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Guerra na Ucrânia pode gerar onda de terrorismo no resto da Europa? Especialistas discutem

Nos últimos meses, casos de atentados vêm acontecendo na Rússia e nas regiões anexadas por Putin; presidente também foi alvo

Internacional|Gabriel Herbelha*, do R7

Bombeiros trabalham no resgate de um prédio em Zaporizhzhia atingido por míssil
Bombeiros trabalham no resgate de um prédio em Zaporizhzhia atingido por míssil Bombeiros trabalham no resgate de um prédio em Zaporizhzhia atingido por míssil

Sete meses após o início da invasão russa da Ucrânia, a escalada de tensão continua na região. Nas últimas semanas, a Rússia anexou territórios ucranianos através de referendos e o presidente Vladimir Putin anunciou uma mobilização parcial para recrutar militares para lutar na guerra.

Devido à ausência de perspectiva de fim de conflito, o R7 conversou com especialistas para questionar se a guerra poderia ultrapassar os limites dos dois países e causar uma onda de terrorismo na Europa.

Nos últimos meses, algumas situações indicaram, pelo menos dentro da Rússia, movimentos extremistas contra o país.

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No caso mais recente, no fim de setembro, um homem de 34 anos, identificado como Artiom Kazantsev, abriu fogo contra uma escola em Izhevsk, no leste do país, matando 15 pessoas, sendo 11 delas crianças. O atirador estava vestido com símbolos nazistas durante o ataque e a motivação ainda não foi esclarecida.

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Já em agosto, a explosão de um carro matou Darya Dugina, filha do filósofo russo Alexander Dugin, conhecido como “Rasputin de Putin” pela proximidade com o chefe de Estado.

Segundo autoridades russas, explosivos foram colocados no carro do filósofo, que seria o alvo do atentado. Porém, a filha estava usando o veículo no dia do ataque, que explodiu enquanto ela ia para casa. A Rússia acusou a Ucrânia de ser a mandante do atentado, que, por sua vez, negou a autoria.

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Para Igor Lucena, economista e doutor em relações internacionais, os ataques terroristas deverão se intensificar tanto na Rússia quanto na Ucrânia, em especial nas quatro regiões recém-anexadas (Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia), mas não no restante da Europa.

“O que vai ocorrer e que deve se intensificar são ataques terroristas e radicais não só de russos e de ucranianos dentro daquela região na própria Ucrânia e também na própria Rússia. Isso se dá porque a gente assiste não só a uma instabilidade política na região, mas a uma instabilidade política que passa também a contaminar a própria Rússia dentro do que a gente está assistindo”, afirma.

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“Eu não acredito que isso vá fazer uma espécie de aumento de terrorismo como um todo. O que nós vemos na prática é uma questão de conflito que por mais que esteja se intensificando está localizado dentro daquela região fronteiriça”, completa Igor.

Vladimir Putin, responsável pela ordem de invasão da Ucrânia, foi vítima de pelo menos dois atentados terroristas em território russo.

Segundo canais de oposição a Putin no Telegram, em setembro, uma bomba teria sido colocada na roda traseira do carro do presidente, e horas antes da tentativa do ataque, parte da equipe de segurança dele teria desaparecido, fazendo com que ele ficasse mais vulnerável. A tentativa frustrada, no entanto, não é confirmada pelo Kremlin.

Em outro evento, ocorrido em março, Putin também teria sido alvo de um atentado "malsucedido", segundo a inteligência da Ucrânia, durante uma viagem para a região do Cáucaso, entre a Europa oriental e a Ásia ocidental.

“Não podemos afirmar que há um aumento do terrorismo na Europa por causa da guerra na Ucrânia. Até os últimos indicadores de democracia, de análise de risco, colocam, a despeito da guerra na Ucrânia, uma estabilidade civil, uma estabilidade democrática nos países europeus”, opina Roberto Uebel, professor de relações internacionais da ESPM Porto Alegre.

O especialista explica que embora na fotografia atual não veja a possibilidade de atentados terroristas no velho continente que tenham relação com o conflito na Ucrânia, “não significa que não existam grupos terroristas na Europa, na Ucrânia ou na Rússia. Existem. Mas esse tipo de conflito destaca muito mais grupos extremistas separatistas”.

Conforme os dois especialistas, as regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia, que correspondem a mais de 15% do território ucraniano, são os pontos de atenção em relação ao avanço de grupos separatistas mais radicais.

“Ainda é muito cedo para entender e dizer o que vai acontecer com essas quatro regiões. O que é lógico é que a Ucrânia não vai desistir de retomar as regiões, mesmo porque essas anexações não são respeitadas nem consideradas pela comunidade internacional. Então, não só as resistências ucranianas deverão se tornar mais fortes, mas serão apoiadas pelo governo ucraniano”, analisa Lucena.

Apesar da anexação, a Ucrânia vem conquistando avanços importantes nessas localidades.

Em Lugansk, diversas cidades foram libertadas das tropas russas, e bandeiras ucranianas foram hasteadas, em sinal de vitória, segundo o governador Serguei Gaidai. Na última terça-feira (4), a Ucrânia também reivindicou avanços no norte de Kherson.

“O que acontece é o surgimento de grupos separatistas, de movimentos políticos mas que flertam tanto com a extrema direita como com a extrema esquerda. Mas não se pode dizer que existe o surgimento de grupos terroristas como uma resposta à guerra”, comenta Roberto sobre o perfil de atuação dos grupos que participam do combate.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Daniel Pinheiro

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