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Covid-19 suspende aulas de 99,3% das escolas de educação básica

Pesquisa divulgada pelo IBGE nesta sexta (3) revela que no Brasil o tempo médio de suspensão das aulas chegou a quase 290 dias

Educação|Da Agência Brasil

Maior tempo médio de suspensão das aulas presenciais foi na Região Nordeste do país
Maior tempo médio de suspensão das aulas presenciais foi na Região Nordeste do país Maior tempo médio de suspensão das aulas presenciais foi na Região Nordeste do país

A pesquisa SIS (Síntese de Indicadores Sociais): uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira, divulgada nesta sexta-feira (3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no Rio de Janeiro, revela que o tempo médio de suspensão das atividades presenciais de ensino e aprendizagem em 2020, em razão da pandemia, somou 279,4 dias no Brasil.

Na rede pública, o tempo médio de suspensão das atividades presenciais foi de 287,5 dias e, na rede privada, de 247,7 dias. No geral, 99,3% das escolas de educação básica suspenderam as atividades presenciais e 90,1% não retornaram no ano letivo de 2020.

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O maior tempo médio de suspensão das aulas presenciais foi identificado na Região Nordeste do país (299,2 dias), com destaque para a rede pública (307,1 dias). Na rede privada de ensino, o maior tempo médio de suspensão de aulas presenciais foi observado na Região Sudeste (250,8 dias).

O IBGE informou que o Brasil está entre os países que tiveram o maior período de suspensão das aulas presenciais, de acordo com o monitoramento global da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

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Em novembro do ano passado, o IBGE apurou que 2,4% dos estudantes com idade entre 6 e 17 anos frequentavam aulas presenciais normalmente e 5,4% de forma parcial, enquanto 92,2% não tinham aulas presenciais. Desse total, não foram disponibilizadas atividades escolares para 10,8%.

Na educação básica, 42,6% das escolas promoveram aulas pela internet, sendo 35,5% na rede pública e 69,8% na rede privada. Os menores percentuais de adoção dessa estratégia de ensino foram identificados no Acre, Amazonas, Pará e Roraima: 8,1%, 9,9%, 13,2% e 13,3%, respectivamente. Em contrapartida, os maiores percentuais foram vistos no Ceará (61,8%) e no Distrito Federal (82,9%).

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Diferenças

Em 2019, 54% dos estudantes de 15 a 17 anos tinham internet e computador ou notebook em casa, sendo 48,6% na rede pública e 90,5% na rede privada. Entre os estudantes brancos dessa faixa etária, o total atingiu 67,3%, ante 46,8% entre estudantes pretos ou pardos, mostrando uma diferença de 20,5 pontos percentuais.

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Ao mesmo tempo, 9,2% das escolas disponibilizaram equipamentos (computador, notebook, smartphone) para uso dos alunos durante o ano letivo de 2020 (8,7% das escolas públicas e 11,2% das escolas privadas). Os menores percentuais na rede pública foram observados no Amapá, Rondônia e Ceará (entre 3,2% e 3,5%), enquanto os maiores percentuais foram anotados em Mato Grosso do Sul, São Paulo e no Distrito Federal (18,1%, 18,6% e 21,9%, respectivamente).

Os maiores percentuais de estudantes de 6 a 17 anos de idade que frequentavam escolas sem atividades presenciais e sem oferta de atividades escolares foram constatados, em novembro do ano passado, na Região Norte (25,4%) e os menores na Região Sul (2,3%), sendo maiores também na área rural (15,9%) e na rede pública (12,4%), com um índice 4,3 vezes superior ao da rede privada.

No grupo de 15 a 17 anos, com idade oficial de frequência ao ensino médio, 35,6% dos estudantes dedicaram menos de duas horas diárias às atividades escolares em novembro de 2020, ante 43,9% dos estudantes de 6 a 14 anos de idade. Segundo o levantamento, a incidência de menor dedicação aos estudos é maior entre os que frequentavam a rede pública (39,2%) e entre os que tinham menor rendimento.

Habitação

De acordo com a pesquisa do IBGE, a maioria da população aponta problemas no domicílio, em especial pretos ou pardos. A identificação de problemas é mais comum entre os mais jovens e entre aqueles com menor rendimento.

Em relação ao deslocamento para o trabalho nas capitais e regiões metropolitanas, observou-se que os pretos ou pardos realizavam a maior proporção de deslocamentos longos em 2017 e 2018 (18,1% diante de 14,6% entre os brancos). Entre os empregados domésticos, 28,5% fizeram deslocamentos de mais de uma hora.

Os empregados com carteira apresentaram deslocamentos mais longos (22,5%) do que os empregados sem carteira (14,7%) e os que trabalham por conta própria (7,9%).

