Pegida reivindica direitos após ameaça terrorista na Alemanha

Berlim, 19 jan (EFE).- O grupo xenófobo alemão Patriotas Europeus Contra a Islamização do Ocidente (Pegida) reivindicou nesta segunda-feira os direitos de reunião e expressão após a proibição de seu protesto desta tarde por uma suposta ameaça terrorista concreta. Em entrevista coletiva em Dresden (leste) Lutz Bachmann, presidente do Pegida, e Kathrin Oertel, porta-voz do movimento, explicaram as razões pelas quais não será realizada sua habitual concentração de segunda-feira na capital da Saxônia e apelaram aos direitos constitucionais. "Não vamos deixar que roubem nosso direito de reunião e expressão", afirmou Oertel. A porta-voz argumentou que consideram como "responsabilidade" da diretoria do movimento a segurança dos participantes da manifestação - cerca de 25 mil pessoas na segunda-feira passada - e que a polícia comunicou os riscos para a convocação de hoje. Bachmann reiterou os seis pontos apresentados pelo Pegida como propostas na semana passada, entre os quais se destacam o endurecimento da política de imigração e a expulsão de "fanáticos religiosos e islamitas". O movimento islamofóbico também defende nesta declaração de prioridades a buscar de um novo entendimento com a Rússia, devolver competências comunitárias aos estados nacionais da União Europeia e reforçar os recursos humanos e materiais das forças de segurança alemãs. A polícia da Saxônia proibiu ontem todas as manifestações ao ar livre convocadas para esta segunda-feira em Dresden devido a uma "ameaça terrorista concreta". Em comunicado, o comando da polícia de Dresden explicou que, com base em informações recebidas das forças de segurança federais e estaduais, houve uma convocação a possíveis terroristas para que se misturem entre os manifestantes e provoquem um atentado contra Bachmann. As autoridades ligam essa informação a uma mensagem enviada pelo Twitter, que, em árabe, considera o Pegida como "inimigo do Islã". O jornal "Bild" informou que na sexta-feira passada foi detectou a ordem de atentar contra Bachmann durante a manifestação. O Pegida explicou por meio do Facebook que se viu "forçado" a suspender o ato para evitar "efeitos colaterais" aos participantes da manifestação e após falar com os responsáveis das forças de segurança da cidade e do estado da Saxônia. Os representantes do Pegida ressaltaram que a "ameaça abstrata" que o Ministério do Interior admitiu pesar sobre a Alemanha se tornou uma "ameaça de morte concreta" contra um de seus líderes. A de hoje seria 13ª manifestação do Pegida em Dresden, onde na segunda-feira passada, após os atentados jihadistas de Paris, chegou a concentrar a 25 mil pessoas, um novo recorde nas manifestações organizadas semanalmente na capital saxã. O Pegida reconheceu que o fato de o jihadismo ser capaz de impedir o exercício de um direito constitucional representa um "grave dano" à liberdade de expressão, mas ressaltou que optou por dar prioridade à segurança. Com o cancelamento, o grupo pediu que "todos os europeus que são a favor da liberdade de expressão e contra os fanatismos religiosos" coloquem nas janelas uma bandeira nacional e uma vela. Além da manifestação do Pegida, em Dresden era esperada para esta segunda-feira uma contramanifestação de grupos antifascistas, enquanto em outras cidades do país estão programadas concentrações contra o racismo e a xenofobia. EFE jpm/vnm