Internacional Líder do Boko Haram promete vender cada uma das mais de 200 estudantes sequestradas 

Líder do Boko Haram promete vender cada uma das mais de 200 estudantes sequestradas 

De acordo com a imprensa local, algumas jovens já foram vendidas por 12 dólares 

Líder do Boko Haram promete vender cada uma das mais de 200 estudantes sequestradas 

Em um vídeo divulgado na internet, um dos líderes do grupo islâmico faz ameaças contra a cultura ocidental

Em um vídeo divulgado na internet, um dos líderes do grupo islâmico faz ameaças contra a cultura ocidental

Reprodução/YouTube

O líder do grupo islamita nigeriano Boko Haram, Abubakar Shekau, reivindicou o sequestro das mais de 200 meninas em meados de abril no norte da Nigéria e prometeu tratá-las como "escravas", "vendê-las" e "casá-las" à força.

"Eu sequestrei vossas meninas. Por Alá que as venderei no mercado", disse Shekau em um vídeo de 57 minutos obtido pela AFP.

Ele fazia referência às 276 estudantes sequestradas em 14 de abril em sua escola de Chibok (nordeste), no Estado de Borno, entre as quais, 223 continuam em cativeiro e 53 conseguiram fugir, segundo a polícia.

Informações da imprensa afirmam que algumas das 223 estudantes sequestradas já foram vendidas como esposas na fronteira com Chade e Camarões a preços irrisórios (12 dólares).

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"Eu disse que a educação ocidental deve parar. Vocês, meninas, devem deixar a escola e se casar" acrescentou Shekau, que indicou manter as "pessoas como escravas".

Neste vídeo, Shekau aparece em uniforme militar e de pé diante de um veículo blindado e de duas pick-ups nas quais estão metralhadoras.

Seis homens armados estão em ambos os lados de Shekau, com seus rostos cobertos.

A imagem está tremida, mas é possível ver claramente o rosto do líder islâmico, falando em hausa, árabe e inglês.

Durante os primeiros 14 minutos, Shekau critica a democracia, a educação ocidental e aqueles que não acreditam no Islã.

Sem notícias

O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, reconheceu que o governo desconhece o paradeiro das cerca de 200 meninas sequestradas há duas semanas pela milícia radical islâmica Boko Haram em uma escola no noroeste do país, na cidade de Chikob.

Jonathan deu uma entrevista no domingo (4) para as principais emissoras nigerianas para informar sobre as medidas que o Executivo está tomando para resgatar as menores, em meio aos crescentes protestos da população e rumores sobre abusos que as meninas poderiam estar sofrendo.

"Não há nenhuma informação" sobre a localização das estudantes, disse o governante. Jonathan, no entanto, afirmou que a operação de segurança para encontrá-la foi reforçada.

"Toda a informação que dispomos chegou de forma voluntária e buscamos nesses lugares. Estamos usando aeronaves para rastrear a superfície, mas não temos nada", lamentou.

O presidente assegurou que seu governo não está negociando com o Boko Haram ou outro grupo a libertação das meninas, de maioria cristã. Jonhatan garantiu que as forças de segurança encontrarão as menores com a ajuda de familiares e de seus professores.

"Solicitamos a máxima cooperação dos tutores e dos pais destas meninas, porque até agora não fomos capazes de fornecer para a polícia uma identidade clara das meninas que têm que ser resgatadas", declarou.

O líder pediu para países vizinhos, como Camarões, Chade e Benin e outros no norte da África, ajuda para localizar as estudantes, que segundo alguns "rumores" poderiam ter saído do país.

Esta é a primeira vez que Jonathan comparece perante os meios de comunicação para se pronunciar sobre o sequestro de 14 de abril.

Mães, intelectuais e cidadãos vêm protestando conta a falta de uma ação mais contundente do governo. Enquanto segue sem estar claro o número de meninas sequestradas e liberadas, devido à publicação de informações contraditórias pela polícia, Exército e os próprios pais, espalham-se rumores sobre abusos por parte de seus sequestradores.

Uma das meninas raptadas que conseguiu escapar relatou que as reféns mais jovens sofriam até 15 estupros por dia e que ela foi oferecida como esposa de um dos líderes da seita.

O Boko Haram, que significa em língua local "a educação não islâmica é pecado", luta para impor a "sharia" (lei islâmica) na Nigéria, país de maioria muçulmana no norte e predominantemente cristã no sul.

Desde que a polícia matou em 2009 o líder do Boko Haram, Mohammed Yousef, os radicais mantêm uma sangrenta campanha, que já causou mais de 3.000 mortes.

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