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Ucrânia impulsiona 'desrussificação' na cultura, na educação e nas ruas

 Prefeitura de Kiev aprovou a renomeação de 142 ruas cujos nomes evocam a Rússia; população reciclou livros escritos em russo

Internacional|

Ucraniano retira placa de rua que tinha o nome de "Moscou"
Ucraniano retira placa de rua que tinha o nome de "Moscou" Ucraniano retira placa de rua que tinha o nome de "Moscou"

Livros usados em russo se acumulam na livraria Siayvo em Kiev. As pessoas os carregam em malas ou caixas para reciclar, em um sinal da 'desrussificação' em curso na Ucrânia desde o início da invasão.

Yulia Sidorenko chegou a se desfazer de todas as suas obras em língua russa sem remorso, embora gostasse de algumas delas.

"Ganhei esses livros quando completei 20 anos, com dedicatórias dos meus amigos. Tirei uma foto", contou à AFP.

A jovem de 33 anos mostra uma coleção de contos de fadas de sua infância. "Estou convencida de que meus filhos nunca lerão as histórias russas. Desde 24 de fevereiro, os livros russos não têm mais lugar na minha casa", afirmou.

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O dinheiro obtido com a reciclagem das obras será destinado à compra de um veículo para o exército ucraniano.

"Em dois meses recolhemos 25 toneladas de livros, cuja reciclagem nos rendeu 100.000 grivnas", cerca de 2.700 dólares, explicou a livreira Iryna Sazonova.

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Também está em questão o museu Mikhail Bulgakov, no centro de Kiev, onde o escritor russo viveu por 13 anos.

O sindicato dos escritores ucranianos solicitou diretamente seu fechamento. Bulgakov é acusado pelos ucranianos de ser imperialista e 'ucranianofóbico', especialmente em seu livro "A Guarda Branca", protagonista da exposição do museu.

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Em frente ao museu, as opiniões dos transeuntes se dividem. Para Anton Glazkov, professor de 27 anos, o fechamento seria uma má notícia "porque guerra e obras de arte nem sempre estão ligadas".

Por outro lado, Dmitro Cheliuk, de 45 anos, que administra uma loja de roupas do outro lado da rua, julga que "chegou a hora de desrussificar e remover o Império Russo das nossas ruas".

Adeus à rua Moscou

Na hora do almoço, Oleg Slabospitsky, de 33 anos, pega uma escada e veste um colete fluorescente. Ele e outro membro de uma associação de jovens aproveitarão o meio-dia para retirar três placas da "rua Moscou".

Oleg tem feito isso com alguns amigos desde a revolução pró-europeia na Praça Maidan em 2014. "São os próprios habitantes que devem estar na origem dessas iniciativas", opina.

E não falta trabalho. A Prefeitura de Kiev acaba de aprovar a renomeação de 142 ruas cujos nomes evocam a Rússia. Além disso, há outras 345 em processo.

A antiga rua Moscou agora presta homenagem aos príncipes Ostrozky, uma dinastia de políticos ucranianos do século XVI.

O setor da educação também fez uma "limpeza". As aulas de russo, geralmente opcionais, foram retiradas do programa escolar, assim como o estudo da maioria das obras de escritores russos.

Na Universidade Shevchenko, no departamento chefiado por Oleksandr Bondarenko, responsável pelo departamento em que se ensina o idioma russo, as aulas sobre a guerra da informação são agora uma parte central do programa acadêmico.

"Numa guerra híbrida como esta, é preciso aprender bem a língua do inimigo para conhecê-la. Tradutores juramentados serão muito requisitados no processo sobre crimes de guerra", estima este professor universitário.

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