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Líder indígena Aílton Krenak toma posse na Academia Mineira de Letras nesta sexta-feira (03)

Nascido em aldeia no Valo do Rio Doce, autor tem livros publicados em mais de 17 países; cerimônia acontece em Belo Horizonte

Minas Gerais|Priscilla de Paula, da Record TV Minas

Ativista assume cadeira nesta sexta (03) em cerimônia realizada no centro de Belo Horizonte
Ativista assume cadeira nesta sexta (03) em cerimônia realizada no centro de Belo Horizonte Ativista assume cadeira nesta sexta (03) em cerimônia realizada no centro de Belo Horizonte

O filósofo, escritor e um dos mais importantes líderes indígenas da história do país, Ailton Krenak, toma posse na noite desta sexta-feira (03) na Academia Mineira de Letras (AML), em Belo Horizonte.

O indígena, que faz 70 anos em 2023, nasceu em uma aldeia localizada no município de Itabirinha de Mantena, a 426 km de Belo Horizonte, no Valo do Rio Doce, e é um dos anciões mais respeitados da reserva indígena Qrenaque.

O líder indígena, ambientalista, filósofo, poeta e escritor brasileiro é autor de vários livros, publicados em 17 países. Ailton Krenak ganhou o mundo e agora se prepara pra assumir uma cadeira na AML.

O novo acadêmico irá ocupar a cadeira nº 24, que foi fundada por João Lúcio, tem como patrona Bárbara Heliodora, e já foi ocupada por Cláudio Brandão, Henrique de Resende, Sylvio Miraglia e Eduardo Almeida Reis. O autor se diz surpreso com a escolha para estar entre os imortais da literatura mineira.

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"O anúncio de que Academia Mineira de Letras estava considerando internamente, entre os acadêmicos, a possibilidade de me acolher aqui como membro, em primeiro momento me causou uma preocupação. Como aquela música do Noel Rosa que fala 'com que roupa? com que roupa que eu vou?' Eu sou um ativista de movimentos sociais, eu não sou um acadêmico", comentou o filósofo. 

Ativismo

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Ativista é um dos fundadores da União dos Povos Indígenas
Ativista é um dos fundadores da União dos Povos Indígenas Ativista é um dos fundadores da União dos Povos Indígenas

Ativista desde jovem, Krenak teve uma presença marcante durante a elaboração da constituição de 1988, que garantiu direitos básicos aos povos originários. Em discurso na tribuna, o ativista pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo para protestar contra o que considerava um retrocesso na luta pelos direitos dos povos indígenas brasileiros. Ainda em 1988, foi um dos fundadores da União dos Povos Indígenas.

Na reserva onde Krenak nasceu, vivem 160 famílias, que foram profundamente afetadas pela destruição causada pelo rompimento da barragem em Mariana, em 2015, que contaminou o rio doce em toda sua extensão.

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"Mulheres de mais de 70 anos morreram de tristeza. Os velhos morreram de tristeza e os jovens ficaram revoltados", comentou o autor sobre a tragédia. 

Obras e prêmios

Entre seus livros, estão "Encontros", organizado por Sérgio Cohn (2015), "Ideias para adiar o fim do mundo" (2019), "O amanhã não está à venda" (2020), "A vida não é útil" (2020) e "Lugares de Origem", com Yussef Campos (2021), "O Eterno Retorno do Encontro" foi publicado no livro "A Outra Margem do Ocidente", organizado por Adauto Novaes (2020). Ele é também autor de uma das cartas do livro "Cartas para o Bem Viver" (2021) e "Futuro Ancestral" (2022).

Em 2020, o autor foi indicado para o Prêmio Jabuti de Ciências Humanas, tradicional premiação brasileira de literatura que é realizada desde 1959. Em 2008, recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural do Brasil, dada a personalidades brasileiras e estrangeiras como forma de reconhecer suas contribuições à cultura do país.

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