Internacional Mundo está 'a um mal-entendido' da 'aniquilação nuclear', diz ONU

Mundo está 'a um mal-entendido' da 'aniquilação nuclear', diz ONU

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que não há mais espaço para esse tipo de armamento no mundo

Agência EFE

Resumindo a Notícia

  • Secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que países reduzam armas nucleares
  • Chefe das Nações Unidas destacou as quantias gastas em armas nucleares
  • Segundo Guterres, armas deste tipo são de grande risco diante de crises militares
Nações Unidas alertam para possível catástrofe nuclear

Nações Unidas alertam para possível catástrofe nuclear

Daniel Slim/AFP - 1º.8.2022

O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu nesta segunda-feira (1º) que o mundo está "a um mal-entendido ou a um erro de cálculo da aniquilação nuclear" e pediu às potências nucleares que cheguem a acordos para reduzir esta grave ameaça.

"A humanidade corre o risco de esquecer as lições forjadas nas terríveis chamas de Hiroshima e Nagasaki", disse Guterres ao abrir uma conferência de revisão do TNP (Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares).

O chefe da ONU lamentou que em uma época de tensões geopolíticas e desconfiança crescentes os países estejam se afastando do desarmamento e, em vez disso, buscando "uma falsa sensação de segurança", gastando "centenas de bilhões de dólares em armas do fim do mundo que não têm lugar em nosso planeta".

Guterres lembrou que atualmente há quase 13 mil armas nucleares armazenadas e destacou o risco que isso representa diante de crises como as da Ucrânia, do Oriente Médio e da península coreana.

"Tivemos uma sorte extraordinária até agora, mas a sorte não é uma estratégia. Nem é um escudo contra as tensões geopolíticas que levam ao conflito nuclear", reiterou.

Segundo Guterres, a conferência de revisão do TNP que começa hoje é uma oportunidade para acordar medidas que ajudem a evitar um desastre e a colocar o mundo no caminho de um futuro livre de armas nucleares.

Entre outros aspectos, o diplomata português encorajou os governos participantes a reafirmar a norma contra o uso de armas nucleares com medidas práticas para reduzir o perigo de conflito nuclear e a fazer progressos na redução dos arsenais com vistas à eliminação total.

Além disso, ele pediu que a modernização do TNP vá além do atual status quo e promova o uso pacífico da energia atômica como uma resposta à crise climática.

Guterres fez um apelo por negociações sobre questões atômicas no Oriente Médio, em referência ao Irã, e na Ásia, no caso da Coreia do Norte, e advertiu que, acrescentando a ameaça de armas nucleares a esses conflitos, essas regiões estão caminhando para uma "catástrofe".

A conferência de revisão do TNP, tradicionalmente realizada a cada cinco anos, foi aberta hoje em Nova York com dois anos de atraso por causa da pandemia de Covid-19.

O tratado, ao qual quase todos os países do mundo aderiram, tem como objetivo conter a disseminação de armas atômicas e compromete as cinco potências nucleares oficiais (EUA, Rússia, França, China e Reino Unido) com políticas de desarmamento.

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