Protestos contra reeleição de Bouteflika lotam ruas de Argel

Presidente tenta quinto mandato. Polícia argelina reprimiu manifestação e utilizou gás lacrimogêneo e gás de pimenta para tentar dispersar a multidão

  • Internacional | Da EFE

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EFE/ Mohamed Messara 01.03.2019

Milhares de pessoas voltaram às ruas de Argel nesta sexta-feira (01) para protestar contra a candidatura a um quinto mandato do presidente, Abdelaziz Bouteflika, em uma manifestação que lotou as ruas do centro da capital.

Assim como na semana passada, ao término da oração tradicional das sextas-feiras, a população começou a caminhar de diferentes lugares de Argel na direção da Praça Grande Poste D'Alger, da Rua Didouche Mourad e da Praça 1er Mai, com gritos contra Bouteflika.

"Não vamos parar. Não tem ninguém que possa parar um povo que decidiu despertar e buscar o seu futuro", explicou à Agência Efe um dos manifestantes, que não quis se identificar e cercado por centenas de militares.

Ao enorme dispositivo de segurança colocado nas principais ruas, mesquitas e praças da capital, se somaram vários helicópteros e forças especiais. A Polícia argelina também intensificou a repressão e utilizou gás lacrimogêneo e gás de pimenta para tentar dispersar a multidão, que protestava com garrafas de vinagre.

"Não, não temos medo. Os protestos são um direito e não vamos abrir mão disso. Precisamos de uma mudança real e vamos conseguir", disse outro manifestante, que também preferiu não se identificar por motivos de segurança.

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Os protestos contra a decisão de Bouteflika de tentar um quinto mandato seguido começaram na sexta-feira passada (22), com a maior passeata que se tem notícia na capital na última década. O movimento foi convocado através das redes sociais.

Na última terça-feira (26), milhares de universitários e estudantes do ensino médio de todo o país saíram para exigir a retirada da candidatura do governante. Ontem, 20 jornalistas foram detidos pela Polícia - e liberados horas depois - quando protestavam no centro de Argel contra o quinto mandato e o que classificaram como "repressão do regime à liberdade de imprensa".

Os protestos, que acontecem na maioria das cidades do país, acontecem à revelia do próprio Bouteflika, que no domingo passado foi internado em um hospital da Suíça para passar por "revisões médicas rotineiras", segundo o governo.

Na presidência desde 1999, o líder, atualmente com 81 anos, sofreu em 2013 um grave AVC que já o impediu fazer campanha nas eleições do ano seguinte. Desde então, ele não fala em público, utiliza cadeira de rodas para se locomover e as aparições públicas são raras.

Há cinco anos, ele não viaja ao exterior e nos dois últimos anos cancelou de última hora por "problemas de saúde" reuniões já confirmadas com altos responsáveis de governos, como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman.

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