Internacional Em Hiroshima, secretário da ONU diz que armas nucleares podem levar humanidade ao apocalipse

Em Hiroshima, secretário da ONU diz que armas nucleares podem levar humanidade ao apocalipse

Guterres participa de eventos que marcam 77º aniversário do bombardeio atômico da cidade japonesa pelo exército dos EUA

Agência EFE

Resumindo a Notícia

  • António Guterres, secretário-geral da ONU, foi para Hiroshima no sábado (6)
  • Ele participou de homenagens ao 77º aniversário do bombardeio atômico da cidade japonesa
  • "Apenas um mal-entendido ou um erro de cálculo nos separa do apocalipse", diz Guterres
  • Secretário-geral da ONU quer que países eliminem os arsenais que ameaçam futuro do planeta
António Guterres, secretário-geral da ONU, pede o fim dos arsenais nucleares

António Guterres, secretário-geral da ONU, pede o fim dos arsenais nucleares

Maxim Shipenkov/POOL/AFP - 26.4.2022

António Guterres, secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), disse neste sábado (6) que a humanidade "brinca com uma arma carregada", devido à proliferação nuclear e aos focos de conflito abertos. Ele participou dos eventos que marcaram o 77º aniversário do bombardeio atômico da cidade japonesa de Hiroshima, junto com o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, o prefeito Kazumi Matsui, representantes de 98 países e instituições, e sobreviventes da tragédia nuclear.

"Apenas um mal-entendido ou um erro de cálculo nos separa do apocalipse", afirmou Guterres, em seu discurso na cerimônia em memória das cerca de 140 mil mortes causadas pelo primeiro ataque atômico da história, realizado pela Força Aérea dos Estados Unidos, em 6 de agosto de 1945.

O secretário-geral da ONU adverte para o risco de repetição dos horrores de Hiroshima, devido à existência de mais de 13 mil armas atômicas no mundo e de crises envolvendo "componentes nucleares", como a invasão da Rússia à Ucrânia, a situação na península da Coreia, e as disputas no Oriente Médio.

Por outro lado, ele ressalta que há "sinais de esperança", como a 10ª Conferência de Revisão das Partes do TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear), que acontece nas Nações Unidas, nos EUA, desde o início do mês. O próprio Guterres pediu para os membros "trabalharem urgentemente para eliminar todos os arsenais que ameaçam nosso futuro”.

Compromisso do Japão

O primeiro-ministro japonês também enfatizou que o movimento em direção a um mundo livre de armas nucleares "parece estar diminuindo". Por isso, nos eventos do sábado, em Hiroshima, fez um apelo e "se comprometeu a nunca deixar uma tragédia semelhante se repetir".

Kishida reiterou que o Japão respeitará seu triplo compromisso antinuclear: não desenvolverá, não possuirá e nem vai permitir a implantação desse tipo de arma em seu território, apesar de certas vozes de seu partido pedirem uma revisão desses princípios, em face das tensões crescentes na região Ásia-Pacífico.

"O Japão vai conciliar a situação de segurança regional com seu desejo de alcançar um mundo livre de armas nucleares", garantiu o líder japonês, que apontou a cúpula dos líderes do G7, agendada para maio do ano que vem em Hiroshima, como uma oportunidade para promover a não proliferação nuclear.

A cerimônia do sábado aconteceu no Parque da Paz, localizado perto do hipocentro da explosão nuclear. Começou com um minuto de silêncio, às 8h15 na hora local (20h15 de sexta-feira no horário de Brasília). Essa foi a hora exata em que, há 77 anos, o B-29 Enola Gay, da Força Aérea dos EUA, lançou o "Little Boy", o primeiro artefato nuclear usado em uma guerra.

Três dias depois, em 9 de agosto de 1945, o exército norte-americano lançou uma segunda bomba nuclear na cidade de Nagasaki, levando à capitulação do Japão seis dias depois, o que levou ao fim a Segunda Guerra Mundial. 

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