Internacional China confirma que um de seus balões sobrevoou a América Latina

China confirma que um de seus balões sobrevoou a América Latina

Dispositivo com as mesmas características foi derrubado pelo governo americano após suspeita de espionagem

AFP
Balão chinês que foi localizado pelos EUA no espaço aéreo americano

Balão chinês que foi localizado pelos EUA no espaço aéreo americano

Reprodução/EFE - 04.02.2023

Pequim confirmou nesta segunda-feira (6) que o balão detectado sobrevoando a América Latina é chinês, enquanto os Estados Unidos tentam recuperar os restos de um dispositivo semelhante derrubado em seu espaço aéreo no fim de semana.

A China expressou indignação com a decisão dos Estados Unidos de derrubar uma primeira sonda detectada em seu território. Pequim argumenta que se trata de um dispositivo meteorológico que saiu da rota.

Após a detecção do primeiro balão que sobrevoou os Estados Unidos, Washington cancelou uma viagem à China do secretário de Estado americano, Antony Blinken.

Nesta segunda-feira (6), Pequim reconheceu que o segundo balão, detectado sobre a América Latina no fim de semana, também é chinês.

O Ministério das Relações Exteriores da China explicou que o objeto tem finalidades civis e é usado para um teste de voo.

Devido às "forças meteorológicas e à sua capacidade de manobra limitada, o dirigível se desviou seriamente de sua rota programada" e "acidentalmente dirigiu-se para a América Latina e o Caribe", disse um porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Mao Ning.

"A China é um país responsável e sempre respeitou, rigorosamente, o Direito Internacional", acrescentou.

"Entramos em contato com as partes relevantes e estamos lidando [com a questão] de forma adequada. Não causaremos nenhuma ameaça a nenhum país", continuou.

A declaração da China veio três dias depois de o Pentágono alertar que um segundo balão espião suspeito da China havia sido detectado sobrevoando a América Latina.

A Força Aérea colombiana indicou, por sua vez, que "um objeto" com "características semelhantes às de um balão" foi detectado e monitorado "até deixar o espaço aéreo".

O Departamento de Defesa dos EUA não deu detalhes sobre a localização do dispositivo identificado na América Latina, nem para onde estava indo.

Tensões bilaterais


No sábado (4), a aviação americana derrubou, com um míssil, o primeiro balão chinês na costa da Carolina do Sul, no sudeste do país.

As autoridades do Pentágono descreveram o dispositivo como um "balão de vigilância de grande altitude", e os Estados Unidos disseram que tomaram medidas para impedir que ele coletasse informações confidenciais.

Pequim acusou os Estados Unidos de "exagerarem", por meio do uso da força, e disse que "se reserva o direito" de tomar represálias.

Nos Estados Unidos, a oposição republicana criticou o presidente Joe Biden por não ter dado uma resposta mais firme e rápida.

O líder do Partido Democrata no Senado, Chuck Schumer, defendeu a ação do governo, afirmando que ela permite "maximizar a coleta de informações".

Schumer informou que o Senado receberá um relatório confidencial em 15 de fevereiro.

Ao ser questionado, em entrevista à emissora ABC, se pessoas do Exército chinês podem ter desejado interromper a visita de Blinken, o ex-chefe do Estado-Maior americano Mike Mullen disse: "Claramente, acho que é esse o caso".

Ele também subestimou a versão de que o balão se desviou de seu curso.

"Não foi um acidente, foi deliberado", afirmou.

A visita de Blinken seria a primeira de um chefe da diplomacia americana à China desde a de Mike Pompeo em 2018, ainda no governo de Donald Trump.

Mudança de tom


Desde o cancelamento da viagem de Blinken e a derrubada do primeiro avião, a China abandonou o tom conciliador inicialmente adotado para se manifestar com maior indignação.

Nas ruas de Pequim, Li Yize, de 23 anos, disse à AFP que acredita que a decisão de Washington de derrubar o balão "é uma forma de os Estados Unidos mostrarem seu poderio militar".

Um homem idoso, que se identificou como Xu, disse que "a China é muito magnânima".

"Os aviões militares de reconhecimento dos Estados Unidos costumam passar pela costa chinesa", disse ele.

"Mas a China é tolerante, não dá muita importância a isso", acrescentou.

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