Minas Gerais Procurador que ameaçou professora também sacou arma em pizzaria

Procurador que ameaçou professora também sacou arma em pizzaria

Bertoldo Matheus de Oliveira teria, ainda, ameaçado um garçom em 2015; ele foi ouvido e liberado pelo MP após atirar contra mulher nesta quinta (1º)

O procurador de Justiça Bertoldo Matheus de Oliveira, que atirou contra uma professora em meio a uma briga de trânsito, já se envolveu em outros episódios de violência. 

Em 2019, ele discutiu com um homem em uma pizzaria e sacou a arma em um estabelecimento com várias crianças, depois que algumas reclamaram para os pais que ele estaria tirando fotos delas. Uma das vítimas, que não quis se identificar, disse que ele estava muito nervoso e agitado. 

- A gente tirou meu irmão dali e colocou na ponta da mesa para evitar confusão. Mesmo assim, ele continuou gritando: ô gordo, você é um gordo, um otário. Quando meu irmão chegou perto da mesa dele, ele tirou a arma para ele. Os meninos ficaram traumatizados. 

O Ministério Público abriu uma investigação contra o procurador e chamou a família para prestar depoimento. No entanto, o órgão disse que o homem agiu por "legítima defesa". 

Além desse episódio da pizzaria, ele teria ameaçado um garçom em 2015. 

Carro de procurador foi apedrejado

Carro de procurador foi apedrejado

Reprodução/RecordTV Minas

Ameaça

Nesta quinta-feira (1º), Bertoldo Matheus teria atirado contra uma professora após uma briga de trânsito, no bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Imagens de câmeras de segurança de um prédio registraram todo o ocorrido. Um veículo bate na traseira do outro. O veículo atingido é da professora Simone Vaz.

— Eu saí para jantar com minha companheira e depois peguei meu carro para ir para casa. Um veículo estava parado na minha frente. Eu buzinei e alertei para ele sair quando um veículo que estava atrás bateu no meu carro.

As imagens ainda mostram que o veículo que bateu no carro de Simone seguiu a mulher até o momento em que ela se preparava para entrar na garagem do prédio onde mora.

— Eu dei seta para entrar para minha casa e ele me seguindo, esbarrando no meu carro, bateu no meu veículo e eu com muito medo.

De acordo com a professora, o motorista saiu do veículo após a batida, a ofendeu  e tentou agredí-la.

— Durante a discussão, ele falou "ah sua sapatona, eu vou te matar", e eu não entendi muito bem. Eu reparei que ele estava um pouco bêbado, trocando as pernas. Ele entrou no carro, foi no porta-luva e tirou uma arma.

Tiro

Imagens gravadas por vizinhos mostraram o momento em que a mulher e a companheira entram para dentro da garagem, quando o homem corre em direção ao local e atira contra elas.

Segundo a professora, ela e a companheira se esconderam atrás de uma pilastra dentro da garagem com medo de serem atingidas pelos disparos.

— Eu podia ter levado esse tiro. Eu vi a arma na mão dele, que atirou em direção a muitas pessoas que estavam na garagem. Ele estava completamente descontrolado, bêbado e desequilibrado. Eu nunca vi uma situação dessa na minha vida.

Ainda no vídeo gravado por moradores, o homem volta para o carro após fazer o disparo. Outras pessoas que acompanhavam a confusão na rua gritam e uma delas atira uma pedra contra o carro do suspeito.

Discussão com PM

As imagens mostram, ainda, que mesmo com o pára-brisas quebrado, ele arranca o veículo, faz o retorno e vai embora. De acordo com a PM, ele foi parado por uma viatura poucos metros do local do ocorrido.

Segundo os militares, o procurador estava bastante alterado e discutiu com alguns agentes. A corporação informou que ele apresentava sinais de embriaguez, mas se recusou a fazer o teste do bafômetro.

A arma utilizada para fazer o disparo contra as mulheres foi apreendida pela polícia. A corporação informou que o veículo foi entregue para um parente habilitado e um delegado foi chamado por um outro procurador geral para cuidar do caso.

Outro lado

Procurado, o MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) informou que Oliveira prestou esclarecimentos e foi liberado após pagar fiança. Como o procurador não tem antecendentes criminais, ele nao ficou preso.

Ainda segundo o MP, o procurador-geral de Justiça encaminhou o caso para o TJMG (Tribunal de Jusitça de Minas Gerais) para registro, em razão do foro especial que Oliveira possui em razão de sua função.

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