Minas Gerais Após ataque de Janaúba, 21 crianças e 4 adultos seguem em estado grave

Após ataque de Janaúba, 21 crianças e 4 adultos seguem em estado grave

Atentado a creche já deixou 8 crianças, uma professora e o agressor mortos

  • Minas Gerais | Juliana Moraes e Raphael Hakime, do R7

Dois dias após o ataque a uma creche em Janaúba, norte de Minas Gerais, 21 crianças e quatro adultos permanecem com queimaduras pelo corpo e em estado grave, neste sábado (7), em hospitais de Montes Claros e Belo Horizonte.

São, portanto, 25 pacientes em estado grave de um total de 26 pessoas internadas — uma criança tem estado de saúde estável e não corre risco de morte.

Entre quinta-feira (5), dia em que o vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos, espalhou um líquido inflamável sobre crianças e em si próprio e ateou fogo, e sexta-feira (6), nove vítimas — oito crianças e uma professora — e o agressor morreram.

No total, são 10 pessoas mortas.

Em Belo Horizonte, 14 pacientes em estado grave estão internados em três hospitais. No Hospital Estadual João XXIII, são 9 pessoas, sendo dois adultos e sete crianças — duas das quais já respiram sozinhas, mas continuam em estado grave.

Todos estão na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), sendo que duas crianças, uma de quatro e outra de cinco anos, tiveram 80% do corpo queimado.

Outras três crianças estão no Hospital Municipal Odilon Behrens e duas foram levadas para o Hospital Infantil João Paulo II.

Todos os pacientes internados em hospitais da capital mineira tiveram o corpo queimado ou sofreram queimaduras nas vias aéreas ou inalaram gases tóxicos.

Em Montes Claros (MG), 12 vítimas seguem internadas: nove estão na Santa Casa e três no HUCF (Hospital Universitário Hospital Universitário Clemente de Faria).

As nove vítimas internadas na Santa Casa de Montes Claros — sete crianças e duas mulheres adultas — estão em estado grave. Duas dessas pacientes estão em estado gravíssimo: uma criança de quatro anos e uma jovem de 23, que têm queimaduras pelo corpo e respiram com ajuda de aparelhos. As outras sete vítimas — seis crianças, entre três e seis anos, e uma senhora de 51 anos — estão estáveis apesar de o estado ser grave.

Cinco pacientes, todas crianças com idades entre 2 e 6 anos, estavam internados no HUCF até a manhã deste sábado (7), mas duas tiveram alta por volta do meio-dia e o número de pacientes no local caiu para três. 

Destes, uma está estável e o estado de saúde não é grave. Outra criança permanece internada em estado grave e uma terceira, também em estado grave, será transferida ainda hoje para o hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Todos têm queimaduras pelo corpo e inalaram fumaça.

Já em Janaúba, onde estavam os pacientes com melhores condições de saúde, todas as crianças que estavam internadas no Fundajan (Fundação Hospitalar de Janaúba) tiveram alta médica.

Ao todo, 16 crianças, acompanhadas dos pais, foram para casa entre 11h e 11h50, de acordo com a pediatra do hospital, Cintia Neres Brandão Freitas.

Outras duas crianças que estavam internadas no local já haviam tido alta médica. Portanto, 18 crianças que passaram pela Fundajan já estão em casa, mas ainda precisam seguir orientações médicas.

Por exemplo, se sentirem falta de ar, tosse, tontura e dificuldade de se alimentar, precisam retornar ao hospital, explicou a médica ao R7.

Assista à reportagem do Jornal da Record:

O ataque

Testemunhas disseram que o vigia noturno e vendedor de sorvetes Damião Soares Santos, de 50 anos, jogou um líquido combustível contra as crianças e professores do Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, em Janaúba, na região norte de Minas Gerais.

Em seguida, ateou fogo e abraçou as crianças com o corpo em chamas. Segundo a Polícia Civil, Santos sofria com problemas mentais como delírios. Apesar disso, o crime teria sido premeditado, o que afasta uma relação direta com a doença.

Para atrair os menores, Santos anunciou que distribuiria picolés para eles. Em entrevista ao R7, o prefeito de Janaúba, Carlos Isaildon Mendes (PSDB) disse que não havia motivos para barrar a entrada do vigia na escola, uma vez que ele não estava mais afastado.

Segundo a polícia, após voltar de férias, Santos não foi trabalhar, alegando problemas de saúde. Na quinta-feira (5), ele foi chamado para conversar com a diretora e cometeu o atentado.

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