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Obama deixa legado que resistirá às políticas de Trump

Mesmo com mudança de rumos, professor diz que Obama abriu um caminho que não tem volta

Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

Presidência de Barack Obama foi marcada pelo apego ao diálogo
Presidência de Barack Obama foi marcada pelo apego ao diálogo Presidência de Barack Obama foi marcada pelo apego ao diálogo

O amplo auditório da McCormick Palce, em Chicago, durante o discurso de despedida do presidente Barack Obama, tinha uma atmosfera de melancolia e esperança. A tristeza vinha do fato de o primeiro negro a presidir o país, algo inimaginável em função do passado escravagista e do presente conflituoso, iria entregar o cargo para um substituto completamente diferente: egocêntrico e não tão adepto ao diálogo. No entanto, na expressão dos correligionários, a fala de Obama causou um efeito positivo, ao deixar aberta a possibilidade desta despedida ser apenas o início de seu legado.

Trump até poderá reformular todas as políticas de cunho social iniciadas por Obama. Mas, segundo o professor Márcio Coimbra, coordenador do curso de Relações Institucionais do Ibmec, em Brasília, o próprio significado da presidência dele deixará marcas indissolúveis. O apego ao diálogo, a busca de acordos, a fé na força de cada cidadão, a valorização da democracia e a busca permanente da igualdade de direitos serão conceitos que se perpetuarão na mente de cada americano, fazendo ecoar a cada dia a frase "Yes, we can", de maneira renovada e atual.

— Obama deixa um legado positivo sobre vários aspectos. Um deles é que, em um país como o Estados Unidos, você ter tido a presidência de um negro, é algo difícil. Por mais que a gente ache que isso seja pouco, dentro da sociedade norte-americana isso é muito significativo e ele ter terminado seus mandatos e sido reeleito já é um legado que abre portas que não existiam para determinadas camadas da população.

Durante sua trajetória, como ele mesmo disse, o país vivenciou muitas situações. Logo no início implementou o American Recovery and Reinvestment Act of 2009, pacote para a estimular a economia, com investimentos de US$ 787 bilhões. Atos como esse, aliados ao polêmico mas inclusivo Obamacare, que forneceu planos de saúde a 20 milhões de americanos desassistidos, o fizeram, segundo pesquisa da Associated Press e da NORC Center of Public AffairResearch, terminar o mandato com 57% aprovação.

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O índice de desemprego caiu de 10% para 4,7% desde que ele assumiu, assim como a criminalidade em cidades como Nova York, outrora violentas, segundo informou a historiadora Barbara Weinstein, doutora pela New York University.

— Ainda há cidades com problemas, como Chicago, mas em geral a taxa de crimes nas cidades norte-americanas tem baixado incrivelmente. Moro em Nova York e hoje me vejo em um paraíso, onde posso andar às duas da manhã sozinha sem me preocupar.

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Combate ao terrorismo

Para alguns críticos, a imagem de conciliador de Obama era associada a fraqueza. Ele se mostrou contrário à construção de novos assentamentos pelo governo de Israel. Mas, polêmicas específicas à parte, sua política externa foi considerada ativa para muitos especialistas. Segundo Coimbra, Obama não se intimidou diante do terrorismo.

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— Na área de segurança, ele foi efetivo com o uso de drones. Isso evitou o uso de tropas e, por consequência, a morte de muitos militares amerinanos. Obama usou muito a área de inteligência para marcar os pontos de terroristas que deveriam ser assassinados pelos drones e isso foi feito. Foram desarticuladas muitas células terroristas e muitos países com um mínimo de risco para o efetivo americano. Ele também foi efetivo na área de segurança interna, que viu acontecerem alguns atentados que, apesar de lamentáveis, foram pontuais.

As principais metas de Obama em sua gestão foram esvaziar os paraísos fiscais, dar continuidade a operações militares urgentes, como no Paquistão, que culminaram com a captura do terrorista Osama Bin Laden, na Líbia, a Síria e Iraque.

O presidente que se despede, no entanto, também optou por priorizar a diplomacia para prevenir a proliferação nuclear no Irã e na Coreia do Norte, sem que isso ameaçasse a segurança do país. A histórica reaproximação com Cuba foi um dos pontos altos dessa política, na opinião de Coimbra.

— A abertura de Obama em relação a Cuba já é um feito de maior importância que ele pode deixar como legado. As primeiras exportações já vão ser feitas agora, e essa relação vai acontecer de maneira mais determinante com o passar do tempo.

A passagem de Obama, segundo ele, entrará para a história como a de um presidente que obteve êxito em seus objetivos.

— Vimos em Obama um presidente com viés de abertura comercial, que segurou a política externa, teve de tomar decisões delicadas na questão da Síria, da Líbia, nem sempre acertadas, mas um presidente que teve um gabinete sem denúncias de corrupção, não vimos acusações de irregularidades.

Erros de comunicação

O período de Obama foi o mais marcado pela atuação das redes sociais. Atualizado em relação às novas tecnologias, seu governo foi caracterizado pela perseguição implacável, acusada de ser exagerada, a Julian Assange e Edward Snowden, por terem revelados arquivos secretos de governo à opinião pública. A era cibernética também foi assunto marcante nos últimos dias de mandato, em que ele admitiu ter menosprezado o poder de espionagem russo em relação às eleições que deram a vitória a Donald Trump.

Coimbra, porém, avalia que Obama cometeu erros estratégicos. Um deles, segundo o especialista, foi ter tido um relacionamento mais restrito com a mídia em geral, mesmo com uma reaproximação nos últimos dias de mandato.

— A imprensa em geral diz que esta foi a Casa Branca mais fechada desde o período de Richard Nixon, que foi a que mais sonegou informação para a opinião publica. Um dos vários erros do Obama foi ter impedido maior abertura de informações para os jornalistas na Casa Branca.

O emotivo discurso de despedida Barack Obama em 7 frases

Outro erro importante, de acordo com Barbara Weinstein, também tem relação com a comunicação. Desta vez, no sentido da propaganda. Segundo ela, Obama acreditou demais que a própria imagem e o carisma dele seriam suficientes para transpor críticas muitas vezes infundadas, mas que remeteram a um desgaste dos democratas.

— O grande erro do Obama foi que ele não soube rebater e desconstruir as manipulações de republicanos na mídia, que denegriam suas ações de governo. Por exemplo, em questões como o aquecimento global (em que obteve um importante acordo internacional) e mudança de clima, ele deveria ter adotado uma campanha e um discurso mais adequados contra essas teses republicanas.

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