Rússia x Ucrânia

Internacional 'Por favor, volte': criança chora ao se despedir do pai, levado para serviço militar na Ucrânia

'Por favor, volte': criança chora ao se despedir do pai, levado para serviço militar na Ucrânia

Homem está entre os primeiros recém-recrutados por Putin a irem para o front; 300 mil pessoas serão alistadas para reforçar tropas

  • Internacional | Maria Cunha*, do R7

Resumindo a Notícia

  • Vídeo mostra quando criança russa se despede do pai, levado para serviço militar na Ucrânia
  • É possível ouvir menina gritar: "Papai, adeus... Por favor, volte. Papai, tchau, papai..."
  • Sem resposta, ela chora inconsolavelmente enquanto o pai sai
  • Putin anunciou que 300 mil pessoas seriam enviadas para as linhas de frente na Ucrânia
Familiares foram se despedir dos recém-recrutados

Familiares foram se despedir dos recém-recrutados

Reprodução Twitter/@BBCWillVernon

Na última quinta-feira (22), um vídeo publicado nas redes sociais mostra o momento em que uma criança russa se despede do pai, levado para o serviço militar na Ucrânia.

O registro, compartilhado por um repórter da BBC, não mostra a menina, mas é possível ouvir ela gritando: "Papai, adeus... Por favor, volte. Papai, tchau, papai...".

Sem resposta, ela chora inconsolavelmente enquanto o pai — em algum lugar no grupo de recrutados da cidade de Stary Oskol — sai lentamente.

Os homens — que estão perto da fronteira com a Ucrânia na região de Belgorod — foram os primeiros dos recém-recrutados a darem adeus aos entes queridos e irem para o front. Um vídeo da despedida, compartilhado por um jornalista do The Guardian, viralizou nas redes sociais e já acumula 2,6 milhões de visualizações e mais de 20 mil curtidas. 

Entretanto, segundo informações do tabloide Daily Mail, era preciso ao menos um mês de treinamento para que eles fossem enviados para o campo de batalha. 

Mobilização para reforçar tropas russas

Na quarta-feira (21), Vladimir Putin anunciou que 300 mil pessoas com experiência anterior em combate ou habilidades especializadas seriam enviadas para as linhas de frente na Ucrânia. 

No entanto, a ordem oficial foi publicada sem um parágrafo. O porta-voz de Putin diz que a informação apagada está relacionada ao número de pessoas que podem ser chamadas. Uma fonte dentro do palácio presidencial afirma que estaria escrito "1 milhão".

"O número [de pessoas a serem chamadas] foi corrigido várias vezes e, no final, eles chegaram a 1 milhão", disse ela ao jornal de oposição Novaya Gazeta.

O canal no Telegram General SVR, que alega ter fontes internas do Kremlin, também disse que o número de 300 mil era "falso", pois a meta real seria de 500 mil neste ano e 500 mil no próximo. Além disso, afirmou que "a estimativa geral de perdas até março do próximo ano é de cerca de 300 mil mortos e feridos".

O documento também não menciona a experiência anterior de combate nem estabelece limites para quem pode ser convocado, exceto aqueles que são muito velhos, doentes ou presos — o que abre a porta para praticamente qualquer pessoa ser convocada.

Estudantes universitários, por exemplo, foram vistos em vídeo sendo levados pela polícia para um serviço de guerra na Buriácia — no extremo leste da Rússia —, o que ocorreu um dia após o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, ter prometido que os alunos do ensino superior não seriam alistados.

O mesmo aconteceu na Chechênia e na Yakutia, em que registros mostraram um grande número de homens — alguns deles de meia-idade — sendo carregados em ônibus para a guerra.

As notícias da mobilização provocaram fúria em toda a Rússia, com mais de 1.400 pessoas presas em manifestações em pelo menos 38 cidades na quarta-feira.

O anúncio de Putin também levou a uma saída em massa, o que fez com que o tráfego nas fronteiras com a Finlândia e a Geórgia aumentasse e os preços das passagens aéreas para fora de  Moscou disparassem e até se esgotassem. 

* Estagiária do R7, sob supervisão de Lucas Ferreira

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