativa de inflação vem subindo bastante e mostrou desconforto com o fato de que quando a inflação está bem comportada é algo atrelado a preços de alimentos. Além disso, admitiu que a questão da credibilidade do BC ajuda a explicar a piora das expectativas futuras.

Hoje, no Lide, ele afirmou que no entendimento do BC "ao longo do tempo as expectativas de inflação devem se estabilizar" e as pessoas vão entender que as decisões do Copom são técnicas, numa alusão à polêmica gerada pelos votos dissidentes na reunião de maio por um corte de 0,5 ponto porcentual da Selic. Outros pontos considerados mais "suaves" no discurso foram a avaliação de que há correlação de serviço intensivo em trabalho e alta de preços, mas é algo ainda incipiente, e a relativização da piora do comportamento dos preços "na ponta", considerada como "fator temporário".

Para o economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, o discurso de Campos Neto consolidou a disposição para corrigir prêmios vista ainda na primeira etapa, que se sobrepôs até mesmo aos resultados ruins da pesquisa Focus. "Eu achava que a mediana para 2026 ia subir, só que subiu bem, 8 pontos-base. Mas não pegou no mercado, que estava tão ruim que acabou realizando", disse.

Mesmo com a estabilidade nas medianas de Selic para 2024 (10,00%), 2025 (9,00%) e 2026 (9,00%), as expectativas de IPCA para tais horizontes avançaram para 3,86% (de 3,80%), para 3,75% (de 3,74%) e para 3,58%, após 46 semanas de estabilidade a 3,50%. Considerando apenas as projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana o IPCA 2025 já está em 3,77%.

Depois de Campos Neto, as taxas tiveram ainda outra rodada de mínimas durante o intervalo para a formação dos preços dos ajustes, entre 16h10 e 16h20, e com o mercado já buscando se posicionar para o IPCA-15 de maio que sai amanhã, em caso de surpresa positiva. A pesquisa do Projeções Broadcast aponta mediana de 0,47%, ou seja forte aceleração ante a inflação de 0,21% em abril. A percepção para os preços de abertura é desfavorável, com arrefecimento esperado somente para alimentação no domicílio e serviços subjacentes.

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