As maiores proporções de pessoas ocupadas com tempo de deslocamento para o trabalho principal superior a uma hora, em 2017 e 2018, foram percebidas nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro (26,2%), São Paulo (22,8%) e Belo Horizonte (16,5%).

A pesquisa Síntese mostrou ainda que no Brasil, em 2017 e 2018, 51,4% dos locatários tinham apenas contrato verbal ou de boca. Esse grupo representava 8,6% da população do país. A situação está relacionada com os rendimentos da pessoa e a cor ou a raça.

Entre os pretos ou pardos, a taxa de informalidade nos contratos de aluguel atingia 58,7% diante de 42,7% entre os brancos. Com base na POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), 10,3% da população do país vivia em domicílios sujeitos a inundações. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, 28,2% da população estava nessa situação, constituindo o maior percentual entre as áreas urbanas das capitais brasileiras.

Saúde

No período de 2010 a 2017, as maiores despesas de consumo final em saúde como percentual do PIB (Produto Interno Bruto) foram observadas em 2015 (9,1%), 2016 (9,3%) e 2017 (9,2%). Nesses mesmos anos ocorreram as maiores despesas com saúde das famílias (5,2%, 5,3% e 5,4% do PIB), bem como do governo (3,9%, 4% e 3,9% do PIB, respectivamente).

A despesa média mensal per capita com saúde no Brasil em 2017 e 2018 foi de R$ 133,24, equivalendo a 9,7% dos gastos. Na área urbana, esse valor subiu para R$ 142,59 ante R$ 79,14 na área rural. A despesa mensal por indivíduo foi de R$ 168,54 entre homens brancos e R$ 91,29 entre homens pretos ou pardos.

Entre as mulheres, os gastos com saúde subiram para R$ 188,05 entre as de cor ou raça branca e para R$ 98,99 entre as de cor ou raça preta ou parda. A despesa média mensal com saúde aumenta ao mesmo tempo que avança a idade da pessoa. Na faixa etária de 60 anos ou mais, a despesa atingiu R$ 268,65, ocorrendo o mesmo em relação ao ensino superior completo (R$ 290,88). Os gastos com saúde são maiores também entre indivíduos com maior renda.

As restrições de acesso a medicamentos e serviços de saúde, no período 2017 e 2018, foram maiores para famílias monoparentais femininas, apurando-se mais restrições entre mulheres de cor ou raça preta ou parda com filhos com 14 anos no domicílio (35,6% em serviços de saúde e 22,5% em medicamentos). As pessoas sem plano de saúde enfrentam o dobro de restrições, informou o IBGE.

Nos estabelecimentos com atendimento público pelo SUS (Sistema Único de Saúde), a internação hospitalar cresceu 4,38% de 2019 para 2020, enquanto a urgência evoluiu 3,23% no mesmo período. Já nos estabelecimentos com atendimento privado (particular e plano de saúde), houve retração.

A pesquisa constatou, também, que em 2019 o número de brasileiros que não realizava consulta médica havia mais de dois anos alcançou 11,7% da população com 18 anos de idade ou mais. Desse total, 20,3% eram homens pretos ou pardos e 14,5% eram homens brancos.

Os serviços de saúde foram usados em internações para tratamento clínico por 39,5% dos brasileiros. A máxima utilização com essa finalidade foi vista no Maranhão (54,2%) e a mínima (32,5%) em São Paulo. As internações cirúrgicas tiveram média de 38,6% no país, com máxima de 46,3% no Rio de Janeiro e mínima de 25,6% no Amapá.

Os atendimentos com plano de saúde mostraram média de 30,2% no Brasil, com máxima de 50,1% no Distrito Federal e mínima de 6,6% no Maranhão. No SUS, a média ficou em 63,3%, com atendimento máximo de 89,3% no Maranhão e mínimo de 42,9% no Distrito Federal.

Óbitos

Em 2020, foi registrado 1,6 milhão de mortes, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2019 o crescimento médio anual do número de óbitos no país havia sido de 1,9%.

Em 2019, para o grupo de 60 a 69 anos de idade, a mortalidade registrada por alguma doença infecciosa ou parasitária atingiu 9 mil pessoas e não houve nenhum caso de morte pelo novo coronavírus; no ano seguinte, houve 56 mil mortes, das quais 47 mil por coronavírus.

Levando-se em conta a infecção pelo novo coronavírus de localização não especificada, a população branca apresentou percentual mais elevado de mortes no grupo com 70 anos ou mais (30,1%). Já no grupo de pretos ou pardos nessa faixa etária o percentual foi de 24,3%. Em contrapartida, nos demais grupos de idade, pretos ou pardos tiveram percentuais mais elevados que brancos (24,9% diante de 20,7%).

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