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Choque e escalada de ódio contra imigrantes: brasileiros relatam reação ao atentado em Barcelona

Desencontro de informações e surpresa tomam a cidade turística

Internacional|Tiago Alcantara, do R7

Atentado aconteceu em região turística de Barcelona
Atentado aconteceu em região turística de Barcelona Atentado aconteceu em região turística de Barcelona

O terror tomou conta das ruas de uma das princiais cidades da Espanha nesta quinta-feira (16). Um atentado terrorista em Barcelona deixou pelo menos 13 mortos e cem feridos após uma van atropelar dezenas de pessoas no centro da cidade.

O ataque terrorista pegou de surpresa o jornalista brasileiro Marcel Perossi, que mora há 4 anos na cidade espanhola. Para o brasileiro, os habitantes nunca imaginariam um acontecimento como esse.

— A primeira reação foi de surpresa e consternação. Ninguém acreditava que isso poderia acontecer em Barcelona, [todos pensavam] que seria algo que só aconteceria em Madri, Londres ou Paris outras cidades. Madri por ser a capital e as cidades na Inglaterra e na França por conta do alinhamento político com os EUA. A reação que eu vejo nas pessoas é que todos foram tomados por um choque, foi totalmente inesperado.

O Itamaraty informou, por meio de nota, que não há registro de brasileiros entre as vítimas. De acordo com os brasileiros ouvidos pela reportagem do R7, o centro da cidade foi fechado na caçada aos responsáveis pelo atentado.

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O gerente de restaurante Bruno Giuliano Grosso mora há mais de três anos na cidade e reforça a sensação de choque após o atentado.

— Eu estou chocado. Foi ao lado da minha casa, estava passeando por lá ontem à noite.

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Relembre atentados terroristas que chocaram a Espanha nas últimas décadas

Grosso relata que vivia em Londres, onde sentia medo de atentados e se mudou para a cidade de Barcelona, uma cidade mais tranquila.

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— Vivia com medo em Londres, principalmente no metrô. E agora o terror chegou aqui. Barcelona é uma cidade pacífica, aonde se vê idosos e crianças pelas ruas e praças. A sensação que tenho é de raiva. Medo. Incerteza. Não costumava andar olhando por cima dos ombros. Agora começarei, nunca mais será igual.

Há seis anos em Barcelona, a brasileira escritora de viagens Mayra Jinkings, 34 anos, disse que como Barcelona é uma cidade "segura" de atentados, "está todo mundo desvastado". 

— É difícil descrever. É uma catástrofe. E como moro aqui, deves imaginar os vídeos que recebi. Do momento, das pessoas pelo chão e tudo mais. Queria poder nunca ter visto.

Terror e informações desencontradas

De acordo com Perossi, há um estado de confusão entre as pessoas, já que as informações dadas pelos veículos de imprensa e órgãos oficiais são desencontradas. O clima é de medo e pesar pelos atingidos no ataque.

— Os jornais daqui, tanto os televisivos quanto os impressos, têm informações diferentes. O mais popular, El Periódico, afirma que a CIA avisou que haveria um ataque há dois meses. Outros jornais, como o El País e o La Vanguardia não confirmam. A informação é desencontrada e está todo mundo assustado. As pessoas estão acompanhando em tempo real essa situação de choque. Ainda não sabemos sobre as causas do atentado e está todo mundo em pânico.

O jornalista complementa que o atentado pode elevar o tom dos discursos contra os imigrantes na cidade.

— Não é possível prever a consequência disso. Se foi um atentado terrorista. O que percebo na Europa em geral é que há um discurso de ódio contra os imigrantes, contra pessoas que têm origem no Oriente Médio ou que são refugiados. Sobretudo pelo histórico de ataques, onde o autor tem alguma ligação com o Estado Islâmico ou com o Islã. O discurso está pronto, acho que o atentado pode aumentar esse discurso de ódio, ficar mais aberto, sendo pregado nos jornais, por exemplo.

Mayra concorda com a opinião do jornalista e diz que poderão aparecer protestos dos próprios espanhois contra os refugiados com discursos de ódio, assim como os que ocorreram recentemente nos Estados Unidos. 

Reação contra turistas e imigrantes

O local do atentado, La Rambla, é a rua mais popular da cidade. Por conta de sua localização, em frente a famosa praça Catalunya, a rua passou de ponto onde encontro dos boêmios e foi tomada pelo turismo. O que transformou La Rambla em um ponto lotado e alvo fácil para a ação terrorista.

A brasileira Giovanna Denaro, que trabalha como comunicóloga, mudou-se há 3 meses para Barcelona. Ela relata que a cidade está lotada nestes dias por causa do verão e que todos estão muito asustados.

— Começaram os festejos no bairro de Gracia, são festas de rua, então, muita gente reunidas pelos bairros e nas ruas. O atentado aconteceu em um lugar central, cheio de turistas. A cidade está em alerta total, todos com medo.

Perossi comenta que a relação dos moradores com os grande número de turistas que lotam Barcelona durante essa época tem alguns atritos e pode piorar.

— O discurso de Barcelona era contra o turismo massificado. Não era uma discussão étnica, era sobre quanto espaço há para receber os turistas. Há pouco tempo, houve um protesto de moradores de um bairro chamado Barceloneta, de praia, que é muito visado por turistas. Esses moradores fazem protestos, praticamente, todo os verões, dizendo que vão lutar contra o turismo e contra hotéis de economia compartilhada como Airbnb. O que pode acontecer é que tudo se misture, essa reação contra o turismo e uma reação contra estrangeiros, de origem de países do Oriente Médio. O que sentimos é que essa escala de ódio vai aumentar.

Para Grosso, o atentado deve afetar a todos, não só os brasileiros.

— Vai prejudicar a paz. Agora todo mundo vai ficar com medo lugares turísticos.

*Colaborou: Raquel Gamba

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