Minas Gerais Justiça condena 30 membros da principal quadrilha distribuidora de cocaína de MG

Justiça condena 30 membros da principal quadrilha distribuidora de cocaína de MG

Criminosos negociavam remessas da droga em estados dominados pelo CV e PCC. Somadas, as penas chegam a 1.549 anos de prisão

  • Minas Gerais | Luís Adorno, da Record TV

A Justiça de Minas Gerais condenou, nesta segunda-feira (27), três mulheres e 27 homens acusados pelo Ministério Público Estadual de integrarem uma organização criminosa local que dominava o tráfico de drogas em Belo Horizonte, no entorno da capital e com ramificações em outros estados.

A Record TV teve acesso com exclusividade à sentença, de 654 páginas. De acordo com a Polícia Civil mineira, o grupo é o principal distribuidor de cocaína a partir de Minas Gerais.

Somadas, as penas chegam a 1.549 anos de prisão. Os 30 foram condenados por organização criminosa e tráfico de drogas. Os líderes da quadrilha também foram considerados culpados pelo crime de lavagem de dinheiro. As condenações foram assinadas pela juíza Andréa Cristina de Miranda Costa, da 2ª Vara de Tóxicos, Organização Criminosa e Lavagem de bens e valores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

A investigação teve início em 2021, quando a Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), da Polícia Civil, mirou uma quadrilha que atuava principalmente no Aglomerado Morro das Pedras, na zona oeste de Belo Horizonte. Durante a apuração, a polícia identificou, também, que o bando tinha ramificações em várias regiões da capital, região metropolitana e outros estados.

A principal finalidade da organização criminosa, de acordo com a Polícia Civil, Ministério Público e Justiça, era agir no tráfico de drogas interestadual. Com base nas investigações da Draco, as polícias de Minas Gerais e do Rio de Janeiro deflagraram a operação Saxa Montis, em julho de 2021. Nela, 21 pessoas foram presas em favelas de Minas e também no Complexo da Maré, no Rio.

De acordo com a polícia mineira, durante a operação, mais de 1 tonelada de cocaína foi apreendida em Belo Horizonte. A droga seria distribuída pela organização criminosa investigada a favelas da cidade e a traficantes localizados na Maré, no Rio. Na data da operação, a polícia já classificou o grupo como sendo o mais especializado na distribuição de cocaína a partir do território mineiro.

De acordo com o delegado João Francisco Barbosa Neto, da Draco, que encabeçou a operação Saxa Montis, a polícia tinha localizado, até então, 34 pessoas envolvidas com a quadrilha. Os chefes viviam em casas de alto padrão perto da região da Pampulha, na capital, e nas cidades de Lagoa Santa, Vespasiano e Jaboticatubas, na região metropolitana.

A operação do ano passado também apreendeu 30 carros de luxo, avaliados em pelo menos R$ 200 mil cada um.

Barbosa Neto afirmou em julho do ano passado à imprensa que a cocaína do grupo alvo da operação chegava a Belo Horizonte depois de passar pelo estado de Mato Grosso de carro. Levantamento do Núcleo de Jornalismo Investigativo da Record TV demonstra que Mato Grosso é um dos únicos estados da federação cujo domínio de facção se faz presente por apenas um grupo nacional: o CV (Comando Vermelho), do Rio de Janeiro.

O Complexo da Maré, no Rio, também tem o CV como dominante em seu território. O que indicaria ligação entre a quadrilha de Belo Horizonte e a facção fluminense. No entanto, a investigação também constatou que a organização mineira tem relações comerciais com criminosos localizados em cidades do estado de São Paulo, dominado, por sua vez, pelo PCC (Primeiro Comando da Capital).

De acordo com a investigação mineira, um dos integrantes da quadrilha de BH se deslocou para a cidade de Mogi das Cruzes, distante 62 quilômetros da capital paulista, para entregar carros e dinheiro provenientes do tráfico de drogas a um outro traficante paulista. Com o traficante mineiro, a polícia afirmou ter encontrado R$ 120 mil em espécie, em notas de R$ 10 e R$ 20, o que indicaria ser fruto de venda de drogas.

À Justiça, os condenados afirmaram ser inocentes. No entanto, na sentença, a juíza Andréa Costa escreveu que os "réus traziam entorpecentes de outro estado da federação para serem distribuídos no estado de Minas Gerais, mais precisamente na capital, Belo Horizonte, e em Vespasiano, e restou comprovada a participação destes na prática delitiva".

Ainda de acordo com a juíza, "as investigações deixaram evidente como os integrantes da organização criminosa agem de forma estruturalmente ordenada, caracterizada pela divisão de tarefas para cometimento de crimes de tráfico de drogas em larga escala, além de outros crimes tipicamente que gravitam em torno do tráfico, tais como lavagem e ocultação de bens e valores, além do financiamento para aquisição, transporte e distribuição de drogas em grande quantidade".

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